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Design: você já viu um Parassaurolofo feito de Lego?

Parassaurolofo? Sim, tem um deles feito de Lego na Autodesk Gallery. O local é um espaço de exibição permanente dentro da sede da empresa, em San Francisco, e que celebra o processo de criação e design que transforma uma boa idéia num grande produto ou realização — obviamente contando com uma super ajuda dos produtos da casa.

Localizada no início do Market Street e praticamente em frente à estação da barca, a galeria também abriga o IDEA Studio (mais sobre isso em outro post). Entre as atividades do Autodesk Global Channel Media Summit 2011 que aconteceu em 13~14/abril, fiz um pequeno tour pelo espaço e conheci algumas histórias interessantes que existem por trás de alguns dos objetos expostos, incluindo o tal Parassaurolofo.

No geral, a mensagem que a Autodesk deseja passar para o visitante é que o design tem um grande poder de mudar a vida das pessoas para melhor, seja na forma de um garfo para tomar sopa até um prédio inteligente capaz de economizar os gastos com energia, luz e ar condicionado apenas com formas inovadoras que permitam a melhor circulação do ar no seu interior ou mesmo o uso da luz solar para iluminação e geração de energia renovável.

A grande contribuição da empresa nesse caso é de oferecer ferramentas que acelerem o processo criativo (reduzindo custos), ao mesmo tempo que facilita a vida do projetista no trato de tarefas importantes, porém tediosas como cálculos estruturais ou de resistência de materiais, administração de projetos, prototipagem e até simulações que verifiquem, por exemplo, se um prédio meio torto com centenas de andares ficará de pé por si só ou irá desabar com seu próprio peso.

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Logo no hall dos elevadores topamos com um 320T, um motor de avião da ADEPT Airmotive de seis cilindros em V e 320 HP que combina características impressionantes como relação peso-potência (59 kg mais leve que um similar de mesmo tipo), alto desempenho, baixo nível de vibração (= maior confiabilidade) e baixo de consumo de combustível (30% mais econômico). Além disso, ele funciona com diversos tipos de combustíveis como gasolina normal, gás de cozinha (GLP) e até biocombustíveis. E tudo isso foi possível devido ao fato dele ter sido totalmente projetado no computador, o que reduziu os seus custos de desenvolvimento. Fora isso seus modelos e visualizações em 3D permitiram outro aspecto muito interessante: seus investidores (muitos deles sem conhecimento técnico) pudessem acompanhar o andamento do projeto bem antes deles terem um protótipo funcional, criando confiança no produto (o que o ajudou “literalmente” a decolar).

Apesar de estarmos acostumados a relacionar computadores com arte — em especial nas áreas de ilustração, editoração eletrônica e animação — uma área ainda pouco divulgada é a da escultura. No caso abaixo a Autodesk convidou diversos artistas (como Bruce Beasley, Jon Isherwood, Robert Michael Smith e Kenneth Snelson) para utilizarem suas ferramentas de design em 3D para fazer esculturas em pedra.

Neste caso, as obras criadas no computador foram reproduzidas fisicamente em menor escala por meio de “impressoras 3D” e depois de aprovadas elas foram enviadas para o outro lado do planeta, onde foram ampliadas para a escala real e reproduzidas manualmente em granito por escultores chineses ou seja, até obras de arte agora podem ser Made in China. 😛

O projeto abaixo — bartizado de “cheek-to-cheek bench“— foi criado pelo artista Carl Bass, que utilizou o Autodesk Inventor para criar essa forma peculiar inspirada num encosto de cabeça africano.

A guia da Autodesk explicou que o nome “cheek-to-cheek” vem do fato que todo mundo que senta nesse banco tende a escorregar para o meio, ficando com o rostinho colado na pessoa que estiver do lado (querendo ou não):

Já o uso de computadores nos filmes de animação é algo pra lá de conhecido e o filme “Tá chovendo hambúrguer”, da Sony Pictures…

… utilizou extensivamente as ferramentas da Autodesk para simular física de objetos, digitalizar imagens, modelar objetos e cenários, criar efeitos especiais…

… e até uma linguagem de cores (Color Script) foi desenvolvida especialmente para esse projeto para criar tons e climas específicos para cada cena de acordo com o pique e o astral dela.

