Eu não sou cliente da Telefônica. E nem quero ser.

E

Quando mudei de casa, dois anos atrás, tomei uma decisão: ter uma vida livre da Telefônica. Atendentes mal preparados, serviços ruins, cobranças indevidas. Herança de anos do monopólio das telecomunicações. Meu telefone doméstico é um Embratel Livre, minha conexão banda larga é Ví­rtua. E meu telefone celular é TIM. E sou feliz assim. Quer dizer, eu achava que era.

Acabei de chegar em casa: tem carta da Telefônica. Opa! Diz que eu solicitei um telefone e que ele já foi instalado. Opa! Eu não pedi o telefone, mas a cartinha tem o meu CPF completo. Meu endereço correto. A ironia do destino: “Para mais informações ou esclarecimentos, entrar em contato pela Central de Relacionamento 103 15, que está í  sua disposição 24 horas por dia, nos 7 dias da semana.”

Peraí­. Eu não pedi o telefone. Liguei no 103 15. Me perdi no labirinto do atendimento eletrônico, que não leva a um ser humano. Depois de apanhar após algumas tentativas, descobrimos (a Renata ajudou, claro) o caminho das pedras.

Primeiro atendente: mal treinado (um clássico da Telefônica). Poxa, é quase meia noite e eu não quero ter que ligar pra Telefônica. Perdi o controle – acho que os atendentes do call center devem ter metas para fazer o cliente gritar. Bem, comigo ele conseguiu, acho que bateu a meta do mês. Coitado. Não tem culpa, mas eu também não tenho culpa que a empresa para a qual ele presta serviços é incompetente. Ele sabe “estar falando” do jeito que ensinaram para ele, claro.

O moço não conseguia me informar se dava pra resolver o problema – de tanta má-vontade, não queria informar o procedimento para ligar amanhã, no horário das 9 í s 21h, para o mesmo 103 15 (tudo que eu queria saber é qual a sequência de números no labirinto telefônico, pra ir direto). A central de atendimento é 24 horas apenas pra redirecionar as chamadas para o dia seguinte. O pior é que não informam o “meu” telefone nem onde ele foi instalado – já que eu sou cliente, poderiam dizer, né? Poderia ligar pro número e bater um papo com o meu amigo golpista. (Eu já fiz isso quando furtaram meu celular da Vivo – mas isso já é outra história). Ligar para a consulta telefônica (102) também não adianta.

Já que deram um golpe no meu nome, vou tentar resolver na mesma moeda, com nome falso e CPF (do Henrique). Respiro fundo. Mantenho a calma. Uma moça atende agora, na maior boa vontade e com bem menos gerundismos. Explico a situação na maior tranquilidade. Dou meu CPF. Falo que sou “João”. “Olha senhor João, provavelmente o senhor foi ví­tima de uma fraude. A Telefônica isenta o senhor do pagamento se a fraude for confirmada. Por favor, ligue das 9 í s 21h para o 103 15”. Inferno. Pra fechar a noite, resolvi confundir a cabeça da moça. “Mas afinal é João ou Henrique”. Eu queria provar que é fácil enganar esses atendentes. “Senhor João, ops, Henrique, não tenho como saber quem está falando”. Bingo – pelo menos deu pra aliviar um pouco, mesmo com a “brincadeira”.

Amanhã vou perder tempo pra resolver isso. Ligar pro 103, pro Procon, pro departamento de comunicação da Telefônica, pro bispo, pro papa. E vou pedir todas as noites pros deuses da Voz Sobre IP que mandem nuvens de gafanhotos digitais sobre os infiéis da Telefônica, isso vou. Mantenho-os atualizados assim que possí­vel.

Sobre o autor

Henrique Martin

Henrique Martin já escreveu na PC World, PC Mag, Folha de S. Paulo e criou o Zumo em 2007. Em 2011, o Zumo se transformou no ZTOP, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC. Siga-o no Twitter: @henriquemartin

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