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Editora JBC traz (de volta) Ranma 1/2 para o Brasil

JBC_Ranma_intro

Com o fim da publicação de Inu Yasha no Brasil, a editora JBC traz boas e más notícias: a má é que por enquanto, nada de Kyoukai no Rinne no Brasil (buu!). Já a boa é que eles resolveram republicar o trabalho mais célebre de Rumiko Takahashi: Ranma 1/2 (uia!).

JBC_Ranma

Para quem nunca foi apresentado, esse mangá cômico conta a história de Ranma Saotome, um jovem que foi escolhido para ser o sucessor da academia de artes marciais estilo “vale-tudo” da família Tendo, cujo patriarca (Soun Tendo) é muito amigo de seu pai, Genma Saotome (por sinal, um grande picareta).

Como Soun só teve filhas mulheres, é tradição no Japão é que se peça ao noivo que assuma o sobrenome da noiva de modo a dar continuidade a família.  Assim Genma e Soun deram um jeito de arranjarar um miai para Ranma e acabou sobrando para a filha caçula dos Tendo — Akane — que, por sinal, não gostou muito da  idéia no começo e menos ainda quando descobriu que tanto Ranma quando Genma sofrem de uma maldição que, ao serem molhados com água fria se transformam respectivamente numa menina e um panda (efeito revertido com o uso de água quente).

Essa relação conturbada somada à obsessão dos Saotome em se livrar da sua maldição resulta numa divertida relação de amor-ódio no futuro casal, já que no fundo, ambos até que se gostam, mas não assumem seus sentimentos (outro tema muito recorrente nas histórias de Takahashi).

Some-se a isso um bando de personagens excêntricos de todas as origens e hábitos — incluindo três candidatas a noiva que Ranma também quer distância — temos um dos mangás mais divertidos dos anos 1980 e que foi publicado em capítulos semanais de março de 1986 até setembro de 1997 e agrupado em 38 volumes de aproximadamente 200 páginas cada. Reza a lenda que com o lançamento do volume 34 de Ranma 1/2, Takahashi ultrapassou a marca dos 100 milhões de livros vendidos no Japão. Esse por sinal foi um dos grandes méritos dessa artista, já que ela teve a capacidade de criar uma história que agradava tanto o público masculino quanto feminino de diversas idades, algo raro na época.

Ranma_animanga2aEm pleno século 21, o mundo retratado por Ranma já está meio datado, mas de um certo modo seu cotidiano retrata bem a vida do japonês de classe média nos anos 1980 nos bons tempos em que eles botavam pra quebrar na economia mundial e bem antes do telefone celular e da Internet entrar na vida das pessoas. Takahashi também merece elogios por se preocupar em retratar hábitos e costumes locais, eventos folclóricos e até mesmo pratos rápidos e comidas de rua, como okonomiyaki, sembei, nikku-manju, rámen ou takoyaki (tão apreciado por lá como o pastel de feira por aqui).

No Brasil é a segunda vez que Ranma é publicado por aqui, aparecendo pela primeira vez numa revista mais ou menos periódica editada pela Animanga até o número 28 e que não chegou nem na metade da história. Aparentemente a edição da JBC será baseada no tankoubon japonês, cuja capa mistura a arte das edições originais e a estética da versão mais recente.

Se eu fosse a JBC — eu experimentaria publicar outros trabalhos mais curtos da autora como “Ichi-Pondo no Fukuin” (4 volumes e uma pausa de 12 anos para sair o volume final), “Ningyo no Mori” (3 ou 4 volumes) ou mesmo Maison Ikkoku (15 volumes) que na minha opinião é a obra prima de Takahashi. Mas como não sou a editora, vou relaxar e esperar o novo gibi chegar nas bancas e ver se ele chega até o fim lá por meados de 2012.

O primeiro volume de Ranma 1/2 será pré-lançado na Bienal do Livro do Rio de Janeiro e deve chegar nas bancas no próximo dia 25 de setembro.

Trivia:

Reza a lenda que o mangá Dragonball de Akira Toriama inspirou Takahashi a criar sua própria história com artes marciais como pando de fundo. Com relação a idéia da transformação, existe uma história curta chamada Inu de warui ka!! onde Takahashi experimenta com algumas idéias que poderiam a ser usadas (ou não) em Ranma. Nesse caso, os protagonistas eram Momoko — a presidenta do clube de artes marciais da escola — e Shiro um cara que virava (literalmente) um cachorro quando ficava exitado ou quando batia ou batiam no seu nariz. Uma idéia que por sinal não deu muito certo.

A propósito Shiro (= branco) é um nome muito dado para cães no Japão.


Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

  • Guilherme Cherman 06/09/2009, 09:27

    Nunca fui muito fã de mangá, mas vou dar uma olhada nesse, tá todo mundo falando.

