ZTOP+ZUMO

Dois desenvolvedores brasileiros no IDF16

[IDF 2016] Realidade Virtual e tecnologia de acessibilidade com RealSense foram os temas apresentados pelos participantes do evento.

No IDF do ano passado tivemos a surpresa de encontrar uma empresa brasileira — a VR Monkey — expondo seu trabalho no showcase (área de exposições) do evento.

vrmonkey_booth

Acreditando naquele mito de que um raio pode sim cair duas vezes no mesmo lugar, no primeiro dia do evento dei uma corrida na área de software do showcase, mas nada do pessoal da VR Monkey por lá.

IDF_2016_showcase

Dang!

Mas como também dizem por ai — “não pensa no diabo que ele aparece” — no último dia estava eu perambulando pelo evento, quando alguém chega por trás de mim e diz — “E ai Mário, tudo bem?”

IDF16_BR_DEV_pedro_kayatt

Era Pedro Kayatt, co-fundador, big boss da VR Monkey e chapa deste ZTOP que parou para me cumprimentar e me disse que sim, ele estava expondo no showcase, só que na área de inovadores em realidade virtual, junto com outro desenvolvedor brasileiro (uia!)

E apesar do evento já estar no fim — sendo que ele mesmo já tinha fechado a lojinha — ele gentilmente me convidou para dar uma passada na sua bancada para mostrar uma nova aplicação que eles estão desenvolvendo batizada de 7VRWonders.

IDF16_BR_DEV_pedro_showcase

A aplicação em si é bastante simples:  o espectador percorre o cenário a pé ou num barco e pode apreciar tudo ao seu redor e de todos os ângulos como se estivesse mesmo visitando de fato um local turístico.

E como o próprio nome sugere, esse passeio virtual é pelas 7 maravilhas do mundo antigo. Só que como esse trabalho ainda está em desenvolvimento, sendo que apenas quatro delas estavam em demonstração: O Mausoléu de Halicarnasso, o Colosso de Rhodes (embaixo), o Farol de Alexandria e o Templo de Zeus.

IDF16_BR_DEV_7VRWonders

Porém, a grande sacada desse trabalho é a escala dos objetos, já que ela procura reproduzir exatamente aquele estado de fascinação — ou mais exatamente — aquela cara de besta que fazemos quando estamos diante de algo realmente grandioso, como a Torre Eiffel, o Golden Gate Bridge ou mesmo a entrada do Empire State Building em Nova York:

IDF16_BR_DEV_empire_state

No vídeo abaixo — produzido para o Desafio Méliuz — Pedro fala pela primeira vez sobre a idéia desse projeto para o público:

Segundo Kayatt, a previsão é que 7VRWonders seja lançado oficialmente já no próximo mês e será oferecido inicialmente para instituições como escolas e museus. Depois disso, ele também estuda a possibilidade de oferecê-lo para o usuário final por meio de alguma plataforma de distribuição como o Steam. A página do produto deve ir ao ar em breve no site da VR Monkey.

Bonus Track:

Pedro acabou de me dar uma dica que saiu um vídeo produzido pela Intel Software durante o IDF16 onde ele fala de seu projeto:

Infelizmente… Sorry rapeize, english only:

E aproveitando a deixa, Paulo me apresentou um outro desenvolvedor brasileiro — Paulo Gurgel Pinheiro, CEO da Hoo.Box Robotics Tecnologia do Brasil — que também estava mostrando um projeto muito interessante no showcase de inovadores:

IDF16_BR_DEV_hoobox_stand

Trata-se do Wheelie, um sistema de direção para cadeiras de rodas motorizada…

IDF16_BR_DEV_hoobox_cadeira

… que é dirigida por meio de expressões faciais capturadas por uma câmera RealSense…

IDF16_BR_DEV_hoobox_cadeira_realsense

… que interpreta e converte essas informações de movimento num PC que, por sua vez, envia comandos de movimento para o manete da cadeira por meio de um curioso mecanismo robotizado ( impresso em 3D) — que recebeu o nome de Gimme:

IDF16_BR_DEV_hoobox_cadeira_manete

A grande sacada desse sistema está na sua interface com o usuário, onde o condutor da cadeira precisa cadastrar cinco expressões básicas:

Grande sorriso…

IDF16_BR_DEV_hoobox_cadeira_full_smile

… “meio” sorriso…

IDF16_BR_DEV_hoobox_cadeira_half_smile

… beijinho…
IDF16_BR_DEV_hoobox_cadeira_kiss

… língua pra fora…

IDF16_BR_DEV_hoobox_cadeira_tongue_out

… e levantar as sobrancelhas.

IDF16_BR_DEV_hoobox_cadeira_eyebrowup

Feito isso, basta selecionar quatro delas para comandar a cadeira, como por exemplo, beijinho para andar para frente, mostrar a língua para parar e assim por diante.

IDF16_BR_DEV_hoobox_pedro

Segundo Pinheiro, durante a sua formação na Unicamp, ele trabalhou no desenvolvimento de uma cadeira de movimento autônomo, mas observou um certo desconforto por parte dos usuários. Eles não se sentiam seguros em andar por aí em algo que não têm muito/nenhum controle (lembrem-se, estamos falando que pessoas desabilitadas que não podem pular fora da cadeira caso estejam indo na direção de algum perigo obstáculo/perigo iminente como um poste, buraco ou caçador de Pokemon Go).

Uma solução para isso foi o uso de uma nova interface com o usuário, como sensores musculares, câmeras que monitoram o movimento dos olhos, tubos de ar e até receptores neurais cuja percepção dos comandos ainda é algo bem rudimentar (algo do tipo pense na “vontade de ir ao banheiro” pra ir pra frente, pense em “estar com fome” para ir para trás etc).

Daí surgiu a idéia de usar expressões faciais capturadas com uma câmera Intel RealSense cujo uso é bastante intuitivo, fácil de aprender e dispensa o uso de interfaces de contato.

À primeira vista, pode parecer estranho fazer uma cadeira se mover por meio de um beijinho, mas Pinheiro observa que tais expressões são breves, relativamente discretas e podem ser facilmente recalibradas via software.

Fora isso, o kit Wheelie + Gimme pode ser facilmente adaptado em qualquer cadeira do mercado, de modo que ele pode ser fornecido tanto na forma de um produto (uma cadeira com Wheelie original de fábrica) ou na forma de serviço, ou seja, adaptar uma cadeira já existente e oferecer suporte mais personalizado ao usuário.

Isso porque no caso de algumas doenças degenerativas onde o paciente — com o passar do tempo — pode perder a capacidade de mover seus músculos da face, pode ser necessário uma maior atenção no ajuste do software, o que se encaixa melhor no modelo de serviço. Mas em ambos os casos, a idéia é que atualizações do software possam ser feitas automaticamente pela internet.

E falando em segurança, Pinheiro disse que já trabalha em um novo recurso para o Wheelie, que seria usar uma segunda câmera RealSense para identificar obstáculos (como um móvel, parede ou pessoa em movimento) e desviar do mesmo automaticamente.

Mais detalhes desse projetos podem ser conferidos aqui e no site da empresa.

Legal né? Se no ano passado tínhamos um e neste ano dois desenvolvedores brasileiros no IDF, isso representa um aumento de 100% na participação do nosso País no evento.

E que venham mais! 🙂

Disclaimer: Mario Nagano viajou para San Francisco a convite da Intel, mas todas as opiniões e fotos bacanas são dele.

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.