ZTOP+ZUMO (tech, opinião, inteligência)

Computador de gente grande

Editor’s day 2008 — Entre os convidados internacionais do Editor’s Day aqui em trancoso, o primeiro a se apresentar foi Greg Wagnon do grupo de Enterprise Benchmark Enabling cuja principal tarefa é de dar suporte e orientação na avaliação e escolha de produtos de servidores, equipamentos também conhecidos como Big Iron, Heavy Metal ou computador de gente grande, as vezes muuuito grande por sinal.

Para quem não se lembra, o grupo de Enterprise da Intel trabalha basicamente com duas grandes famílias de produtos, a formada pelo Itanium (que vai bem obrigado) atualmente na série 9000 e o Xeon com linhas específicas para servidores de um (série 3000), dois (série 5000) e de quatro ou mais soquetes (série 7000). Os Xeon série 5000 também são utilizados em soluções de Workstations e HPCs.

Assim como os desktops e notebooks, a linha de servidores também está no limiar de um grande salto tecnológico com a chegada do Nehalem. Mas antes disso, a Intel anunciou nessa semana a chegada do último chip ainda baseado no Penryn, o processador Xeon hexa-core (6 núcleos) codinome Dunnington e que será conhecido comercialmente como série 7400. Esse chip estará disponível nas versões de até 2,66 GHz consumindo algo em torno de 50~65 watts. Ele será compatível com o soquete da plataforma Caneland (nas mãos de Greg) e poderá ser usado em configurações com até 16 soquetes totalizando alho como 96 núcleos por sistema. O preço sugerido para lote de mil peças do Xeon série 7000 pode variar de US$856 até US$ 2.729 para lote de mil peças. Mais informações aqui e depois do clique.

Entretanto, na direção oposta, ou mais exatamente na base dessa pirâmide alimentar existe um mundo à parte onde pequenas empresas ainda compram PCs para gamers para usar com servidores ou pior, usam aquele PC velho que ninguém mais usa como servidor de fax, impressão ou aquelas tarefas complicadas de internet que só o fã de Linux do departamento entende, mas que pode paralisar toda a empresa caso o equipamento — que já começou cansado — pife de vez.

Assim, uma das mensagens do grupo de Greg é exatamente promover a iniciativa que ele chama de Real Server. Servidores de pequeno porte, equipados às vezes até com um processador, mas que oferecem recursos básicos como desempenho, baixo custo e o mais importante confiabilidade. Esse tipo de produto começou a ganhar força desde o lançamento dos primeiros processadores Dual Core como o Pentium D ou Athlon 64 x2 onde sistemas de baixo custo com apenas um soquete pode começar a tirar proveito da capacidade de multiprocessamento proporcionado pelos dois núcleos.

Para ilustrar seu raciocínio, o engenheiro da Intel apresentou um interessante quadro onde a empresa relaciona as tarefas mais comuns de um servidor e, a medida que as tarefas se tornem maiores e/ou mais complexas, existe uma plataforma na medida para atender a cada demanda, com apenas uma batida de olho na tabela.

Depois da apresentação eu e o Rigues batemos um longo papo com Wagnon sobre plataformas, processadores e outras nerdices em geral. Descobrimos que, além de colecionar livros antigos, como o jornalista Heródoto Barbeiro da CBN, Greg também é dono de uma perua Kombi de mil-novecentos-e-bolinha. Segundo suas palavras, ela tem desempenho zero, manutenção barata e é muito fácil de dirigir (a não ser com o celular na orelha). ;^)

* O editor de testes do Zumo viajou para Trancoso a convite da Intel Brasil .

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.