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Conheça a Endeavor, o novo quartel-general da NVidia

A nova sede intergaláctica da NVidia em Santa Clara é um belo exemplo de como uma obra arquitetônica pode unir equipes, melhorar a sua colaboração e assim impulsionar o crescimento da empresa para os próximos anos.

No fim do ano passado este ZTOP passou uns dias na região de São Francisco e, graças a uma sequência de felizes coincidências (hi Dave! hi Rich! hi Ziebert!)  — tive a oportunidade única de conhecer a nova sede central da Nvidia — batizada de Endeavor — que acabou de ser inaugurada na cidade de Santa Clara:

Ao contrário de outros prédios estilosos e meio sem graça que apinham o Vale do Silício, a impressão que dá é que ela foi concebida para ter personalidade própria, ser quase uma entidade e, como tal, ela tem um papel relevante na estratégia da empresa que vai além de abrigar os funcionários da empresa das intempéries do tempo.

Sob esse ponto de vista, associar a imagem da Endeavor com a de uma grande nave espacial não seria mera coincidência nem exclusividade da empresa com nome de fruta, né?

Mas voltando ao que interessa, a Endeavor é uma impressionante estrutura de metal e vidro localizada no número 2.788 da San Tomas Expressway em Santa Clara…

… endereço por sinal que fica exatamente do outro lado da rua onde também fica a antiga sede da empresa:

Ela foi desenhada pela Gensler, escritório de arquitetura que também projetou a QG do Facebook, as lojas da Havaianas e até a Arena Corinthians.

Já o nome Endeavor (ou Endeavour para os bretões) foi bolado pelo próprio CEO da Nvidia Jen-Hsun “Jensen” Huang tanto pelo tamanho do esforço (= endeavor) necessário para realizar esse projeto quanto pela sua referência ao ônibus espacial.

Para quem não sabe, Jensen é um grande fã de ficção científica, de modo que sua empresa tem uma longa tradição de colocar diversos níveis de interpretação em seus nomes de produtos.

A história desse projeto teve início em meados de 2009, época em que a empresa recebeu a autorização de construir até 2 milhões de pés quadrados (~ 185,8 mil m²) de escritórios no local, mas a crise econômica de 2007~2008 segurou esse empreendimento até meados de 2015, época em que as obras tiveram início e que foi finalmente entregue no começo de novembro de 2017:

Ela possui cerca de 6,7 mil metros quadrados de janelas formadas por mais de mil painéis de vidro duplo de 1,2 x 3,6 metros cuja cor ajuda a controlar a entrada de luz e a manter a temperatura ideal no interior.

A fachada possui dobras e facetas para destacar o acesso ao seu interior:

Para ajudar a controlar a entrada de luz, as janelas possuem um engenhoso sistema de cortinas capazes de cortar a entrada de luz em ~50%, permitindo assim gerenciar melhor o excesso de brilho e de sombras no interior do ambiente, assim como a temperatura:

E se comparado com edifícações de mesmo porte, a Endeavor consome 75% menos água potável, o que é uma grande alívio para o estado da Califórnia que nos últimos anos tem passado por uma crise de abastecimento de água muito parecida com a que aconteceu na região da Grande São Paulo entre os anos de 2014~16. Muito dessa economia é possível graças ao reuso da água nos sanitários e no sistema de irrigação dos jardins que cercam o campus.

Curiosamente essa água também é usada no sistema de ar condicionado que controla tanto a temperatura do escritório quanto dos data centers, o que faz com que o prédio seja literalmente resfriado a água (= water cooled) como nos processadores mais velozes.

No lado de fora também existem áreas de convivência onde os colaboradores podem se reunir tanto em grupos pequenos quanto grandes:

A área livre ao redor da Endeavor não é muito ampla e, como a sede não possui nenhum tipo de cerca, o seu perímetro é guardado por um curioso sistema de “torres de vigilância” que, além de monitorar o seu redor…

… elas também funcionam como postos de emergência, capazes de atender qualquer um que esteja passando no local e precise de algum tipo de ajuda:

E apesar da NVidia investir pesado em Inteligência Artificial, acredito que qualquer semelhança com um notório computador algorítmico heuristicamente programado do cinema é mera coincidência:

Hello, Dave. You’re looking well today.

