Conheça o ThinkReality, a Plataforma de Realidade Aumentada da Lenovo

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Nova solução de AR vem com a proposta de levar essa tecnologia para o mundo nos negócios com soluções de saltar aos olhos do usuário (no sentido mais exato da palavra!)

Aconteceu no último dia 27/08 o Lenovo CAC (Consumer Advisory Council) um evento promovido pela empresa para seus parceiros de negócios, sendo que no intervalo entre as palestras fomos convidados para conversar com alguns executivos da casa, entre eles Sivan Iran, executivo da área de desenvolvimento de negócios de AR e VR para grandes empresas…

… que nos apresentou com exclusividade aqui no Brasil o ThinkReality uma solução de realidade aumentada para aplicações profissionais:

Quando perguntado qual seria a visão da Lenovo para esse mercado, Sivan explicou que seu grupo é focado no uso comercial dessa tecnologia ou seja, nessa era de grandes transformações em que vivemos onde surgem novas tecnologias como IA, IoT, Edge Computing, etc. Sivan acredita que a realidade aumentada (ou AR) é um nova área de inovação que pode ajudar as empresas a criar um novo tipo de mídia capaz de melhorar os seus negócios.

Ele explica que apesar da realidade amentada e a realidade virtual serem tecnologias diferentes, elas tem coisas em comum já que ambas são capazes de apresentar conteúdo visual dentro de um espaço em 3D o que é uma característica que acreditamos ter um grande valor no ambiente de trabalho conclui o executivo, ou seja, para a Lenovo AR e VR são novas ferramentas que ajudarão a empresa a passar pelo processo de Transformação Digital.

Interessante mencionar que essa iniciativa é bastante nova, já que ela foi oficialmente anunciada em maio de 2019 e os primeiros dispositivos chegaram ao mercado no final de julho passado. Apensar disso, muita coisa já foi feita nesses dois últimos anos para entrar de sola nesse mercado.

O ThinkReality A6

Com relação ao produto propriamente dito, a primeira vista o ThinkReality A6 pode até lembrar outro produto de AR da casa — o notório Star Wars: Jedi Challenge — mas além do fato do visor encaixar na cabeça do usuário as semelhanças param por ai, já que o A6 é um produto bem mais sofisticado e totalmente focado para aplicações profissionais e negócios o que até explica o seu visual fortemente associado a estética (e o mito) dos ThinkPad…

… onde o tom dominante é o preto fosco com detalhes de vermelho que irradia sofisticação e qualidade:

Tecnicamente falando o hardware é baseado por suas partes: A primeira é o óculos propriamente dito, capaz de oferecer seis níveis de liberdade de movimento (o chamado Six-Degree-of-Freedom ou 6DoF) e equipado com uma VPU Movidius da Intel e diversos tipos de sensores como de profundidade, câmera RGB de 13 MP, duas câmeras do tipo olho de peixe e uma IMU (Inertial Measuring Unit) usadas para visualização em 3D, mapeamento espacial e reconhecimento de objetos.

Esse conjunto de sensores também permitem que o ThinkReality reconheça gestos, comandos de voz e até de olhares fixos o que torna o seu uso bastante simples e intuitivo, já que diferentes métodos de comunicação podem ser usados de acordo com o contexto. Pesando menos que 380 gramas ele é bem mais leve que o HoloLens 1 (579 gramas) e o HoloLens 2 (566 gramas).

Outro destaque desse produto é o seu visor transparente com tecnologia da Lumus Waveguide com ângulo de visão de 40° (na diagonal) e capaz de mostrar imagens com resolução full HD (na proporção 16:9 em cada olho).

Sivan destaca que essa tela é que ela é super transparente, o que permite fundir mais perfeitamente as imagens da tela com o ambiente ao seu redor.

Outro detalhe interessante desse projeto é que as lentes ficam relativamente afastadas da face do usuário, o que permite que pessoas que usam óculos possam usar esse dispositivo sem ter que recorrer a subterfúgios como adaptar lentes corretivas no próprio visor:

Na imagem acima podemos ver que o circuito do óculos se conecta por meio de um cabo USB com um módulo de processamento — batizado de “Compute Box” — que é praticamente um smartphone sem tela baseado na plataforma móvel SnapDragon 845 com 4 GB de SDRAM DDR4, e que roda uma versão do Android 8 “Oreo”

…mas nada impede que outros SOs possam ser instalados no mesmo o que mostra a visão aberta e meio agnóstica da empresa com relação ao suporte de software.

Ele vem equipado com uma porta de dados (que também serve para recarregar o dispositivo), porta de som com entrada de plug padrão de 3,5 mm que pode ser usado em locais muito barulhentos e o uso de fone de ouvido seja necessário. Caso contrário o óculos possui pequenos alto-falantes perto dos ouvidos.

O Compute Box também vem equipado com botões para controle de volume e pontos de fixação que permitem pendurar o mesmo no pescoço, amarrá-lo no braço ou mesmo prendê-lo na cintura por meio de uma séries de acessórios. Também faz parte desse kit um pequeno controle remoto que faz mais ou menos o papel de um mouse.

