ZTOP+ZUMO

Entrevista: Genevieve Bell e a “falta de tédio”

A antropóloga e diretora do grupo de Pesquisa em Interação e Experiência da Intel falou sobre Brasil, propriedade intelectual, implantes cibernéticos e de como a falta de tédio mexe com a vida das pessoas.

Conheci Genevieve Bell pela primeira vez em um evento pré-IDF (Intel Developer Forum) em meados de 2004, época em que ela falou sobre suas pesquisas sobre mobilidade na Ásia. Para mim, foi uma revelação já que pela primeira vez ouvi a palavra etnografia e assisti “uma” especialista de dentro da Intel a falar sobre tecnologia sob o ponto de vista do ser humano e não do lado técnico-mercadológico. E, cá entre nós, ela é muito boa nisso. Sintam o drama nessa apresentação que ela fez no TEDx 2011 em Sydney:

E é por essas e outras que ela está na lista das “Top 25 Women in Tech to Watch” de 2010 do site Always On.

O impacto do seu trabalho foi tão grande na maneira como a Intel imagina, planeja e desenvolve seus produtos que ela foi indicada no ano passado para liderar um novo grupo de pesquisa batizado de IXR (Interaction & Experience Research) formado por cientistas sociais, designers e engenheiros que irão criar a próxima geração de produtos e serviços conectados cujo foco é de compreender cada vez mais as maneiras com que as pessoas interagem com a tecnologia e, com esse conhecimento, desenvolver novos produtos e serviços mais adequados para esse público. De fato, já falamos do trabalho desse grupo aqui e aqui.

Desde então tive a oportunidade de cruzar com ela em diversos IDFs (incluindo uma entrevista para um antigo veículo). Neste último IDF, ocorrido em setembro, tive a oportunidade de conversar com ela em duas oportunidades: a primeira delas numa mesa redonda apenas com os jornalistas brasileiros e em outra com os nossos companheiros latino-americanos. Como é muita informação, reproduzo abaixo os melhores trechos desses encontros onde mais ouvimos do que falamos.

Pesquisas no Brasil:

Já faz um tempo que Bell está devendo uma visita ao Brasil e ela até confessou deveria estar por aqui agora,  já que dois de seus pesquisadores estão  em São Paulo realizando um trabalho sobre mobilidade mas com um foco mais direcionado em carros. O interesse dos pesquisadores é descobrir o que as pessoas fazem dentro dos carros, que tipo de tecnologias nossos veículos carregam, o que as pessoas levam e trazem desse ambiente (que muitos consideram a extensão de suas casas) e o mais importante, por que.

Essa pesquisa que já passou pela Malásia, Singapura, EUA, Inglaterra e em breve na Rússia já mostrou que aqui em São Paulo as pessoas passam muito tempo dentro de seus veículos para ir de um lugar para outro (=congestionamento), de modo que os passageiros tendem a levar diversas coisas para ‘passar o tempo” — em especial sistemas de info-entretenimento (infotainment) como players de música e vídeo, jornais e revistas, aparelhos de TV portáteis (para não perder a novelinha).

Fora isso, Bell sente que alguns padrões de comportamento irão ganhar relevância — em especial na área de segurança — o que faz com que as pessoas levem muita tecnologia para dentro de seus veículos e retirá-los na hora da saída o que por exemplo, é algo incomum em outras geografias como na Austrália onde é até comum deixar os carros abertos na rua e cheios de coisas, ao contrário do que acontece em Londres, cujo comportamento é muito parecido com o de São Paulo.

Outro fenômeno que ela está percebendo no Brasil é o grande número de telefones celulares nas mãos das pessoas — algo também comum no leste da Europa — onde os usuários procuram pelas melhores ofertas de serviços e menores  tarifas mesmo vindo de diversas operadoras. De fato, um dos comportamentos mais curiosos ela viu na Itália onde muitos carregam dois telefones como um iPhone e um Nokia daqueles simples do tipo candy bar. Quando ela perguntou por que carregar um iPhone e um Nokia “velho” — e a resposta foi que o primeiro era para acessar a Internet e o segundo para fazer ligações de voz já que sua bateria durava três dias!

Ela diz que isso é fascinante já que ao contrário do que a indústria imagina, as pessoas aceitam até dividir suas “necessidades móveis” em diferentes aparelhos desde que elas atendam as suas necessidades. Nas entrevistas que seu grupo fez com diversas famílias brasileiras foi pedido que todos juntos colocassem seus celulares lado a lado na mesa e o que se viu é que em muitos casos existiam mais celulares do que pessoas dentro de uma mesma casa.

