Dext e Galaxy: primeiros passos no mundo Android

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android_almofada

Entre uma soneca e outra (praia de vez em quando, mesmo com nuvens, é bom), tirei o atraso (ops!) no último final de semana com o Android, brincando com dois aparelhos ao mesmo tempo: o Samsung Galaxy e o Motorola Dext.

Usei a simples regra da descarga de bateria: quando um ficava sem energia, alternava pro outro. Ambos rodam a mesma versão do Android (1.5 Cupcake), cada um com suas peculiaridades.

Galaxy e Dext

Peguei os dois aparelhos na sexta-feira. O Galaxy vem cheio de firulas: capinha de couro, carregador microUSB, fones de ouvido in-ear (com microfone integrado) 3,5 mm e um cabo microUSB (que serve para carregar o aparelho também).

A caixa do Galaxy segue o padrão da Samsung

Já o Dext veio em uma caixa com formato bem parecido com a do iPhone (retangular e minimalista), com conteúdo mínimo também: um fone de ouvido convencional 3,5 mm com microfone (daqueles fones com espuminha), cartão de memória de 2 GB, um cabo microUSB e um carregador de tomada (plugue o cabo USB o carregador e pronto).

dext_caixa

As configurações de hardware são muito parecidas entre os dois aparelhos: processador Qualcomm de 528 MHz (modelo MSM7201A no Dext e MSM7200A no Galaxy), telas touchscreen capacitivas (3,2″ no Galaxy, 3,1″ no Dext), ambas com resolução de 320 x 480 – só que a do Galaxy é AMOLED (mais brilhante e, no meu ponto de vista, com cores que puxam mais pro amarelo) e a do Dext, TFT convencional (especificações completas na Samsung e Motorola). Têm em comum as necessidades básicas exigidas pelo Android: 3G, Wi-Fi, Bluetooth, mais câmera de 5 megapixels (em ambos), mas só o Galaxy tem flash (LED, dispensável).

No armazenamento interno, as coisas são distintas: Galaxy vem com 8 GB internos, Dext com 2 GB no cartão microSD (e nem pense em usar o aparelho sem o cartão: não dá para tirar fotos…)

abertos

E, claro, o design é bem distinto: o Galaxy é uma barrinha fina (115,4 x 57 x 12,5 mm, 116 gramas) que cabe no bolso sem problemas; o Dext é um slider mais grosso e pesado por conta do teclado QWERTY integrado (114 x 58 x 15,6 mm, 163 gramas).

sanduíche de galaxy e dext

Ainda nos detalhes de design: ambos têm controle de volume na lateral esquerda (o Dext tem uma travinha que liga o modo silencioso – algo comum nos Motorola – e a entrada microUSB):

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No lado direito ficam o disparador da câmera e a trava de tela (no Dext ela serve também para ligar/desligar o aparelho):

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E em cima, o fone de ouvido 3,5 mm (e o microUSB do Galaxy):

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O Dext tem uma frescura de detalhe inspirada numa certa linha de notebooks com uma maçã iluminada atrás da tela:

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Ah, sim, faltou a clássica foto pornografia nerd dos aparelhos sem a bateria – que precisa ser removida para colocar o SIM card da operadora. No Galaxy é mais fácil inserir o SIM Card, e a bateria sai mais rápido – note o slot vazio para o cartão de memória (opcional):

galaxy_bateria

Já no Dext, que segue a escola Nokia 5800 de modos bizarros de inserir o SIM Card (ainda que com menos passos): puxe a lingueta, remova a bateria, abra a pequena trava que segura o SIM card, insira o cartão (e o microSD de 2 GB está lá):

dext_bateria

Primeiras impressões

Depois da introdução ao hardware dos andróides, finalmente tive tempo de mexer direito em um celular com o sistema da Open Handset Alliance.

Minha primeira pergunta foi: “Onde fecha o aplicativo” e o caríssimo Cesar Cardoso, do Pinguins Móveis, me respondeu via Twitter: não fecha! (curiosamente, o navegador do Dext tem uma opção para fechar o aplicativo, mas o do Galaxy não).