Uma sacada interessante desse sistema é que sua bateria de 6.800 mAh é removível e pode ser trocada em menos de 3 segundos o que evita que o equipamento tenha que parar de trabalhar para recarregar a mesma na tomada.

Já a carga da sua carga de bateria (com autonomia estimada em ~4 horas) pode ser monitorada por meio de um indicador de LEDs embutido no próprio aparelho.

Outro detalhe bem interessante desse dispositivo é que todo o sistema eletrônico incluindo a fonte que gera a imagem na tela “vem de cima” o que foi feito de propósito pensando da segurança do operador já que isso deixa todo o campo de visão periférica do usuário livre em todas as direções.

Note também que o visor transparente também é protegido por um segundo visor externo a prova de choque.

Plataforma de software

Com relação ao software a Lenovo irá trabalhar com um sistema próprio que pode ser separado em duas partes.

A primeira parte é o software que vai rodar no dispositivo que será disponibilizado para os desenvolvedores na forma de um SDK que garantirá que as aplicações de AR até já disponíveis para outros produtos sejam compatíveis com o ThinkReality.

Esse SDK terá uma API para conectar-se com a plataforma da Lenovo assim como disponibilizar outros recursos como visão computacional, leitor de código de barras, sistema de reconhecimento de voz e de gestos, etc. acelerando assim o desenvolvimento de aplicações de AR e VR para o sistema.

a segunda parte é a plataforma da nuvem (cloud plaftorm) que seria uma espécie de portal onde as empresas poderão gerenciar tanto os equipamentos de AR e VR e os seus usuários quanto os conteúdos que serão usados e acessados pela plataforma como modelos em 3D, desenhos de CAD, imagens, dados, vídeos, material de treinamento, etc. que precisam estar em algum lugar para que possam ser acessados pelos dispositivos ThinkReality.

Assim a Lenovo irá oferecer um portal tanto para clientes quanto para desenvolvedores com o objetivo de realmente ajudar o departamento de TI das empresas a gerenciar essa área de AR e VR.

Isso porque um dos maiores desafios que o grupo de Sivan tem visto nesse mercado é que as empresas são até capazes de criar aplicações de AR/VR mas não conseguem escalá-las, ou seja, quando se tem apenas um visor para brincar é fácil instalar um software e atualizá-lo regularmente — mas quando estamos falando em gerenciar centenas ou até milhares de dispositivos espalhados por toda a organização ao redor do País ou até mesmo do mundo, ai a coisa fica séria já que não será possível por exemplo, atualizar fisicamente o software de um visor em locais muito remotos, ou seja, isso tem que ser feio por meio de mecanismos do tipo OTA (Over-The-Air) usando as mesmas tecnologias que as empresas usam hoje para atualizar os programas de seus parques de PC e é ai que entra o know how da Lenovo que sabe fazer isso com um pé nas costas.

E isso sem falar que a Lenovo tem condições de oferecer para a sua linha ThinkReality o mesmo nível de suporte e pós-serviço disponível para seus computadores de modo que a empresa teria condições de incluir os seus dispositivos de AR/VR no mesmo contrato de garantia/manutenção/assistência de seus desktops, notebooks e servidores da Lenovo, o que pode simplificar — e muito — a vida da empresa. 🙂

Exemplos de uso

Segundo o executivo, a Lenovo identificou vários exemplos de uso onde sua tecnologia de AR pode ser imediatamente aplicada e com um altíssimo ROI (retorno de investimento):

Uma delas é o que ele chama de Especialista Remoto (ou Remote Expert) onde um funcionário equipado com o sistema ThinkReality terá condições de realizar uma tarefa — mesmo que ele nem saiba como — porque ele será ajudado por um especialista localizado em outro local, que estará vendo as mesmas coisas que o funcionário está vendo (pelas câmeras do visor)…

…. e como suas mãos estão livres este poderá seguir as orientações do especialista que pode tanto explicar o que fazer passo-a-passo quanto compartilhar informações em tempo real o que pode ser até um tutorial apresentado no campo de visão do funcionário como se a tela estivesse flutuando na sua frente.

Sivan afirma que isso pode economizar bastante tempo e dinheiro se levarmos em consideração que, em certos casos, seria até necessário deslocar o especialista para o local da ocorrência, o que pode representar uma considerável perda de tempo e dinheiro, principalmente se ele morar em outro estado.

Isso é algo que a empresa chama de tecnologia horizontal já que muitas verticais podem tirar proveito dela.

Por exemplo, a Lenovo já está conversando com donos de grandes data centers que afirmam que erros humanos simples — como conectar um equipamento no local errado e não saber como consertar isso — pode lhes custar milhões de dólares.

Outros setores como o aeroespacial, óleo e gás, farmacêutico, cadeia de suprimentos, manufatura e automotivo também são grandes exemplos de verticais.

Assim o grupo de Sivan procura concentrar seus esforços nesses tipos de soluções, só que sua estratégia não é baseada apenas em produtos e sim sob o ponto de vista de plataforma, ou seja, uma solução integrada de hardware e software que tem como objetivo levar a tecnologia de AR e VR para seus negócios.