E esse fenômeno também começa a ser observado no mundo dos PCs, onde as pessoas começam a ter além de um laptop um tablet ou seja, ambos são computadores mas cada um oferece uma experiência de uso completamente diferentes. De fato ela se impressiona ao ver fotos vindas do Brasil de pessoas usando o computador com a TV ligada e o smartphone ao lado.

Tanto para se ver e descobrir e eu não estou lá — lamenta a antropóloga — já fazem cinco anos que ela tenta vir para o Brasil e nunca deu certo. Mas dessa vez ela promete que da próxima vez tudo será diferente e que estará por aqui em 2012.

Nagano comenta: Muito que Genevieve falou sobre suas observações e percepções a respeito de nós brasileiros podem parecer meio que a constatação do óbvio, mas isso mostra que sua equipe está conseguindo registrar de maneira até que precisa nossos hábitos e costumes que podem não ser os mesmos de uma pessoa como ela criada no interior da Austrália entre os aborígenes locais (sua mãe também era antropóloga).

E é essa percepção de que o que funciona para o mercado americano pode não funcionar em outras geografias é que foi a grande sacada do seu trabalho. Um bom exemplo são os roteadores Wi-Fi que têm um belo alcance numa casa de madeira americana com paredes de gesso, mas com sinal de rádio que mal passa por uma parede de alvenaria nacional. Outro exemplo ainda mais alegórico foi citado pela própria Bell em 2005 quando ela descobriu a obsessão dos asiáticos tem pela numerologia — e em especial pelo oito — ao ponto de muitos pagarem altas somas para ter seu número de celular com um “número bom” e de preferência cheio de oitos.  E isso importa para nós brasileiros? Acredito que não.

Assim o objetivo do trabalho de Bell é mostrar que diferentes povos tem diferentes expectativas e desejos de modo que a criação de novos produtos devem levar tais diferenças em consideração, sob o risco de encalhar nas lojas.

 

Redes Sociais:

Apesar do domínio do Facebook nesse mercado, ela diz que o que chama a sua atenção é o tanto que “não se fala” de outras redes sociais também relevantes como MySpace, Qzone, RenRen ou mesmo Google+ que possuem diferentes visões do que seria uma “rede (ou networking)” e o que seria “social” de modo que deveria haver um grande debate sobre o que seria exatamente uma “rede social” e a resposta pode não ser exatamente que “Rede Social = Facebook”.

Ela acha que o conceito de mídia social/rede social deveria ser desvinculada do Facebook, permitindo assim que as pessoas tenham mais liberdade para discutir o que seria uma rede, o que seria um relacionamento social e qual o seu valor — ou seja — qual seria o real motivo para manter esses relacionamentos e o que você daria de si para essas pessoas do outro lado da tela do computador? Conteúdo? Acesso à sua vida pessoal? Compartilhar interesses?

Outra coisa que a fascina é como as mulheres dominam essas redes. Segundo pesquisas recentes da Nielsen, 63% do público do Facebook e de redes similares é feminino, o que faz dessa aplicação uma experiência essencialmente feminina o que é notável num universo (tecnológico) tradicionalmente dominado por homens. Ela diz que apesar dos milhões de usuários cadastrados o público feminino também é a maioria desproporcional entre os chamados “usuários ativos”, já que muita gente se registra nesses serviços e simplesmente some. Para ela é interessante ver que a experiência social mais excitante desses últimos tempos está sendo conduzida por mulheres.

Especificamente sobre Facebook, uma coisa que a fascina é que essa rede social é a primeira plataforma tecnológica realmente global. Os telefones celulares também se espalharam rapidamente e simultaneamente em diversos países e numa escala global ao contrário dos PCs que se popularizaram num passo bem mais lento (para não dizer glacial). E como antropóloga, o que a fascina é que mesmo assim o Facebook parece ser uma coisa completamente diferente. Por exemplo, o segundo maior mercado para o Facebook é a Indonésia, onde as pessoas utilizam a rede tanto para conversas banais quanto para discutir assuntos políticos fora do controle do estado, uma experiência bem diferente da americana, conclui ela.

Outro fenômeno que chamou sua atenção é descobrir que uma de suas páginas mais populares do Facebook — não no sentido de ter mais amigos e sim de gerar mais tráfego — é uma chamada Jesus Daily, que deixa pra trás até a de Justin Bieber (aleluia!!!). Segundo sua interpretação, isso mostra que as pessoas estão deixando de se interessar tanto pelo “exótico” nessas redes e começam a se voltar para as coisas mais mundanas do dia a dia de modo que ela não estranha ver pessoas que gostam de falar sobre religião, culinária, esportes etc. o que vai de encontro com a idéia de que as redes sociais deixe de ser apenas parte de uma atividade “exótica” e para se tornar realmente parte de nossas vidas.

