Experiências distintas com serviços online: MaxMilhas

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Quando o consumidor descobre algo que talvez o desenvolvedor não pensou direito (ou avaliou se o consumidor precisa de ajuda). Hoje vou falar do meu caso com a MaxMilhas, bem positivo (por enquanto!)

Na era da economia compartilhada, fico muito feliz de saber que existem pessoas/empreendedores/desenvolvedores incríveis dispostos a resolver problemas que a gente não sabia que existiam. E o que acontece quando o consumidor – no caso, eu mesmo – descobre um problema que o desenvolvedor não pensou que poderia ocorrer?

Nas duas últimas semanas, usei o MaxMilhas, serviço de compra e venda de passagens com milhas, e o Rappi, a caixa laranja-fosforescente que se propõe a entregar qualquer coisa em qualquer lugar – de uma garrafa de vinho a um pacote simples e até… dinheiro (!)

MaxMilhas

Eu tenho um lado “aprendi a lidar com milhas aéreas com o tempo” e vivo com a filosofia de que milha boa é milha gasta. Por conta do blog, acabo viajando bastante e já acumulei (e gastei) uma quantidade razoável de milhas. Paguei hotel em semana de férias com milhas, já voei de executiva com milhas, tendo a não deixar milhas paradas na conta.

Mas eu estava com 110 mil milhas de uma companhia aérea estrangeira paradas. E, como não está fácil para ninguém, por que não tentar ganhar um dinheiro extra com elas?

Eis que Paulo Higa, o homem-review do Tecnoblog, me fala do MaxMilhas. Fui lá ver. Tinha dúvidas sobre como um serviço assim – ilegal, já que os programas de milhagem não permitem vender milhas para terceiros – conseguia fazer a coisa acontecer. Fui na fé (e na confiança do Higa que “eles pagam direitinho”) e fiz o cadastro.

Primeira coisa que precisam ajustar no site – apenas os principais programas de milhagem brasileiros aparecem no site (Multiplus, Azul, Amigo, Smiles). Entendo que são o arroz com feijão do serviço, então não é exatamente um problema. Faltou uma indicação de programas estrangeiros, que vim a descobrir só depois que estavam disponíveis.

Fiz o cadastro e, com muito medo, digitei meu login e senha da companhia aérea. O MaxMilhas funciona num esquema de leilão: o vendedor faz a oferta pelo valor médio de mercado nos últimos dias.

Essa é a cotação de hoje (20):

Fiz a oferta de R$ 23,50 por lote de 1.000 milhas e recebi a mensagem de que iria demorar um pouco porque vendas de passagens via programas internacionais não são tão populares. E não acompanhei mais – já que não era para ter pressa.

Dez dias depois, recebi uma oferta (foi quando estava no MWC, no final de fevereiro). O comprador não concretizou a operação, as milhas voltaram para o “mercado”.

Alguns dias depois, uma nova oferta. A operação de venda começa com uma reserva (e eu recebi o e-mail com esses dados da cia. aérea), 24 horas depois o comprador concretizou a venda, recebi a confirmação da compra na aérea (um roteiro Minas-São Paulo-Santiago ida e volta) e encaminhei para a MaxMilhas – com a promessa de cair o pagamento em 20 dias na minha conta corrente.

Já que uma transação deu certo, por que não tentar de novo. E as outras 50 mil milhas restantes estavam lá dando sopa, vou vender. Desta vez o valor estava mais alto, R$ 29,70 por mil milhas. E vendi no dia seguinte – quase o mesmo roteiro, agora saindo do Rio de Janeiro com destino a Santiago.

Aqui foi o momento que fiquei em dúvidas, pois a transação demorou a aparecer no sistema da MaxMilhas. E os caras têm um suporte incrível (mesmo). Responderam rápido, que a transação estava em andamento e por isso não tinha aparecido ainda.

Vale notar que, ao fazer o cadastro da minha conta, a MaxMilhas solicitou meus dados de cartão de crédito para cobrança automática das taxas de embarque com posterior reembolso (dá a entender que empresas nacionais como Gol e LATAM questionam ao vendedor quem são aqueles passageiros). Acabei sem cadastrar e a MaxMilhas pagou as taxas dos “meus” passageiros. E até agora a cia. aérea que vendi as milhas não questionou nada, descontou as milhas direitinho.

Eu, como passageiro, não compraria uma passagem no MaxMilhas por questões pessoais – prefiro pagar a passagem e receber os benefícios disso (como status nas empresas, por exemplo). Mas é uma solução bem interessante, democrática e econômica para quem não se importa com isso e quer pagar menos na passagem aérea – os descontos são bem impressionantes em comparação a uma tarifa normal.

Apesar da experiência até o momento positiva (o dinheiro do primeiro pagamento cai semana que vem na minha conta, depois atualizo este post), acredito que o MaxMilhas – pelo menos o site, que foi minha única plataforma de interação com eles – ainda tem alguns ajustes a fazer.

UPDATE 01/04: os pagamentos foram efetuados dois dias antes do previsto. (O Higa tinha me alertado disso também)

A navegação entre suas páginas internas para quem vende é confusa, a interface esconde as informações de cias. estrangeiras e, pergunta do milhão, como eu declaro isso no meu imposto de renda ano que vem? Nada que um bom especialista em UX e uma pesquisa com usuários não resolva. 🙂 Talvez um jeito interessante de ajudar o consumidor seja dividindo o site em áreas distintas: compra e vendas.

O texto da Rappi vem depois, pois estou esperando uma resposta deles ainda. E, bem, agora minhas milhas acabaram. Preciso voar… mais!

[MaxMilhas]

Sobre o autor

Henrique Martin

Henrique Martin é o fundador do ZTOP+ZUMO e da newsletter de tecnologia Interfaces. Já escreveu na PC World, PC Magazine, O Estado de São Paulo, Folha de S. Paulo e criou o ZTOP+ZUMO em 2007, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC.

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