Telas iniciais: o Galaxy vem com a configuração “pé-de-boi” do Android 1.5, sem nenhum aplicativo/interface criado pela Samsung – tem 3 telas iniciais, fáceis de configurar (veio um atalho para Orkut, mas era apenas um link inexistente para o site da Tim).

O Dext vem com o MotoBlur (serviço que se integra com mega facilidade a redes sociais e vai me criar um problemão de gerenciamento de contatos em breve) – coloque seu email, crie a conta e pronto: escolha entre Twitter, Facebook, MySpace, Google, Last.FM, E-mail, sincronização corporativa, Picasa, Photobucket e um tal iClaro – já que o aparelho será lançado primeiro por essa operadora). Mensagens enviadas para essas contas aparecem em widgets na tela principal (são cinco disponíveis) e os contatos se integram, com foto, à sua agenda (mais sobre o Blur em outro momento).

Ah, o Google: nunca, na minha vida, configurei meu e-mail num smartphone de jeito tão fácil como num Android. Coloquei meu endereço, senha e pronto: todos os serviços do Google estavam configurados sem dor nem cliques adicionais.

Android Market: a partir do momento que uma loja de aplicativos tem programas de flatulência ela pode ser levada a sério (tô brincando…). E como ocorre na App Store, são vários tipos de puns disponíveis (mas acho que a App Store ainda ganha nesse quesito).

O que eu baixei? Facebook (com um incrível atalho para todos os telefones dos contatos que forneceram essa informação), Pixelpipe (para uploads pro Flickr), Foursquare (mmm, não sabe o que é? Demorou!), NetCounter (pra medir o volume de dados baixado – separa por 3G/Edge e Wi-Fi e totaliza uso diário e geral), dois clientes de Twitter (o excelente Seesmic e o Twitdroid), Layar (pra realidade aumentada), um espanta-mosquitos (Ultra-Sound) e outras bobagens (Metal Detector e sons do Stewie, do Family Guy, e do Charlie The Unicorn). Procuro um aplicativo para capturar telas do sistema (alguém tem sugestões). Ah sim, o Dext veio com dois games instalados (Assassins Creed e Brain Challenge) e um de escritório (QuickOffice)

Despertador: não uso mais rádio-relógio, só celular para acordar. Os Nokia (5800 e N97) usam o acelerômetro para colocar o despertador em modo soneca e me deixar dormir por mais 15 minutos (antes uma soneca de 15 que duas de 9, certo?). No primeiro dia (sábado), o Galaxy me assustou, e eu nem podia ficar sem fazer nada na cama. Não usei no domingo, e coloquei em prática na segunda (acordei com o Dext com outro toque, e minha conclusão é: preciso experimentar outros dias). A observar.

Câmera: os dois têm câmeras de 5 megapixels, aparentemente iguais. Exemplos do Dext e do Galaxy nada sensacionais – a conferir também. Como eu disse antes, o Galaxy tem um flash LED que, na minha modesta opinião, não ajuda pra muita coisa.

Wi-Fi: não sou o maior especialista em redes sem fio do mundo, mas meu padrão de comparação para Wi-Fi é a minha casa: roteador padrão N no andar de cima, e eu fico metade (ou mais) do dia na sala, na frente da TV. O MacBook mostra sinal cheio pro Wi-Fi, o iPod touch mostra sinal médio e tanto o Dext quanto o Galaxy me dizem que o sinal é razoável.

Ah, a interface: quando migrei do Nokia N95 pro 5800 tive que reaprender onde estavam algumas coisas. No Android, não é diferente: nas telas iniciais, dá pra colocar tudo o que quiser (e couber no espaço) – e lembre que no iPhone são infinitas telas iniciais (aqui, o limite são 5 no Dext).

