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Especial de fim de semana: The Great Jonny Quest Documentary

da década de 1990, o programa de TV Jonny Quest de 1964 foi um dos projetos de animação mais intessantes da sua época e cuja saga foi recontada num documentário independente disponível no YouTube.

Jonny Quest é um dos meus programas de TV favoritos. Além de divertido, retrata bem os anos 1960 — época em que o mundo era bem mais simples onde os caras bons eram bons, os maus eram maus e esse papo de herói com crise existencial era coisa de fresco.

Nesses velhos e bons tempos, ninguém ainda se preocupava com bobagens como crise do petróleo, terrorismo internacional, mudanças climáticas e ninguém via nada de errado em ver crianças ou adultos usando armas na TV para atirar em nativos ignorantes (com dentes pontudos e tudo), animais selvagens — incluindo espécies raras/extintas/míticas como pterodáctilos, monstros marinhos e Yetis  — e isso sem falar nos comunistas safados e/ou  orientais amarelos (de tão traíras) interessados apenas em se apoderar das maravilhas da super-ciência criadas para defender nossa liberdade, democracia e o american way of life.

Além disso — e o mais importante — essa série foi criada por um dos meus contadores de histórias favorito: Doug Wildey.

Para mim, o grande barato deste show é toda a parafernália tecnológica que a família Quest (e seus antagonistas) têm a sua disposição como cintos-foguete, plataformas voadoras (hovercrafts?), aviões de decolagem vertical, mini-submarinos, robôs espiões, batiscafos, animais geneticamente modificados, computadores de mesa, canhões de raios e até sistemas de videofone (embaixo) que lembram vagamente os smartphones de hoje. A regra da produção era de usar qualquer tipo de tecnologia, desde que ela fosse plausível — quer dizer — nada de sistemas de teletransporte, espadas de luz ou homenzinhos verdes de outro planeta.

Esse documentário com mais de duas horas de duração apareceu na rede em 2009 e diz a lenda que foi criado para uma única apresentação privada. Por ser um projeto independente, sua produção é bastante simples — feito essencialmente com sequências de vídeo, narração, imagens e textos — muitas vezes animados com aqueles efeitos que vemos em qualquer editor de vídeo para Mac.

Apesar disso, ele compensa essas limitações com um excelente conteúdo, tomando a liberdade de utilizar todo tipo de fonte de informação e de conteúdo (oficial ou não) que em outras situações poderia até ser suprimido ou mesmo censurado — na maioria, corte de cenas originais e supressões de diálogos “politicamente incorretos” que poderiam até colocar a Hanna-Barbera numa saia justa nos dias de hoje, como numa cena em que Bannon chama uma tribo de índios sul-americanos de “macacos” ou outra em que Jonny grita “aí vem o Expresso do Oriente” ao ver um vilão de olhos puxados descer rolando pela escada, passar ao seu lado e cair no  precipício. Convenhamos que não é algo lá muito legal de se dizer para alguém que está indo de encontro para a morte certa.

O trabalho de pesquisa e dedicação dos criadores é tão meticuloso, que chega ao ponto deles extraírem cenas de um episódio e remontá-las em photoshop para que a arte original pudesse ser apreciada na sua totalidade:

Apesar de ser um projeto independente, esse material não é muito fácil de ser baixado na rede. Existem um ou dois torrents meio abandonados e caso você tenha paciência pode baixar o documentário que foi quebrado em 108 partes e reconstituí-los em dois arquivos de vídeo.

Para mim, a maneira mais simples e prática de assistir esse material é no YouTube onde ele está quebrado em 27 partes mas que podem ser assistido em sequência. Ao fim de uma parte a próxima entra automaticamente no ar.

(link do vídeo)

Para quem curte documentários, história do século 20 (em especial, o período da guerra fria), animação e Jonny Quest, o vídeo é díversão garantida.

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

  • Rafael

    Bons tempos! Adorava (e ainda adoro) os desenhos do Jonny Quest.
    Para os "padrões" de hoje o desenho seria politicamente incorreto! Um tremendo ABSURDO!