O acesso ao interior do prédio pode ser feito através da sua garagem que também conta com uma pequena área para bicicletas…

… ou pela rua, percorrendo um longo passeio…

… que dá acesso a sua entrada principal:

Uma curiosidade do sistema de acesso da empresa é que os crachás de visitante possuem um curioso dispositivo de segurança que, passados umas 8~12 horas após ser impresso, faz com que faixas vermelhas apareçam nele, o que na prática inibe o seu uso posterior, já que ele pode ser facilmente visto mesmo a distância por qualquer segurança do prédio.

Já quem conduziu a visita foi Jack Dahlgren, Senior Project Manager da NVidia que participou ativamente nos diversos aspectos da construção da Endeavor, como principal representante da NVidia no relacionamento com a construtora, além de fazer o meio de campo entre o pessoal da área técnica, projetistas, fornecedores etc. Tudo com o objetivo de que o projeto fosse executado na maneira correta, dentro do prazo e sem estourar o orçamento. Interessante notar que ele é formado em arquitetura, mas estava envolvido no design de CPUs antes de assumir esse trabalho:

Ele explicou que o grande objetivo desse projeto é que a Endeavor seja a casa para todos os funcionários da empresa na região, ou seja, reunir todos os seus grupos de trabalho sob um mesmo ambiente, incentivando assim a máxima interação entre eles.

De fato, Dahlgren mencionou estudos realizados pelo MIT sobre a frequência com que você cruza com outras pessoas que você conhece num mesmo andar de um escritório é extremamente alto — algo perto de ~95% — mas essa frequência cai tem torno de 20% e se eles estiverem separados por um andar e esse número cai mais ainda (para a casa de um dígito) se houver mais um andar ou mesmo se trabalharem em prédios separados.

Dai surgiu a idéia original de construir um prédio térreo, mas por uma questão de aproveitar melhor o terreno disponível, a decisão final foi de criar um prédio com dois pavimentos que fosse tão aberto e conectado quanto qualquer outro de apenas um.

No caso da Endeavor, a solução encontrada foi de criar duas áreas: A primeira que fica no piso térreo é a área mais “pública” do prédio onde circulam os visitantes…

… e que tem a sua disposição diversos recursos e equipamentos onde eles podem desenvolver diversas atividades, como trabalhar em seus computadores…

… ou participar de reuniões, tanto formais quanto informais:

Fora isso, neste piso também fica a cantina da empresa com mais de 800 lugares e capacidade de servir até 3 refeições de diferentes tipos por dia…

… e que também funciona  como um grande espaço multifuncional e de colaboração onde as as pessoas (novamente) podem se reunir de diversas maneiras em ambientes abertos…

… ou mais isolados que podem ser reservados por qualquer grupo para encontros mais privados ou eventos:

Uma sacada interessante dessa área é essa grande escadaria na forma de arquibancada, o permite utilizar esse espaço como um pequeno anfiteatro para eventos casuais, apresentações e palestras.

No piso térreo também fica a lojinha da NVidia que curiosamente não atende ao público em geral, mas apenas o pessoal interno e visitantes que estão dentro do prédio …

… e oferece diversos itens de uso pessoal, bolsas, gadgets e souvenirs com a marca…

… e é claro, hardware e acessórios da Nvidia:

Pelo que fui informado, os preços são os mesmos praticados na sua loja on-line, só que a vantagem é que o cliente pode experimentar os produtos (no caso das roupas) e já sair de lá com o a mercadoria na sacola, economizando assim no custo da postagem + frete:

Fora isso, os funcionários também recebem créditos a título de agrado que podem ser usados na loja:

Já o piso superior é reservado para os funcionários da empresa, onde ficam suas baias, estações de trabalho, além de contar com suas próprias sala de reunião, laboratórios, amenidades diversas, etc.

Finalmente, a parte central da Endeavor é ocupada por uma grande estrutura construída ao redor de uma grande escada que une todas as áreas do prédio…

… e é o único local onde a clarabóia do teto é totalmente transparente:

Isso faz com que essa área central seja também a mais iluminada, o que cria um grande impacto visual para todos aqueles que entram pela garagem:

A escadaria é cercada por diversas áreas de convivência, a maioria das salas de reuniões…

… toaletes, copas, máquinas de café …

… áreas de descanso, etc.