Tem ainda o menu principal (com todos os aplicativos), o atalho para configurações/papel de parede/novos itens nas telas iniciais (no Galaxy, botão esquerdo acima do “discar”; no Dext, botão com os quadradinhos à esquerda) e uma área para notificações no topo da tela (avisa novas mensagens, ligações perdidas e novas atividades em aplicativos que acessam dados, como o Seesmic ou o próprio MotoBlur, por exemplo).

Bateria: ainda em testes, mas é uma encrenca (como no iPhone, daquelas que acabam quando você nem espera). No final de semana deixei os dois aparelhos com o mínimo de brilho na tela, Galaxy com EDGE apenas, Dext com 3G. Galaxy aguentou a viagem na ida e na volta (1,5 hora), Dext serviu para brincar na noite de sábado e manhã de domingo (e fez birra pra recarregar no 220V, não sei o motivo).

Hoje, segunda, recarreguei o Dext e deixei o dia todo com 3G ativo e serviço MotoBlur ligado, puxando atualizações (Seesmic também, mas não os serviços do Google em geral). Fiz três uploads de foto pro Flickr, acessei duas vezes o Gmail. Tirei da tomada umas 9h30, às 17h30 já estava pedindo recarga com 15% apenas restantes. Farei o mesmo com o Galaxy (que tem serviços de atualização menos neuróticos que o Blur ;)).

Consumo de dados: no Dext, segundo o NetCounter, com MotoBlur ligado (e uploads pro Flickr e vendo e-mails e Twitter): 7,26 MB. Sim, Android come seu plano de dados com farinha no café da manhã, e o MotoBlur vai ajudar nisso (dá para desabilitar o recurso ou deixar atualizando apenas por Wi-Fi). Nem pense em ter qualquer Android sem um plano de dados decente (tenho um de 250 MB e já estou preocupado com a próxima fatura).

Um porém: o Dext esquenta de maneira estranha. E não é na bateria, é na área abaixo dela na parte de trás do aparelho (o que tem ali? antenas? chipsets? não sei!), perto do SIM Card e do cartão de memória.

Outro porém: o design metálico do Dext é lindo. Mas tenho impressão de que, com o tempo, as delicadas teclas frontais em relevo na frente do aparelho podem vir a desgastar/rachar (se você tem uma máquina de lavar “digital”, sem controles manuais, só com botões, sabe do que estou falando). O design do Galaxy segue a escola genérica dos Samsung (vide o Jet, bem parecido)

E mais um porém: o Galaxy tem um widget de busca do Google (o que é lógico). Mas o Dext tem um do… Yahoo!, o que não faz o menor sentido. Não entendi o motivo e até agora não descobri se dá para mudar.

Qual o melhor? Não sei, estou testando ainda. O estilo “frente única” do Galaxy me interessa mais, por ocupar menos espaço no bolso (iPhone feelings), e a tela AMOLED é mais brilhante (e a bateria me parece um tantinho melhor). O teclado do Dext ajuda na produtividade (e para trocar mensagens, foco principal do aparelho), mas deixa o aparelho mais parrudo – nada tão grande como um N97 -, entretanto, e o serviço MotoBlur é bem interessante para diferenciar um Android do outro.

(Pergunta para a Motorola: quando sai um RAZR-clone touchscreen candybar fino, sem teclado com Android? CES está chegando!)

Fato 1: se sua vida vive em torno dos serviços Google, o Android a torna bem mais fácil de levar no bolso.

Fato 2: minha agenda do celular precisa ser reorganizada. E o Android vai me ajudar nisso, com integração com Facebook e contatos do Gmail. E, quem sabe, passo a usar o calendário de forma organizada pela quarta vez na vida antes de me perder de novo…

Sobre o autor

Henrique Martin

Henrique Martin é o fundador do ZTOP+ZUMO e da newsletter de tecnologia Interfaces. Já escreveu na PC World, PC Magazine, O Estado de São Paulo, Folha de S. Paulo e criou o ZTOP+ZUMO em 2007, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC.

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