Mais informações incluindo alguns vídeos explicando essas tecnologias podem ser vistos aqui.

Entretanto, os desenhos animados por computador parecem coisa de criança se comparado com as novas técnicas de captura de imagens e movimentos que os expertos batizaram de Digital Cinematography e cujo exemplo mais célebre é o filme Avatar, de James Cameron.

Cameron e sua produtora Lightstorm Entertainment desenvolveram uma técnica bastante engenhosa que eliminou a dinâmica precisa e matemática das animações de computador por movimentos e expressões registrados diretamente de atores reais, o que também inclui o movimento da câmera, tornando o trabalho do diretor/cinematógrafo ainda mais natural e espontâneo.

Nesse caso a produtora utilizou as ferramentas de DEC (Digital Entertainment Creation) da Autodesk, além de outros programas da casa, como o MotionBuilder e o Maya para criar uma espécie de estúdio digital onde a performance dos artistas foi capturada por câmeras virtuais e aplicada diretamente em personagens criados em computação gráfica. A grande sacada dessa tecnologia é que o resultado preliminar (em baixa resolução) pode ser visto em tempo real, permitindo assim fazer correções e novos takes agilizando assim o processo de criação como se estivéssemos fazendo um filme de verdade.

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No Autodesk Gallery existe uma demo do sistema MotionBuilder para aqueles que querem brincar de cinematógrafo digital.

Obviamente a galeria não tem condições de manter atores  fazendo performances nesse espaço de modo que eles simplificaram as coisas criando um cenário virtual onde dois personagens trocam sopapos o dia inteiro em cima de um prédio dentro do computador.

A interatividade com o usuário fica por conta da câmera de vídeo que, na verdade, nem funciona mas que vem equipado com um sensor que captura a posição/movimento da objetiva …

… que é capturada por meio de sensores presos no teto e transmitidos para o computador.

Isso faz com que o sistema saiba exatamente onde está a câmera dentro do espaço do estúdio digital (delimitado por um retângulo pintado do chão) e para onde ele está olhando permitindo assim reproduzir esse movimento de câmera na tela do computador, ou no caso dessa demo numa grande TV de tela grande:

Nesse mesmo espaço estava exposto uma roupa para captura de movimentos (MoCap) Xsens MVN

… equipada com 17 sensores de movimento montados dentro de um macacão de lycra.

Outro objeto em exposição é um protótipo do Tesla Model S, um dos primeiros sedãs de luxo do mercado movido somente a eletricidade. Esse modelo de quatro portas e cinco lugares faz de 0 a 100 km/h em 5,6 segundos e tem uma autonomia estimada de 483 km com apenas uma carga de bateria. Muito desse desempenho foi conseguido graças ao desenho da sua aerodinâmica feita no computador…

…mas que infelizmente não pudemos ver se esse carro anda tanto assim já que o modelo em exposição é um mockup (modelo em escala real sem motor ou bateria).

Mas se a gente não pode andar de Tesla, pelo menos podemos dar uma voltinha em outra demo logo ao lado, o Presidio Parkway Transportation Simulator.

Esse simulador tem o objetivo de mostrar para o público em geral como será a experiência de dirigir na futura Presidio Parkway, estrada turística que substituirá a Doyle Drive (ou rota 101) e dá acesso à ponte Golden Gate, em San Francisco. Ao contrário do que possa parecer, esse sistema utiliza dados reais do projeto viário desenhado no computador com os produtos da Autodesk e o sistema de navegação pelos cenários em 3D foram adaptados para funcionar com um volante e pedaleira de videogame, sendo que o controle central é um mouse 3D da HP.

