ZTOP+ZUMO (tech, opinião, inteligência)

Entrevista: Dez minutos com Hide Harada (Panasonic)

Toughbook_Hide_Harada

Diretor de TI da unidade de negócios Toughbook da Panasonic falou sobre a origem do seu produto, produção local e a possível expansão da sua linha de portáteis no Brasil.

Durante o lançamento dos tablets Toughpad, entrevistei com exclusividade Hide Harada, diretor de TI da Unidade de Negócios de Produto (ITP BU), responsável por todas as marcas de computação pessoal nos negócios globais da empresa. Veja os principais destaques do papo.

A origem dos Toughbooks: inspiração ou oportunidade?

Harada explicou que desde a introdução do IBM-PC nos anos 1980 a Panasonic já tentava entrar nesse mercado com um computador portátil. Com o passar dos anos ela notou que não havia muita diferenciação entre seus modelos e preços com os dos oferecidos pela concorrência — em especial no segmento de consumo — o que fez com que ela começasse a considerar uma mudança na sua estratégia de produtos, mas para onde ir?

Por um capricho do destino (ou mais exatamente em 1993), um de seus clientes — a Bristish Gas — entrou em contato para verificar se a Panasonic seria capaz de fornecer um portátil equipado com unidade de CD-ROM integrada, um periférico que nenhum de seus concorrentes como Toshiba, Compaq e IBM havia se comprometido a produzir.

Como a Panasonic já dominava a tecnologia de mídias ópticas e outros componentes como telas LCD, design de gabinetes, baterias etc, chegaram à conclusão que seriam capazes de tirar o máximo desse know-how para projetar e fabricar um produto completo com tecnologia própria, o que resultou no desenvolvimento de um sistema com CD-ROM já em 1995. E como era sabido que os ingleses iriam usar seu brinquedo novo em ambientes abertos e bem selvagens a empresa também desenvolveu sua primeira cobertura de liga de magnésio para proteger sua tela LCD. O resultado desse esforço foi o Panasonic CF-25 (embaixo):

Passado cerca de um ano, os engenheiros da Panasonic analisaram alguns desses notes que voltaram do campo e notaram que eles estavam cheio de sinais de marcas, batidas e riscos, o que mostrou que eles precisariam desenvolver um produto ainda mais robustecido para sobreviver nesses ambientes hostis.

Só que, nessa mesma época, as Forças Armadas dos EUA divulgaram as primeiras especificações do que seria um computador para uso militar e a policia americana também iniciou o trabalho de desenvolvimento de um plano nacional para criar um sistema de computação embarcada para uso em veículos de patrulha. Em ambos os casos, era claro que um computador convencional não sobreviveria muito tempo em ambientes tão agressivos.

Assim a combinação desses fatores levou a Panasonic a decidir pelo desenvolvimento de uma linha de computadores completamente robustecidos baseado na sua experiência adquirida com a British Gas e ampliada pelo feedback de seus novos clientes desde então. Daí surgiu a linha Toughbook.

Harada comentou que um dos lemas da Panasonic é de sempre “contribuir para a sociedade” e a melhoria dos serviços públicos proporcionados pelo uso dos seus computadores robustecidos de um certo modo incorporam essa filosofia.

O tablet da Panasonic.

A decisão de criar o Toughpad nasceu de inúmeras solicitações de clientes que desejavam um “iPad 2 Robustecido” já que muitos deles já utilizavam esse produto em casa e desejavam replicar essa experiência no trabalho, mas para isso ficou claro que precisariam de um equipamento bem mais resistente.

Para o executivo, está claro que o mercado corporativo não poderia utilizar um dispositivo que as pessoas usavam para jogar e assistir vídeos num ambiente profissional. Sob esse ponto de vista Harada enfatiza a importância dos aplicativos especificamente para uso profissional e a criação de um ecossistema próprio (depois nos foi explicado que o Toughpad pode ser configurado para não baixar esta ou aquela aplicação mais voltada para de uso pessoal, como jogos).

Com relação ao mercado latino-americano — e em especial ao Brasil — Harada enxerga uma grande oportunidade de negócios em grandes eventos, como a Copa do Mundo em 2014 e as Olimpíadas no Rio em 2016 e talvez a World Expo em 2020 (onde São Paulo é candidata).

Eventos desse porte necessitam de grandes infraestruturas de TI e isso sem falar nas áreas de fiscalização, segurança pública, construção civil – ambientes onde os Toughpads poderiam ser bem utilizados. E por essas e outras que ele afirma estar muito entusiasmado com o potencial do mercado brasileiro.

A Panasonic poderia produzir Toughpads no Brasil?

Harada diz que ele está a par das novas políticas de incentivos fiscais para a produção local de tablets e diz que até seria fácil fabricar seus equipamentos por aqui se a regulamentação exigisse apenas a “montagem local”. Entretanto para usufruir desses benefícios, a Panasonic teria que fabricar localmente sua placa-mãe, o que para ele ainda é um grande desafio já que eles utilizam um processo de fabricação diferente do adotado em Taiwan ou na China. Segundo o executivo, seus circuitos são altamente customizados para proporcionar maior vida útil da bateria, menor consumo de energia o que, nesse momento seria muito difícil de ser feito no Brasil.

Expansão da sua linha de notebooks no Brasil.

Quando perguntado se haveria a possibilidade da Panasonic trazer outras linhas de portáteis para o Brasil como a linha corporativa (ou como eles dizem, Business RuggedLet’s Note  o executivo disse que eles estão sempre abertos para essa possibilidade.

Ele observa que a três ou quatro anos atrás, sua divisão Toughbook não fazia nenhum negócio no Brasil, mas desde 2009 ele teve a firme determinação de marcar sua presença no Pais ao ponto de contratar um gerente de produtos para o Brasil e um funcionário nipo-brasileiro para trabalhar com ele no Japão.

Disclaimer: Mario Nagano viajou para Dallas a convite da  Panasonic Corporation of North América. 

 

 

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

  • Qual é a desses touchpads redondos?

    • mnagano

      É apenas uma solução estética (a Intel chegou a usar esse mesmo formato nos primeiros Classmate PCs). De fato o design de alguns notes da Panasonic são tão malucos que alguns possuem um leitor de mídia embutido no teclado (para evitar que exista um slot ou gaveta do lado de fora). Uma solução que meu colega Mike Magee chama de cinzeiro.

      http://www.broadbandgenie.co.uk/blog/20080326355/

  • Anderson Costa

    Ao invés de falar suscintamente que eles são caros, vou tentar ser mais justo: eu adoraria ter um desses, mas ainda não tenho "bala na agulha" para bancar um. Mas um dia, com certeza vou ter uma solução dessas…