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[Computex 2012] O Windows 8 muda tudo, de novo

Com o fim da Computex 2012 neste sábado (9), hardware voltou ao centro das atenções. Por mais que a era pós-PC causada pelo iPad esteja aqui para ficar, o recado dos fabricantes na maior feira de tecnologia da Ásia é claro: com o Windows 8, o jogo muda.

Muda porque o Windows 8 é novo, e os fabricantes estão atentos a isso. Um notebook não é mais um simples notebook, um desktop não é mais uma caixa bege no canto da mesa. Híbrido é a palavra do momento.

É preciso ter uma tela sensível ao toque para usar o Windows 8 – ou reaprender a andar de bicicleta para usar com um touchpad. E nessa onda companhias como Samsung, Asus, Acer  e MSI conseguiram mostrar novos projetos: tablets que se destacam do teclado, tablets que são apenas tablets, tablets que viram e se contorcem, notebooks com tela sensível ao toque, desktops tudo-em-um que viram tablets.

Pelo menos essa primeira fase está ganha do lado da Microsoft. Seus principais parceiros de hardware desta região da Ásia (note que Lenovo não participa da Computex por ser empresa da China, e não de Taiwan) mostraram seus planos e deixaram a data de lançamento e o preço para depois.

A data para começarmos a ver esse tipo de novo computador pós-PC da Microsoft é setembro, quando o Windows 8 chega ao mercado. Além disso, é preciso levar em conta que produtos com um ou outro recurso a mais, como uma tela sensível ao toque e novos mecanismos de dobra ou destaque da base, ficam mais caros no começo.

Quando esses novos computadores chegarem às lojas, porém, tanto seus fabricantes quanto a Microsoft têm um novo problema pela frente: treinar o consumidor. Se na mudança do Windows 3.x para o 95 a troca foi radical, aqui a disrupção não será diferente. Para vender algo novo como o Windows 8, é preciso treinar o consumidor.

O botão Iniciar não existe mais, a interface Metro é linda, mas precisa de adaptação por parte do usuário (que quer tocar, tocar, tocar a tela) e a Microsoft fez um bom trabalho para deixar o sistema operacional mais leve e simples. Mas nem todo mundo vai saber mexer no novo sistema e isso pode dar dor de cabeça para a turma de Redmond.

A festa do Windows 8 é linda e divertida, porém, apenas quando se fala em modelos com a velha e boa plataforma x86, com chips Intel e AMD.Existe um bode na sala, colocado de propósito pela Microsoft, chamado Windows RT, que usa chips com a arquitetura ARM, de fabricantes como Qualcomm e Nvidia A única fabricante a anunciar que terá um produto com Windows RT foi a Asus. Demais fabricantes (Acer, Samsung, MSI) ficaram no arroz com feijão do x86, pelo menos nessa primeira fase em que a Microsoft diz que o produto, mesmo em beta, não está pronto ainda.

Reza a lenda nos corredores da Computex 2012 que a Microsoft não quis que o Windows RT fosse visto de perto pela mídia e pelos participantes da feira – tanto que Nvidia e Asus, “pais” do tablet, trancaram suas unidades em caixas de acrílico. Mas para ver o Windows RT bastava mudar de prédio e ir para a sala de demos da Qualcomm.

Hoje sua maior parceira hoje no Windows Phone, a Qualcomm tinha um modelo de referência para uso sem o menor problema. Reza a lenda também, em rumor não confirmado, que o valor da licença cobrada pelo Windows RT será maior que o do Windows 7 atual para os fabricantes de computadores. Com isso, se confirmado (e realmente espero que não), corremos o risco de ver tablets ARM com Windows mais caros do que os com x86, e isso será um tiro no pé da plataforma recém criada.

Finalmente, vale lembrar que a Microsoft também já divulgou sua política nova para atualização para o novo sistema operacional: quem comprou um PC com Windows 7 original a partir de 2 de junho de 2012 a 31 de janeiro de 2013 terá atualização para o Windows 8 Pro por R$ 29.

Vale a velha e boa recomendação: precisa de um PC novo urgente? Se sim (em caso de urgência urgentíssima!), compre agora e espere o update (e se arrependa de não ter touchscreen no seu computador). Se não, espere por setembro pelo sistema operacional e pelas novas máquinas. E prepare o bolso também.

Henrique Martin já escreveu na PC World, PC Mag, Folha de S. Paulo e criou o Zumo em 2007. Em 2011, o Zumo se transformou no ZTOP, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC. Siga-o no Twitter: @henriquemartin