Dell: 20 anos no Brasil, sem querer prever o futuro

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No distante ano de 1999, o mundo da tecnologia era totalmente diferente: não existiam smartphones, notebooks eram raros, vivíamos na paz da era pré-redes sociais e, no Brasil, os desktops montados/importados/comprados daquele amigo que trazia peças do Paraguai dominavam mais de 70% do mercado.

Aí a Dell abriu uma fábrica em Eldorado do Sul e, aos poucos, as coisas começaram a mudar.

Michael Dell, fundador e CEO da empresa que leva seu nome, veio ao Brasil para falar para clientes, parceiros e imprensa ontem (01). Grandes notícias ou anúncios? Não apareceram – o número enorme foi que a fábrica de Hortolândia (interior de SP) já produziu mais de 15 milhões de produtos desde sua inauguração em 2007.

Mas Dell, com seu discurso simples, honesto e que dá a impressão de que nem precisa de teleprompter, falou algumas coisas sobre o mundo da tecnologia, transformação digital e futurologia.

Alguns destaques – em alguns momentos, Mike Dell, claro, puxa a sardinha para os produtos da casa.

“É claro que o mundo está passando por uma transformação digital. Objetos físicos estão se tornando conectados e inteligentes, criando uma onda de dados. Carros, casas e até roupas, tudo conectado e esperto”

“É preciso desbloquear o poder dos dados. E criar uma plataforma única e aberta usando tecnologias da Dell para a infraestrutura do futuro, com dados, aplicativos, ambiente operacional, tudo aberto e unificado”.

“Se sua empresa tem dados gerados por inteligência artificial e aprendizado de máquina e você não está usando isso para tomar decisões, está fazendo errado. Dados ajudam a ter uma diferença competitiva”.

“A jornada digital está apenas começando. Os próximos 35 anos serão muito incríveis por causa da transformação digital. O ritmo da mudança no mundo não vai desacelerar, e as empresas precisam repensar seu negócio constantemente. Startups são muito rápidas porque usam novas tecnologias, sabem ter resultados melhores. Grandes empresas têm pessoas e recursos, mas são mais lentas em mudar. Por isso, se tem dados e não usa IA e ML, está fazendo errado. Se temos um monte de dados agora, será muito maior no futuro – e estamos só no começo”.

“Sou otimista, e acredito que é o melhor jeito de viver sua vida. Olha para Hollywood e veja quantas previsões fizeram de coisas horríveis (citando coisas como “Exterminador do Futuro”). A inteligência artificial não vai acordar um dia de manhã e dizer que vai dominar o mundo. Temos responsabilidade, claro, de proteger contra coisas ruins acontecerem. Mas vamos habilitar o progresso no mundo e ser otimistas, não pessimistas”.

Mas Michael Dell, qual a melhor oportunidade para tecnologia no futuro? (foi uma pergunta da platéia):

“Tecnologia é muito difícil de prever. Veja Bill Gates, Andy Grove, todos fizeram previsões e erraram. Por que eu faria melhor? Mas tenho minhas apostas. Temos engenheiros, cientistas, desenvolvedores criando nossos produtos. E interagimos com milhões de consumidores no mundo todo e, com isso, os produtos estão ficando mais inteligentes”.

Sobre o autor

Henrique Martin

Henrique Martin é o fundador do ZTOP+ZUMO e da newsletter de tecnologia Interfaces. Já escreveu na PC World, PC Magazine, O Estado de São Paulo, Folha de S. Paulo e criou o ZTOP+ZUMO em 2007, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC.

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