O interessante é que em alguns casos essas empresas dizem que este é o melhor dispositivo, mas em outros casos eles já estão trabalhando com outros produtos como HoloLens ou Realwear de modo que existe a preocupação de que a plataforma ThinkReality seja compatível com o maior número de dispositivos do mercado.

Isso permite que a solução da Lenovo seja bastante flexível já que eles enxergam a sua solução como um todo e não a nível de componente/produto, ou seja, quais são as opções que podemos oferecer ao cliente para resolver o seu problema capitalizando assim na oportunidade concluiu o executivo.

Vale a pena ressaltar que o modelo A6 é (por enquanto) o primeiro e único produto da linha ThinkReality, sendo que Sivan revelou que já existe um segundo modelo em desenvolvimento que deve ser anunciado até o fim deste ano, que não será uma segunda versão do A6 e sim um novo modelo com características diferentes.

A idéia neste caso é de ampliar a oferta de equipamentos ThinkReality ao mesmo tempo que a Lenovo está conversando com outros fabricantes de equipamentos para garantir que o maior número deles também sejam compatíveis com sua plataforma da Lenovo (entre os já certificados está o HoloLens da Microsoft).

Isso porque a empresa acredita que, como no mercado de notebooks, não existe um modelo único que atenda todas as demandas de todos os tipos de usuários, ou seja, se você é um desenvolvedor ou criador de conteúdo você vai querer uma máquina mais potente. Já se você é um alto executivo a preferência seria por uma configuração mais leve e portátil possível.

Sivan diz que não acredita que seu produto seja uma bala de prata que irá resolver todos os seus problemas. Mas ele acredita que o A6 é um grande produto, capaz de fazer o que promete mas realmente existem situações — especialmente em ambientes externos sob o sol forte — onde uma solução baseada em um microdisplay com backlight (como o Realwear embaixo) desempenhe melhor que a tela semitransparente do ThinkReality.

Este por sinal é um caso bem relevante que, com certeza, iremos suportar mesmo que nós não criemos uma solução semelhante conclui o executivo.

E o mercado de VR?

Com relação ao mercado de Realidade Virtual Sivan evitar o que ele chama de “círculo de hype” (ou “hype cicle”) não deixando de se influenciar por modismos, prestando mais atenção aos indicadores de adoção do mercado.

Ele diz que a Lenovo tem adotado cada vez mais a tecnologia de VR e a maneira com que isso tem sido feito é agregando valor de verdade para modelos de uso que sejam reais.

Para o executivo o modelo de uso que ele acha que tem o maior potencial de valor para o VR é treinamento sendo que estamos vendo cada vez mais empresas — em especial no segmento de saúde — usando VR para treinar seus profissionais, e isso sem falar no tratamento de pessoas enfermas onde o VR está sendo usado para minimizar o nível de ansiedade dos pacientes.

Outro modelo de uso que também tem um grande potencial nesse mercado é o de colaboração entre as pessoas. Ele cita como exemplo algumas conversas que eles tem tido com uma das maiores empresas de serviços do setor financeiro que afirmam que eles tem gato dois bilhões de dólares por ano só com viagens e precisam de uma solução inovadora e a resposta pode estar num espaço para encontros colaborativos o que não seria uma solução só de AR ou de VR ou até mesmo só de PC, e sim uma combinação de tudo isso ao mesmo tempo. Algo por sinal que já vemos por exemplo em filmes como Iron Man ou Avengers:

No geral, Sivan está muito entusiasmado com essas soluções porque ele quer ver a verdadeira demanda por esses produtos já que ao contrário de outros casos, isso não é “a tecnologia pela tecnologia” — para a Lenovo isso é “a tecnologia impulsionada pelos resultados comerciais e a demanda dos nossos clientes!

É isso que pensamos e é por esse caminho que iremos, conclui o executivo.

Preço e disponibilidade no Brasil

E apesar dessa inciativa ter apenas quatro meses de existência, a Lenovo já trabalha com diversos parceiros nos EUA, Ásia e Europa e o desejo é que ela também chegue em outras geografias, inclusive por aqui — já que Sivan explicou que, pelo seu ponto de vista, o ThinkReality já está disponível no Brasil.

Como a estratégia da empresa é de trabalhar primeiro com seus grandes clientes globais — sendo que muitas delas tem presença no Brasil — ele acredita que as primeiras aplicações do ThinkReality devam chegar por aqui por meio delas.

Até por causa disso, o executivo não teve condições de responder sobre o preço sugerido dessa plataforma já que como acontece com outros produtos da casa como seus computadores ThinkPad e ThinkCentre isso depende muito da negociação com a empresa e a quantidade de equipamento adquirido e isso sem falar que novos modelos de negociação podem ser adotados como licenciamento ou mesmo assinatura de uso.

Fora isso, como o ThinkReality faz parte de uma plataforma/solução, ele poderá ou não vir com o suporte de software da empresa, o que significa que nada impede que ele também possa também ser vendido como um produto e o usuário faz o que quiser com ele.

Para mais informações, visite o site da iniciativa.

Sobre o autor

Mário Nagano

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World.
Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

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