Aproximação (ou mesmo a união física) entre homem e máquina

Quando nosso colega e chapa Carlos Alberto Teixeira (também conhecido como CAT, essa figura exótica aí embaixo) d’O Globo fez essa pergunta para Genevieve, sua reação imediata foi dizer que “somente um jornalista latino-americano poderia fazer essa pergunta”. Isso porque essa questão foi levantada originalmente pelo artista latino Zamora, explicou ela.

Nesse caso, estamos falando sobre o conceito de fisicalidade da tecnologia — disse Bell — e de como nos relacionamos com ela à medida que os dispositivos móveis se tornam cada vez menores, mais pessoais e íntimos. E o fato de que podemos carregar alguns deles no bolso cria uma diferente sensação proximidade se comparado por exemplo, de carregar um notebook na bolsa ou mochila.

Ela chama a atenção que a miniaturização também tem seus limites e que isso foi observado no Japão lá pelos anos 2005~2006, época em que surgiram celulares tão pequenos quanto um iPod Nano que de tão minúsculos fazia com que as mulheres japonesas perdessem esses aparelhos aos montes e a solução encontrada por elas foi de colocar um monte daquelas correias e penduricalhos de celular de modo a aumentar o seu volume diminuindo assim o risco de perdê-los. Passados alguns anos, os japoneses finalmente se convenceram que precisavam de aparelhos maiores.

Sob esse ponto de vista ela admira o trabalho de Jonathan Ive, já que ela diz que uma das coisa que o cara é realmente bom é que ele entende o conceito de que um dispositivo móvel precisa ter volume e seu formato e textura precisa ser agradável ao toque e ter uma boa ergonomia. Fora isso somos praticamente rodeados por sistemas inteligentes ou com pelo menos com alguma capacidade de processamento podemos dizer que já temos bastante silício em nossas vidas.

Com relação ao implante de chips diretamente no corpo das pessoas… Ela se diz que os seres humanos são meio aversos a essa idéia apesar de CAT ter confessado que adoraria ter um implante desses no seu corpo e sua resposta é que ele não conta porque para ela — ele não parece ser uma pessoa normal.

Segundo ela, a idéia de ter algo implantado no corpo significa que a pessoa pode estar conectada a qualquer hora e em qualquer lugar — o que pode até fascinar alguns — mas também significa que o implantado também poderá ser identificado, localizado e até mesmo perseguido com a mesma facilidade o que pode ser considerado uma invasão de privacidade.

Ela disse que já viu casos de pessoas que fizeram seus próprios implantes domésticos — como instalar um chip de cartão de vale transporte (aqueles que funcionam por aproximação) no corpo para passar na catraca do metrô sem apresentar nada — mas isso estaria mais do lado da arte e experimentalismo do que da ciência propriamente dita. Ela acredita que todas as pessoas — mesmo as mais conectadas — de vez em quando precisam ter algum tempo para si desligados do resto do mundo, o que pode não acontecer com um implante.

Assim a antropóloga acredita que a aproximação física entre o homem e a máquina se fará mais por outras maneiras menos invasivas e impermanentes como acessórios capazes de coletar dados e interagia com o usuário, peças de joalheria como relógios, colares, pulseiras, anéis e brincos ou até mesmo peças de roupa com chips embutidos.

Pirataria e propriedade intelectual:

Quando perguntada se seu grupo já fez algum estudo sobre pirataria como um fenômeno social, ela diz que já trabalharam muito nisso mas que nunca fizeram algo específico sobre violação de direitos autorais, e  isso mesmo com o excesso de contatos que eles  com essas pessoas (já que muita gente adora fazer isso). O que ela afirma é que o conceito de copiar uma idéia tem diferentes significados dependendo do costume de um povo.

Por exemplo, durante seus estudos que fez na China há mais de uma década, ela observou que o valor de uma cópia pirata dependia do “quão perto” esta seria do original isto é, uma cópia de um DVD original é mais cara que a cópia de uma cópia e assim por diante e você poderia até pagar até menos pela cópia do cara que tem uma camcorder e que foi no cinema para capturar o filme direto da tela. O curioso é que muitos que compram essas cópias de filmadoras (que por lá são muito baratas) o fazem para ver se gostam do filme e caso afirmativo, eles correm atrás da melhor cópia que puderem conseguir. De um certo modo é uma maneira que as pessoas tem de experimentar as coisas antes de realmente investir nelas.