Temos aaui um detalhe do assento do motorista:

E da central de processamento que é tocado por três (ou quatro) workstations HP Z600:

Como não tinha que deixar de ser, a galeria possui diversas maquetes de projetos arrojados que utilizam ou utilizaram produtos da Autodesk, como a Shanghai Tower, que com seus 128 andares e 632 metros vai ser o maior edifício da China e segundo do mundo (perdendo apenas para o Khalifa Tower de Dubai com 828 metros).

A Academia de Ciências da Califórnia com seu desenho ecologicamente correto.

A Cathedral of Christ the Light, uma imensa estrutura parcialmente construída em madeira e feita para tirar o máximo proveito da luz natural.

E a maquete reproduz um trecho da ponte Bay Bridge, que liga Oakland a São Francisco e está sendo reformada depois do terremoto de 1989. Reproduções precisas em 3D e imagens fotorealistas desse trecho foram criadas pelo departamento de transportes da Califórnia para mostrar o serviço para as empreiteiras e orientar a população local sobre os trabalhos que seriam realizados e que vias seriam fechadas para a a realização da obra. Isso permitiu iniciar as reformas mais cedo, além de minimizar atrasos desnecessários.

E já que estamos falando de construções, uma das peças que mais chama a atenção do público é o Dinossauro de Lego — ou mais exatamente um Parassaurolofo (Parasaurolophus walkeri) de Lego  — que na verdade não é um brinquedo, e sim uma atração para ser exibida em parques temáticos, grandes lojas e eventos especiais.

Segundo a Autodesk, desenvolver uma atração desse tipo e tamanho é quase o mesmo que projetar um prédio já que é necessário realizar diversas análises estruturais para garantir que a ela não desabe com seu próprio peso. Nesse caso foi necessário o uso de algumas vigas de metal para suportar o peso da montagem e dispor os bloquinhos de Lego de um modo que garanta rigidez da sua estrutura sem desperdiçar muito material.

Assim, definido o tema do objeto a ser construíudo, os projetistas da Lego utilizam o AutoCad e o Maya para criar o modelo inicial. Feito isso o modelo aprovado é processado por um programa da Lego que converte o mesmo numa construção de bloquinhos que será analisado para ver sua viabilidade de construção. Nesse caso são necessários aproximadamente 62,5 mil blocos de Lego para termos um dinossauro completo.

E logo na frente do Parassaurolofo, vemos duas Guitarras Elétricas RKS, que inovaram o desenho desse instrumento por não utilizar um corpo maciço…

 

… e sim uma curiosa estrutura oca onde o braço da guitarra forma uma espécie de espinha dorsal do instrumento, sendo que sua parte inferior além de abrigar os captadores, também possui uma estrutura na forma de “costelas” que sustentam uma sobrecapa moldada na tradicional forma de guitarra resultando assim numa caixa oca. Mesmo com o uso do software AliasStudio da Autodesk, esse projeto levou mais de cinco anos para ser concluído e a grande sacada desse design de estrutura aberta é a sua facilidade de ser customizada o que inclui a cor, acabamento, materiais e o próprio som.

Curiosamente, notamos que o modelo da esquerda (nas mãos de Ricardo Cazes, gerente regional da Autodesk para América Latina) não possui a tal estrutura oca com costelas. Talvez este seja um protótipo ou uma versão especial.

Então… Todo mundo junto agora:

Aaai noou… Itis onli roquenrrou burailaiquit!

Disclaimer: Mário Nagano viajou a San Francisco a convite da Autodesk.

 

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

  • dflopes 22/04/2011, 12:41

    convivo com o autocad desde o ACad12… nos tempos de MS-DOS…
    Mas me envergonho de usar apenas as funcionalidades 2D, por falta de uso do 3D mesmo. Apesar de ser uma ferramenta fantástica (cálculo do centro de gravidade, centro de massa, resistências, etc)

    Será que existe uma opção de comprar apenas uma versão simplificada do CAD, apenas com 2D???