Cinco minutos com Katherine “Dreamworks” Swanborg

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Estava eu na sala de imprensa do evento da HP ontem quando topei por acaso com Katherine Swanborg, executiva de tecnologia da DreamWorks que visita o Brasil pela primeira vez a convite da HP e que gentilmente respondeu algumas perguntas para este Zumo.

Conheci Swanborg no evento da HP no ano passado em Berlin quando ela fez uma enfática declaração afirmando que a HP salvou toda a indústria de animação por computador graças ao desenvolvimento dos monitores LCD com tecnologia DreamColor, capaz de reproduzir cores em 10 bits — na época uma novidade — mas hoje parte integrante da linha de workstations HP incluindo algumas versões móveis.

Não sei por que cargas d’agua, essa frase ficou gravada na minha memória e aproveitei a oportunidade para perguntar a ela se na época o problema na época era realmente sério. Ela respondeu que sim, já que nos primórdios da empresa todo o trabalho em computação gráfica era feito basicamente em equipamentos da Silicon Graphics e caríssimos monitores Barco. Com a revolução do PC, vieram também os monitores de tubo que, devidamente calibrados, garantiam que aquilo que os artistas viam em seus computadores seria seria o mesmo visto no cinema. A crise veio com o fim da produção dos CRTs e a ascenção monitores LCD e seu limitado gamut de cores.  A resposta encontrada junto com a HP foi o desenvolvimento de toda uma tecnologia que garantisse a fidelidade de cores durante todo o processo de produção dos filmes e que os monitores DreamColor é apenas uma parte dessa s0lução.

Quando perguntei a executiva se foi muito complicado vender esse peixe para a HP, ela disse que até que não já que a sua parceira percebeu de cara o potencial ($$$) dessa tecnologia de modo que eles toparam o desafio. Ela explicou que sob um certo ponto de vista, a DreamWorks é uma empresa relativamente pequena que trabalha no limite da tecnologia e que por causa disso é um ótimo campo de provas onde a HP pode experimentar seus novos produtos e soluções.

Ela até confessou que no passado sua empresa chegou a considerar outras parcerias tecnológicas — incluindo empresas bem grandinhas como a IBM — mas que a preferência recaiu sobre a HP devido a sua tradição de ser uma empresa que valoriza o poder da invenção e a inovação tecnológica. É um pessoal e entende mais facilmente as nossas necessidades, comenta ela.

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Outro assunto que levantei foi o grande salto tecnológico que viabilizou o desenvolvimento de novas tecnologias — cujo exemplo mais célebre é o filme Monstros versus Aliens — a primeira produção da empresa especificamente concebido para ser em 3D. Se levarmos em consideração que para obter o efeito estereoscópico é necessário renderizar dois quadros ligeiramente diferentes para cada um gerado hoje numa animação convencional, isso significa que a demanda de trabalho simplesmente aumentou em 100%!

Por causa disso, eu perguntei para Katherine que com todo esse poder de fogo proporcionado pelos novos computadores (incluindo a bombástica decisão de migrar da plataforma  AMD para Intel) o quanto isso estaria sendo direcionado na produzir efeitos visuais mais impressionantes ou produzir mais filmes em menos tempo.

Katherine explicou que sua empresa está ciente desse dilema e que procura manter uma relação balanceada entre não limitar (tecnologicamente) a criatividade dos artistas e manter um bom ritmo de produtividade, o que de um certo modo está sendo bem administrado já que a sua empresa tem a intenção de lançar algo em torno de três filmes por ano, um ritmo impressionante se levarmos em consideração que a Disney — nos tempos áureos pós-Pequena Sereia — conseguia lançar apenas um filme por ano, e isso com várias equipes trabalhando paralelamente em diversos projetos ao mesmo estágios de desenvolvimento.

Finalmente, eu perguntei se DreamWorks estaria disposta a produzir um filme especificamente em 2D se a história assim o exigisse. Ela disse que não, já que ela acredita que o 3D em computergraphics terá o mesmo impacto da chegada dos filmes em cores, ou seja, ele veio para ficar.

Ainda em tempo:

Durante sua apresentação para a imprensa, Katherine revelou que todos os sistemas utilizados na produção dos filmes da DreamWorks foram escritos e só rodam em Linux (uia!) — e isso minutos depois da apresentação da Microsoft onde o representante da empresa  jogou um monte de confete sobre o Windows 7. Para evitar uma possível saia justa, a executiva explicou depois que os notebooks da empresa (incluindo o dela) rodam com o SO de Redmond.

Sobre o autor

Mário Nagano

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World.
Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

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