O conceito de propriedade intelectual existe apenas em algumas culturas enquanto em outras ela simplesmente não tem muita lógica. Mesmo na Europa medieval alguém podia comprar um quadro que poderia ter sido pintado pelo mestre ou uma cópia feita pelos seus discípulos e isso não importava, já que todas vinham da mesma escola de arte. Foi somente depois do iluminismo é que surgiu a idéia de que a obra do mestre valeria mais que as cópias de seus alunos.

Já na cultura oriental é comum que em diversas atividades as pessoas aprendem o seu ofício (inclusive os pintores) por meio de repetição, muitas vezes copiando exaustivamente o mesmo original. E isso sem falar no oposto ou seja, pessoas que de tão respeitadas fazem com que suas cópias sejam até mais valiosas que o original. Algo como Pablo Picasso copiar um grafite que ele viu na rua.

Assim o grande desafio — na sua opinião — é que no nosso mundo cada vez mais globalizado o sistema legal pode estar até melhorando, mas o problema é que alguns de seus conceitos podem simplesmente não fazer sentido em algumas culturas.

A necessidade de ficar entediado de vez em quando:

Já no campo das idéias, um assunto que tem fascinado a pesquisadora é como a “falta de tédio” pode estar mexendo com a vida das pessoas.

E porque o tédio seria algo importante? Segundo ela, esse estado de espírito é algo muito importante para o nosso cérebro. Já que é nesses momentos de baixa atividade mental que ele reorganiza suas idéias ao mesmo tempo que abre espaço para pensamentos mais inovadores e criativos. O grande problema é que em muitas culturas (especialmente aqui no ocidente), a idéia de uma pessoa parar um momento para pensar na vida e no sentido do Rock and Roll pode ser interpretado como um sinal de preguiça ou vagabundagem, um mau hábito.

Bell cita um exemplo próprio (por sinal também dito do vídeo acima) da sua infância quando sua mãe botava ela pra fora de casa e dizia para só voltar quando sentisse fome ou começasse a anoitecer. E caso reclamasse que estava entediada a resposta era simples: Não tem nada o que fazer ai fora? Então vá cortar a grama! — por sinal um grande incentivo para você não ficar entediado.

Isso pode parecer papo de boteco, mas o interesse de Bell sobre esse assunto é que com todos os estímulos proporcionados pela nossa sede natural por novidades — e potencializada pelo surgimento de dispositivos móveis como smartphones, videogames de bolso, e-readers, tablets, players e música e vídeo, etc. — faz com que as pessoas de hoje tenham cada vez menos tempo para ficarem entediados o que pode resultar numa sociedade cada vez menos criativa e o pior: Essa demanda por informações pode também tragar os usuários obrigando-os a “informar seu seguidores” o que estão fazendo/pensando a cada momento.

Tweet! tweet!

Ela cita o filósofo alemão Martin Heidegger que, já no início do século passado, dizia que o tédio é um estado fundamental da mente de modo que seria importante que as pessoas tivessem o seu momento de tédio. Ele certa vez disse: “Como seres humanos nós dedicamos grande parte de nosso tempo tentando botar o nosso tédio para descansar

O curioso é que quando o seu grupo começou a pensar como estudar tédio eles toparam com algo inesperado, já que ao se aproximar de uma pessoa entediada e começar a lhe fazer perguntas ele se animava e o tédio ia embora!

Trata-se de um problema de metodologia, mas estamos trabalhando para resolver isso, conclui.

Ainda em tempo:

Para conhecer mais sobre Genevieve Bell e seu trabalho, sugerimos ouvir alguns episódios do Intel Chip Chat um Podcast (em inglês) que contaram com a participação da antropóloga:

 

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

  • Thiago Santos 12/10/2011, 20:39

    Nagano, texto impressionante. À parte a excelente TED, fiquei feliz de ver ela constatando a questão da propriedade intelectual dependendo de cada cultura, um assunto tão tabu. Adoraria saber como ela interpreta esses episódios de patentes e licenciamentos cruzados que inundam as pautas de blogs de tecnologia.

    • mnagano 12/10/2011, 21:28

      O legal de conversar com ela é que você levanta um assunto e ela começa a falar, falar e falar por um longo tempo (para o terror da sua assistente que controla a sua agenda.)

      De fato nessas mesas redondas ela costuma não deixar que um jornalista faça mais de uma pergunta, mas como sou conhecido dela de longa data, neste ano ela me deixou fazer DUAS — incluindo essa sobre pirataria — que por sinal era uma que queria fazer desde o ano passado, mas ela não deixou porque eu já tinha completado minha cota. 😛

      E olha que o que publicamos não foi nem metade do que ela disse nessas duas sessões. Ainda tenho todo esse material gravado e quem sabe um dia a gente posta uma segunda parte.