Isso faz com que — no movimento diário — as pessoas se cruzem a todo momento incentivando assim os chamados encontros casuais, ou seja, aquela situação onde duas pessoas se cruzam e parar para falar sobre amenidades, e até sobre “aquela idéia bacana que eu queria discutir contigo, você, se lembra?

E caso positivo, existem diversos locais em todo o prédio onde as pessoas podem se reunir e trocar suas idéias:

Dahlgren observa que por não ser um prédio muito alto, a arquitetura da Endeavor incentiva o uso das escadas por dois motivos, a primeira é a questão do incentivo ao exercício e segundo que pelo menos os EUA, as pessoas não costumam conversar no elevador. Todos ficam quietos enquanto esperam a porta abrir, entram quietos e saem calados, ao contrário do que acontece nas escadas onde as pessoas se cruzam, conversam e se cumprimentam.

E no caso de alguma necessidade, existem elevadores escondidos nessa área central.

Mas o executivo também pondera que o excesso de contato também tem seus problemas — em especial para os engenheiros que precisam de um pouco de sossego para se concentrar no seu trabalho. Assim eles foram posicionados em locais mais isolados do andar, onde o som (ou mais exatamente o burburinho do ambiente) e o movimento das pessoas não seja muito elevado.

Quando questionei se a disposição ideal dos funcionários na área disponível foi determinada ou pelo menos auxiliada por meio de simulações de computador — como a Autodesk fez no seu novo escritório em Toronto no Canadá, utilizando sua tecnologia de computação generativa …

… Dahlgren explicou que ele conhece esse trabalho da Autodesk, mas como na época o projeto da Endeavor já estava bem avançado, a definição do layout foi mais intuitiva do que baseada em sistemas de inteligência artificial.

Porém, a maneira como esse prédio foi construído até lembra um pouco a maneira como a empresa constrói um chip, ou seja, eles simularam intensivamente o seu funcionamento antes de realmente fabricá-lo.

Assim o que eles fizeram foi uma série de simulações e visualizações em 3D para determinar se o nível de iluminação estava adequado para este ou aquele ambiente, se os tons das cores nas paredes estavam OK. E tudo isso foi realizado por meio de ferramentas desenvolvidas pela própria NVidia.

O que foi feito neste caso foi pegar os modelos em 3D do prédio onde foram aplicados os chamados MDL (Material Description Language) que são atributos capazes de descrever algumas características físicas e visuais dos objetos como como a sua reflectância (ou reflexividade), desenho da superfície, criando assim uma imagem digital com qualidade fotográfica…

… e dai eles foram totalmente renderizado em 3D com técnicas avançadas de ray tracing, permitindo assim visualizar como seria o seu interior durante os vários períodos do dia e até do ano. O interessante é que isso levou a um grande número de correções que foram feitas antes mesmo da construção ter sido iniciada.

O executivo explicou que a quantidade de informação e demanda de  processamento para uma obra dessa magnitude foi tão grande que incentivou a empresa a desenvolver novos produtos como o Quadro VCA (Visual Computing Appliance), um dispositivo conectado à rede equipado com GPUs Nvidia, o que permite que trabalhos pesados como renderização de imagens em 3D possam ser centralizados ou compartilhados a partir de servidores locais ou até na nuvem:

De fato a NVidia investiu um grande esforço computacional para simular a iluminação natural no interior da Endeavor para estabelecer tanto a quantidade e a distribuição das aberturas no teto, ou seja, quanta luz deveria passar por elas para equilibrar bem o nível de iluminação interna quanto a externa, criando assim um ambiente suave e agradável.

Aqui podemos ver a simulação por computador:

E aqui o resultado final:

Dahlgren disse que nos rascunhos iniciais do projeto, os arquitetos vislumbraram áreas do teto totalmente envidraçadas que ficaram lindas no papel. Só que quando analisadas pelos softwares de visualização da NVidia, a simulação indicou que além de lindas, a solução apresentada também era muito boa para cozinhar pessoas, já que num dia ensolarado a temperatura no local poderia chegar a ~65 C°! — Daí a solução encontrada foi de reduzir essas áreas envidraçadas para apenas três aberturas triangulares que, curiosamente, não são totalmente transparentes e sim translúcidas:

A propósito, para quem ainda não percebeu, um tema predominante na arquitetura desse prédio é o uso de triângulos equiláteros, que é a figura básica usada nas chamadas malhas de triângulos usadas até hoje em computação gráfica para representar objetos em 3D o que foi por muitos anos o grande negócio da empresa.