  • Anderson 06/09/2009, 17:40

    Ranma 1/2, embora não seja um dos meus favoritos (prefiro histórias como Lobo Solitário, Samurai Executor, Crying Freeman, Mai, etc), é uma referência para quem curte mangá.

    O desenho animado do Ranma 1/2 chegou a passar no Canal 21, quando está estava com a “bandeira” PlayTV.

  • scheldon 06/09/2009, 19:12

    “”No Brasil é a segunda vez que Ranma é publicado por aqui, aparecendo pela primeira vez numa revista mensal editada pela Animanga””

    Erradíssimo, a periodicidade não era mensal nem lascando, só se for meses plutonianos.
    A própria editora falava que era uma publicação trimestral, se bem que foi assim só do primeiro pra segundo volume, depois os espaços foram aumentando(2 meses, 3, 4,4,5,3,8) até chegar a um anos, do penúltimo ao ultimo volume lançados.
    É nisso que da tirar informação da Wikipédia.

  • Anderson 06/09/2009, 22:36

    Por vários anos, os quadrinhos em geral sofreram com a periodicidade, exceto a Turma da Monica e os da Disney, Qualquer outro fora dessa dupla sofria com algum problema.

    Vários ficaram incompletos aqui no País, até mesmo aqueles produzidos pelos grandes do Mercado, vide o caso do Akira, que ficou imcompleto. Se não me engano, a primeira vez que publicaram o Lobo Solitário, também ficou incompleto.

    Crying Freeman só foi publicada o arco inicial das histórias (aquele onde Yo Hinomura se transforma em Crying Freeman e salva a mulher pela qual se apaixona, a Emu Ino).

    Eu sei mais sobre mangás por conta da minha preferência pessoal por alguns deles.

    Os clássicos estão sendo salvos pelas editoras independentes (ou especializadas), material do nível de Watchmen. Pela internet, geralmente eu acompanho o desenrolar dessas “novelas” pelo Omelete.com.br

    O que eu sei é que toda revista precisa colocar alguma coisa sobre periodicidade. Assim encontramos discrepâncias, com no expediente está escrito Mensal, e na prática ela ser bimestral ou qualquer outra coisa.

    Até aonde sei, não é permitido colocar algo como peridicidade indefinida. E se for, os leitores fiéis podem até entender, mas os anunciantes com certeza não. Que o diga a velha PCs…

  • Mário Nagano 07/09/2009, 06:17

    Oi Scheldon,

    Puxa vida cara, quanto ódio no coração… Por acaso você torce para a seleção argentina?

    Eu não acompanhei a periodicidade do Ranma nacional pq na época eu só lia manga publicado pela Viz/Dark Horse. Só fui conhecer essas revistas na forma de back issue na loja Animanga quando estava procurando pelas edições em japonês. Se tivesse copiado o Wikipedia eu até que poderia ter elaborado um texto mais completo, como por exemplo, dizer que a edição do Animanga não passou no sexto tankoubon né?

    Então Anderson,

    A Disney e a MSP conseguem manter um alto ritmo de produção graças ao famoso esquema de produção impressoal, ou seja, os personagens são de propriedade da empresa e as histórias são elaboradas por diversas equipes (escritor, artista e colorista) enquanto que no Japão, a produção de quadrinhos é praticamente um trabalho de autor, desenvolvendo tanto a história quanto a arte.

    A publicação do Lobo Solitário foi confusa tanto aqui quanto nos EUA. A edição da Cedibra era baseda no material que a First Comics estava publicando nos EUA e que fazia o diabo para acertar a arte do mangá original para que ele fosse lido do modo ocidental (da esquerda para direita) e mesmo assim teve coisa que não pode ser mexida e que provocou a ira de Goseki Kojima já que na edição americana — devido à inversão do fotolito — a frente do kimono dos homens ficava fechado ao contrário, ficando do mesmo modo que as mulheres usam. E isso sem falar que as histórias de temas mais adultos ou mais longas (que não cabiam no formato comic americano) foram simplesmente ignorados.

    Depois disso, a First fechou (deixando as editoras e leitores nacionais a ver navios) ficando a história no limbo por vários anos até ser relançado pela Dark Horse Comics na forma de trade papperback respeitando a cronologia original, incluindo as histórias que não saíram na primeira versão, porém mantendo o modo de leitura da esquerda para direita. Curiosamente, a nova edição nacional publicado pela Panini manteve o layout japonês, saindo assim — na minha opinião — melhor que a edição americana.

    Com relação ao Akira, até onde me lembro, Otomo parou o mangá para se dedicar à produção do desenho animado e depois enrolou um tempo para terminar a história.

    [ ]s

    M.

  • Alex 11/09/2009, 08:47

    BAh, eu assistia Ranma 1/2 na TV transamérica aqui de curitiba. o desenho é uma figura.. me partia de rir, ainda mais com aquela garota louca que se transformava em gata… ou um velhinho que roubava sutiãs na redondeza.
    Tô louco para ver o mangá.