Discos SSD são mais difíceis de apagar do que os HDs

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Como esse mundo dá voltas: Quando os primeiros SSDs chegararam ao mercado, o grande medo era o risco de perder todos os dados gravados caso o disco pifasse. Agora, uma pesquisa realizada pelo USCD mostra que os dados contidos dentro das memórias flash são bem mais difíceis de serem apagados, o que pode levar a riscos de segurança se o dispositivo foi descartado.

Esse alerta foi levantado pelo Non-Volatile Systems Laboratory da Universidade da Califórnia, San Diego, que realizou um curioso experimento criando uma técnica capaz de ultrapassar o chamado flash translation layer (FTL) dos SSDs, obtendo assim acesso direto ao que está realmente registrado em cada endereço dos chips de memória, permitindo assim verificar se os dados neles contidos foram realmente apagados ou não.

Os resultados mostraram que o uso de técnicas de limpeza como sobrescrita ou algum comando interno de limpeza de dados se mostrou pouco confiável, resultando até na sobrevivência de todos os dados contidos no SSD. Veja embaixo uma comparação entre a quantidade de dados que puderam ser recuperados de um SSD após ser “apagado” por diversos algortimos de limpeza total (Sanitization) de HDs:

 

Esse problema é particularmente sério na hora de nos desfazermos de um disco rígido — seja por meio de uma venda, doação ou mesmo descarte — já que foi provado anos atrás que um simples comando de formatar não apagava os dados contidos no disco (o que gerou barulho na mídia, pois muitas pessoas afirmavam ter conseguido recuperar dados pessoais e até senhas de bancos e números de cartão de crédito a partir de discos usados adquiridos no mercado de segunda-mão).

A partir desses alertas, surgiram no mercado programas especiais que realmente destruíam o conteúdo do disco por meio de sucessivas operações de reescrita ou mesmo gravando uma única informação — normalmente zeros — em todos os setores do disco.

Entretanto, o que essa pesquisa mostra é que, apesar de terem sido criados para oferecer o máximo nível de compatilidade, os discos SSD são na sua concepção bem diferentes dos discos mágnéticos. Assim os procedimentos de limpeza usados nos HDs podem não funcionar de maneira tão eficiente nos SSDs. Assim os próximos passos dessa pesquisa será de desenvolver novos tipos de FTLs que corrijam esse problema.

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Sobre o autor

Mário Nagano

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World.
Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

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