Sob esse ponto de vista, o triângulo faz parte da alma da Nvidia.

Fora isso, vale a pena relembrar que sob o ponto de vista da engenharia, a estrutura na forma de triângulos é notória pela sua e rigidez, sendo muito usada na construção de tetos e cúpulas geodésicas.

E é claro que por estar na Califórnia, toda a estrutura do prédio já foi concebida para resistir a terremotos.

Por exemplo, o grande teto não fica fixo na estrutura central do prédio e sim assentado nela sobre placas de teflon de modo que, no caso de um tremor, ela desliza livremente para os lados.

Fora isso, existem estruturas diagonais conhecidas como BRB (Buckling-Restrained Brace ou Braçadeira Retentora) que funcionam como se fossem molas de aço, ou seja, elas podem expandir e se contrair durante um tremor, absorvendo assim toda a energia sem romper.

Quando perguntei se, além dos sistemas de visualização, foi utilizado algum tipo de tecnologia — como por exemplo, um engine para jogos — para simular a circulação das pessoas dentro do prédio Dahlgren explicou que a grande dificuldade de fazer esse tipo de simulação, é que para isso é preciso estabelecer as chamadas “regras”, ou seja, naquela fase do desenvolvimento do projeto, ninguém sabe com certeza como as pessoas de verdade irão se comportar no novo escritório.

E mesmo nos dias de hoje, o que os arquitetos podem fazer é ficar plantados em algum lugar onde as pessoas circulam — como um lobby ou uma praça — e fazer anotações do que ele observar. Mas mesmo assim, isso é uma interpretação do que chamou a sua atenção e não uma descrição completa da realidade.

Mas com relação ao futuro, a intenção é que a empresa aplique todo o seu conhecimento em aprendizado de máquina e inteligência artificial para identificar essas regras ou padrões comportamento para ai sim simular com mais certeza se um certo modelo de ocupação do prédio será bem sucedido ou não.

Dahlgren disse que o IA na empresa era apenas uma semente quando o projeto teve início, mas que hoje ela é um arbusto e espera que ela se torne uma grande árvore na hora de levantar o próximo edifício (para quem não sabe, o plano geral prevê a existência de um segundo e até de um terceiro prédio que serão construídos de acordo com as necessidades da empresa mas, por enquanto, nenhuma expansão já foi confirmada):

E como todos já sabem um dos objetivos da Nvidia é de ser uma empresa líder no segmento de carros autônomos, de modo que eles estão utilizando o seu próprio estacionamento como um laboratório e campo de provas para testar novas idéias, como sistemas inteligentes capazes de orientar um carro autônomo diretamente para uma vaga disponível.

Na opinião de Dahlgren, esse é um desafio particularmente interessante porque esses carros podem ser até bons para seguir rotas, ler sinais de trânsito, não bater em nada ou atropelar ninguém, etc. — mas encontrar uma vaga em um local concorrido para estacionar é algo bem diferente.

Isso por que nos dias de hoje, quando dois carros se aproximam ao mesmo tempo de uma vaga livre, o um dos motoristas vai dar uma acelerada e pular dentro dela, enquanto que o outro vai fazer uma careta e até dar uma buzinada.

Dahlgren explicou que carros autônomos são “inerentemente educados” de modo que, na hora de disputar um local para estacionar, o que pode acontecer é que os dois veículos irão ficar parados na frente da vaga, esperando que o outro ocupe o espaço.

Baseado nisso, a NVidia está equipando a sua garagem com câmeras e sensores para criar sistemas capazes de se comunicar o carro e dizer “existe uma vaga no local tal e ela é sua!”

O bacana é que essa tecnologia também pode ser usada com veículos convencionais e motoristas humanos.

Com relação a área de trabalho, a capacidade da Endeavor é de abrigar em torno de ~2,5 mil pessoas, sendo que na época da nossa visita (dezembro de 2017) a empresa já havia transferido ~1,5 mil funcionários para o novo endereço com a previsão de chegarem mais 200~300 pessoas, restando assim um bom número de lugares de reserva para as futuras expansões dos departamentos.

