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Dois casos de uso de smartwatches em 2018 (Galaxy Watch, Apple Watch)

Relógios espertos em 2018 significam mais recursos para saúde, menos “sou um telefone no seu pulso”. Estou com os novos e recém-lançados Apple Watch Series 4 e o Samsung Galaxy Watch – ambos com conectividade celular – e tenho algumas coisas pra compartilhar.

Não sou o típico esportista (meu máximo é sair pra caminhar quando dá tempo no parque perto de casa), porém a experiência me mostrou a utilidade desses gadgets. Eu que compliquei o uso deles um pouco 😛

Samsung Galaxy Watch

O modelo veio com uma linha telefônica habilitada (obrigado, Vivo, pelo eSim conseguido). Tive a brilhante ideia de “oh, vou sair pra andar sem levar meu celular e ouvir música por streaming”. Não foi uma ideia tão boa assim – mais pela experiência de software que pelo relógio em si.

O Galaxy Watch veio configurado junto a uma linha instalada em um Samsung Galaxy A7 (o das três câmeras). Eram umas 10h quando pensei “olha só, tem uma conta de Spotify conectada aqui, mas quero ouvir as minhas músicas, vou conectar o relógio ao meu Galaxy Note 9”. Perdi quase uma hora no processo, mas deu certo – entendo que essa não é a experiência comum do usuário quando tira o produto da caixa.

Quando “formatei” o Galaxy Watch, meu temor (pós-confirmação da ação) era perder o eSim da Vivo. Nisso, não tive problemas, ele continuou funcionando depois com a minha conta da Samsung. A experiência de sincronizar o Spotify, por outro lado, foi terrível.

Em vez de ser um processo automático sincronizando a conta do smartphone com o relógio, o Spotify pediu usuário/senha direto no Galaxy Watch. Perdi uns 20 minutos tentando digitar as informações – eu cometi a infelicidade de conectar a conta do Spotify ao Facebook, algo impossível de desassociar – para descobrir que precisava de uma senha especial para dispositivo.

OK, Spotify conectado, linha 4G habilitada, faltava sincronizar um fone de ouvido Bluetooth para ouvir música no passeio. O Samsung Gear IconX se negou a conectar ao relógio (algo que não entendi até agora, mas vou tentar novamente em algum momento), usei o Jaybird X3, meu companheiro sonoro favorito de caminhada.

Saí de casa, abri o app Samsung Health, programei a caminhada para 6 quilômetros – um trajeto que faço em 1h10, em média -, comecei a ouvir música e comecei a andar. De casa até o parque a distância é de 1 quilômetro, mas chegando lá o Galaxy Watch não estava contando passos.

Em resumo: o Galaxy Watch parou de contar passos sozinho diversas vezes, o Spotify no relógio é extremamente limitado (somente acessa playlists com poucas músicas, a navegação é ruim, pulou várias músicas no meio), acabei andando uns 7 quilômetros pra ver se a contagem funcionava direito.

Só na volta descobri que existe um recurso de pausa automática que foi meu inimigo. Por conta do streaming direto no 3G/4G, 50% da bateria do relógio tinham ido embora quando cheguei ao chuveiro.

Dia 1 resolvido (e entendo que minhas metas tecnológicas eram avançadas demais), na próxima vez fica mais fácil usar – transferir músicas da minha biblioteca antes e nunca mais ativar a tal pausa automática de exercício. Até dá pra sair de casa (ou ir pra academia, dependendo do caso) sem levar o celular junto, o que é ótimo

Apple Watch (series 4)

Aproveitando a geração nova de iPhones XS/XS Max que estou testando pros amigos do Link/Estadão, recebi também um Apple Watch series 4. É um modelo também com conectividade celular, mas não fui até a minha operadora habilitar um eSim.

Sobre os iPhone XS/XS Max, uma breve observação: que aparelhos incríveis – a Apple corrigiu muitos bugs do iPhone X original e finalmente temos um iPhone com bateria que dura mesmo o dia todo (o XS Max, no caso), e não esquenta tanto. É caro pra burro, mas isso é outra história.

O processo de sincronia é padrão Apple: simples ao máximo. Para emparelhar o iPhone ao Apple Watch basta abrir o app Watch no telefone, ler o código que aparece na tela do relógio e pronto, o processo é automático.

Como estava com o relógio “desconectado” da rede celular, saí para andar com o iPhone XS no bolso. O Spotify, inimigo no dia anterior, funciona muito bem no modelo da Apple – o relógio atua como controle remoto, não existe limitação de playlists/navegação pela sua biblioteca. Coloquei a mesma meta de 6 quilômetros, saí para andar, não tive mais problemas. Controlei a música, medi os batimentos cardíacos, tudo sob controle. Simples e fácil, como qualquer gadget deveria ser – e voltei pra casa com 85% de bateria no relógio (OK, sem a conexão direta 3G nele).

 

 

Por que ter um smartwatch?

Até pouco tempo atrás o máximo de tecnologia para fazer exercício – ainda que uma simples caminhada no parque – sem gastar os tubos era comprar um relógio com medidor de batimentos cardíacos (e amarrar aquela faixa ridícula no peito), sem sincronizar com nada ou acompanhar seu progresso e ficar com a faixa suada fedendo depois.

Hoje – com um preço, claro – tanto o Samsung Galaxy Watch como o Apple Watch são computadores de bolso para acompanhar sua saúde. Passos, medidor de batimentos cardíacos, elevação, lances de escada. São companheiros de treino para medir a vida.

O fato de ter conectividade ali é só para você não perder muito o constante (e exigente) contato com o mundo exterior. O “killer app” de um relógio inteligente é isso em 2018: não ser um acessório do Dick Tracy, mas um companheiro digital de saúde, que ocasionalmente pode ser usado no dia a dia como… relógio. Você não vai jogar / mandar e-mails / entrar no grupo de WhatsApp no smartwatch. Mas se tiver uma ou outra diversão ou ter que parar para responder algo urgente, é apenas um complemento, não a obrigação.

Mesmo sem usar um todo dia (não uso relógio desde… 1992?), acabo usando muito o smartphone para medir os passos – o app Samsung Health (com versões pra Android e iOS, mas só funciona direito mesmo nos aparelhos da marca) está aí pra comprovar. Meço estresse, passos, batimentos cardíacos, só com o telefone. Os relógios – ainda que emprestados pelas marcas – vão me dar uma ajuda nas próximas semanas.

Henrique Martin já escreveu na PC World, PC Mag, Folha de S. Paulo e criou o Zumo em 2007. Em 2011, o Zumo se transformou no ZTOP, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC. Siga-o no Twitter: @henriquemartin