  • Ligeirinho off-line 12/10/2011, 23:16

    Interessante.

    Tédio, ao meu ver, é a sensação de o que faz ou o estado que está não repercute em nada. Tipo, tou lendo ou escrevendo um texto… e a sensação é de "poxa… não tem graça"… ou até mesmo o exemplo de capinar um mato pode ser bem entediante. Afinal, é um esforço repetitivo muitas vezes (para quem já limpou trilho de trem…e não via a hora de encerrar o expediente)… Até jogar Farmville ou paciência é entediante.

    Enfim. Pode ser que no final, queremos descansar nosso cérebro, mas ao mesmo tempo abastece-lo.

    Quanto a pirataria, dias atrás entrei em uma discussão (e acabei até agindo como criança nela, admito) sobre o tema. Creio que a ótica dela, ao meu ver, é perfeita. A definição de cópia é cultural e depende de como as pessoas o tratam. Já disse para alguns na internet: se alguém estudar bem a fundo sobre a pirataria, vai ser bem interessante, e inclusive reconhecido. Enquanto tratar a pirataria como uma generalização sobre cópias e crimes, vamos ter problemas e dissonâncias. Cada contexto sobre pirataria (cópia sem licença, compartilhamento, patentes, produtos contrabandeados, réplicas e falsificações, dentre outras), deveria ser dissociado da palavra, para assim poder entender melhor os pontos também.

  • dflopes 13/10/2011, 09:08

    ótima entrevista Mr,. Nagano,

    É tão legal ver como outras áreas – principalmente as ciencias sociais – colocam seu ponto de vista aplicado à tecnologia.

    Sobre o tédio, o hype criado pela monografia do Domenico Demasi sobre “ócio criativo” esta aí pra contar história. Mas, não vejo assistir TV como tédio ou ócio, pois mesmo assim sua mente fica ocupada… Apesar da mulecada de hoje nem ficar mais pregada na TV, mas em msn/facebook…

    As redes sociaisficam cada vez mais importantes dia-a-dia, mas e quem não gosta? E quem prefere uma rede mais “alternativa” (longe do facebook)? Será que a relação dessa pessoa com a tecnologia é menor por ser excluido do “cara-de-livro”?
    Já imagino a cena: – como vc não tem facebook? – É verdade, eu não tenho (*cara de envergonhado e excluido*)

    P.S.: É tá na hora de acabar com esse meu cavanhaque… ^.^

    • mnagano 13/10/2011, 12:26

      Bom eu tb não estou no Facebook e quando me perguntam pq eu respondo q sou um cara anti-social.

      Interessante ressaltar um trecho do video da Bell que fala sobre quando uma pessoa resolve sair do Facebook, atitude que alguns chamam de suicídio digital.

      De fato existe até um aplicativo na web q ajuda a vc ir dessa pra melhor (digitalmente falando, é claro)

      http://suicidemachine.org/

    • @VagLigeiro 13/10/2011, 21:54

      Já tentei sair umas duas vezes do Facebook e do Twitter. O problema é que sempre volto.

      A minha sensação é que fora deles a vida corre devagar, sem atualizações, sem uma notícia. Dentro, parece mais dinâmica.

      Mas vai da cabeça, costume, cultura e necessidade de cada um.

      O fato é que até comentários (como o do ZTOP) são como redes sociais: no final estamos interagindo e aprendendo um com os outros. Lendo, (des)informando, etc…

  • Droido 14/10/2011, 13:13

    Que cabeção.

  • Anderson Costa 14/10/2011, 15:28

    Não tenho dúvidas sobre o valor do trabalho da G.B e sua equipe, tenho é sobre a Intel em si: será que eles serão capazes de absorver tais informações de modo útil?

  • mnagano 14/10/2011, 18:37

    Bom, como eles estão pagando por toda essa bagaça, deveriam…

    Vide o caso do laboratório Xerox PARC que praticamente inventou o futuro da computação pessoal e os executivos da empresa (que pagaram por toda aquela bagaça) não tiveram a visão necessária para ver a mina de ouro que eles tinham em mãos.

    Ai me aparece um tipinho com cara de hippie chamado Steve Jobs que não pagou bagaça nenhuma, foi lá, copiou deles a idéia da Interface gráfica com mouse (Smalltalk) incorporou ela no Lisa e depois no Macintosh e o resto é história.

    Mas falando sério agora… sim acho que eles estão levando essa história bem a sério. Tanto que essa estratégia de Ultrabook — um equipamento que deve conquistar o consumidor mais pelo coração do que pela razão — é de um certo modo resultado desses estudos.