Esta é uma estação de trabalho padrão que foi feita para ser um espaço bastante flexível:

De fato, a mesa de trabalho possui rodinhas — de modo que o usuário pode reposicioná-la de acordo com a sua necessidade e gosto pessoal — além de possuir tomadas e suportes para dois monitores…

… e um curioso controle de altura que além de melhorar a ergonomia do usuário quanto este está sentado, também permite trabalhar de pé:

Trata-se de um hábito considerado bem saudável, mas que não é uma idéia nova, já muitas personalidades do passado já trabalhavam de pé nas suas mesas como Benjamin Franklin, Winston Churchill, Virginia Woolf a até o notório secretário da defesa americana Donald Rumsfeld.

Essa flexibilidade de layout permite que cada funcionário organize o seu espaço de acordo com as suas preferências pessoais, mas Dahlgren comentou que isso foi uma espécie de contrapartida pelo fato das paredes das novas baias serem relativamente baixas se comparadas com as do escritório antigo (~1,8 m), o que gerou algumas críticas ligadas a redução do nível de privacidade.

Apesar disso, o executivo defende essa mudança porque nas baias antigas, além de entrar menos luz natural no seu interior, havia uma certa dificuldade de localizar uma pessoa no escritório ou  mesmo de saber se ele está ou não na sua mesa. Agora com o novo mobiliário, você de longe consegue ver qualquer pessoa de longe e ir falar com ela.

Mais uma vez, é o novo ambiente facilita o contato e a interação entre pessoas e  grupos.

Já para aqueles que realmente precisam de um local mais isolado e silencioso para executar alguma tarefa que exija um maior nível de concentração ou privacidade, a Endeavor oferece uma curiosa solução batizada de “Phone Room“…

… que são pequenas cabines à prova de som, onde as pessoas podem se isolar do ambiente externo para uma conversa mais privada…

… ou até mesmo para trabalhar ou conduzir uma pequena reunião:

Existem 122 dessas cabines espalhadas pelo prédio em ambos os pisos, equipados com diversos recursos como telefone, conectividade, quadros brancos, telas de apresentação, sistemas de videoconferência e com capacidade para uma, duas ou até três pessoas:

Dahlgren explicou que ao contrário das salas de conferência, essas cabines não podem ser reservadas, de modo que qualquer um pode entrar numa delas e usá-la desde de que esteja desocupada.

Essa idéia também minimizou certos problemas como grandes salas de reunião serem ocupadas por três, duas ou até por uma pessoa que precisa do local para fazer ligação mais reservada e importante.

Aliás, existem salinhas ainda mais reservadas chamadas de “Library“, onde uma ou mais pessoas vão para realmente se isolar e se concentrar na solução de um problema. O nível de privacidade é tão alto que até as janelas são cobertas, ao contrário dos “Phone Rooms” que são propositalmente abertas para que o próprios funcionários fiquem de olho para que ninguém “tome conta do pedaço”.

Logo acima do segundo piso ainda existe um terceiro andar – mais exatamente um mezanino…

… onde fica um espaço mais reservado criado especialmente para receber convidados mais VIP e grandes clientes da Nvidia:

E como no resto do prédio, esse espaço possui recepção própria, espaço para guardar bagagens, sala de reunião…

… e até um local próprio para pausas e refeições:

Nesse nível também fica o chamado Holodeck

… que como o próprio nome sugere, é uma sala de experimentação e laboratório usado tanto para demonstrações quanto para testar novas idéias baseadas em Realidade Virtual (VR)…

… entre elas um audacioso projeto de mesmo nome que é uma interessante ferramenta de colaboração com VR onde grupos de pessoas (mesmo espalhadas pelo mundo) podem se reunir dentro de um mesmo ambiente virtual para ver e analisar projetos baseados em CAD com qualidade fotográfica sem passar pelo processo de prototipação, maximizando assim o processo criativo além de reduzir o chamado “time to market”:

E como já dissemos antes a Jensen Huang é um grande fã de ficção-científica de modo que muitas salas da Endeavor possuem nomes ligados a esse tema, como Atrus (que acredito ser o primeiro volume da série The Mist Reader):

Já esse aqui todo mundo conhece né?

Existem três desses laboratórios na Endeavor, sendo que este está preparado para realizar uma tarefa chamada “Bring Up” que é uma fase no desenvolvimento de uma GPU quando um novo chip sai da fábrica e vem para cá para ser completamente testado com seu hardware, software e firmware. Os outros laboratórios são voltados para desenho industrial e usos diversos:

E apesar dessa sala ficar numa parte interna do prédio, os arquitetos tiveram a preocupação de permitir a entrada de luz natural no ambiente, o que é algo muito benéfico e até saudável para quem trabalha neste local, porque eles podem sentir a passagem do tempo — já que não é raro pessoas passarem dias (e até noites) nessas bancadas testando equipamentos e nem mais sabem se é dia ou noite no mundo lá fora.

No mezanino também existe um espaço bem interessante que Dahlgren descreve como a “sala de estar da empresa” — ou seja — uma área mais voltada para socialização dos funcionários e que está aberta para todos que trabalham na NVidia,

E como em outras partes do prédio, neste local existem diversos espaços e/ou ambientes onde as pessoas possam de juntar para uma reunião, só que num clima diferente dos outros pisos.

Interessante observar que diversas peças de mobília usadas na Endeavor foram feitas com a madeira de árvores retiradas do próprio terreno onde o prédio foi construído.

Depois do corte, a madeira descansou por um ano antes de ser usada:

E é claro que se estamos falando de socialização nada mais justo que a empresa tenha o seu próprio bar (ou mais exatamente um pub irlandês):

Na verdade, durante o dia esse espaço funciona como um coffee shop vendendo café e acompanhamentos, mas depois do expediente (entre as 17 até as 19 horas) é liberada a venda de cerveja e vinho. Assim os funcionários podem participar de um happy hour sem precisar de sair do prédio:

No fim da visita, perguntei para Dahlgren qual a sua sensação de ter participado de tamanho projeto, e sua resposta é que, para ele, a sensação é muito boa já que o pessoal da empresa reconheceu o seu trabalho e todo mundo está super entusiasmado com a nova casa.

Para dizer a verdade, nós também!

Disclaimer: Mario Nagano viajou por conta própria para Califórnia e visitou a Endeavor a convite da Nvidia. As fotos bacanas, observações brilhantes e piadinhas infames são dele mesmo.

 

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

  • Marcos Besse 11/01/2018, 21:14

    Curioso como o design do prédio espelha a arquitetura dos produtos.

  • Adriano De Lima 12/01/2018, 15:01

    Engraçado como ao ver silhueta da sombra de quem estava fotografando o marco de entrada da Nvidia, já sabia então quem era o autor da matéria sem nem precisar ler a autoria. (KKKKKKK)

  • Adriano De Lima 12/01/2018, 15:29

    Imagina a alegria (e também a pressão) de quem foi contratado pra trabalhar aí. 🙂

    • Mario Nagano 12/01/2018, 20:43

      Bom como em muitas empresas do Silício, elas te dão bastante liberdade mas também cobram resultados.

      De fato andei por todo prédio e não vi nenhuma mesa de pebolim, TV ligada ou alguém andando de monociclo.

      Já o Jensen eu vi por lá circulando pelos andares com seu blusão de couro preto e tudo.

      • Adriano De Lima 12/01/2018, 22:34

        Quer uma mesa de pebolim!? Vá trabalhar pro Google!!! 😂😂😂

  • Don Ratao 12/01/2018, 16:48

    Parece que o filme The Circle http://www.imdb.com/title/tt4287320/ teve cenas gravadas por aí, vale conferir

  • dflopes 16/01/2018, 22:40

    que belo predio, uma arquitetura funcional e singular.
    Parabens pela materia, muito mais do que um simples tour fotográfico.
    Podemos e devemos impleme tsr soluções de engenharia de baixo impacto ambiental, os ganhos em inovação são imensos.

    Para contribuir, as “regras” de um modelo matematico são as equações que descrevem o fenômeno. Se um metal expande com o calor, tem uma equação pra isso. Pra ter uma simulação do povo andando ou se reunindo no predio, precisa tb de uma equação – que alguem ainda pode criar, caso não tenha.

    Ficou uma duvida, a NVidia começou com GPUs para jogos? Pois os elementos finitos (os triângulos basilares da empresa) devem ser muito empregados na criação e apresentação de cenarios 3D.

    • Mario Nagano 17/01/2018, 20:07

      Sim, foi o que escrevi no texto, de um certo modo os triângulos fazem parte da alma da empresa.