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Guia de sobrevivência a uma feira de eletrônicos (versão 2013)

Milhares de expositores. Cento e cinquenta mil pessoas se estapeando por espaço, comida, transporte, quartos de hotel em uma cidade seca, fria, cheia de distrações e com seis horas de diferença a menos para o fuso horário de casa.

Fabricantes e distribuidores pedindo atenção e espaço na mídia, mas nem sempre você tem tempo (ou uma mesa na sala de imprensa) para conseguir fazer, ver e mexer em tudo que quer.

Se você achou tudo isso complicado, bem-vindo à 2013 International CES, que começa na terça-feira (8) e vai até 11 de janeiro em Las Vegas. Mas calma, do ponto de vista jornalístico, dá para sobreviver com algumas dicas. 

Para a imprensa, a CES começa um dia antes (ou… hoje!), no chamado Press Day, em um hotel de Las Vegas, com as principais empresas de tecnologia fazendo coletivas de 45 minutos cravados no relógio, sem direito a perguntas e respostas da platéia, com a presença de jornalistas do mundo todo. Que fazem filas e mais filas. Não é chegar e entrar.

Nas minhas duas últimas CES (2011 e 2012), ficou provado: se você entra na primeira do dia, às 8h (chegue às 7h para a fila e torça para conseguir sentar), não pega a coletiva seguinte. E vai para a fila da próxima que mais lhe interessar.

E outro fato curioso sobre o Press Day: a coletiva da Samsung quase sempre é a mais movimentada, quase sempre no meio da tarde. Mas se você chegar às 11h ao hotel das coletivas, já vai ver gente esperando na fila – sem almoço ou pausa para ir ao banheiro.

Internet e tomada? Só se trouxer bateria extra e um modem 3G. E sai correndo de um lado para outro – a Sony, por exemplo, sempre faz seu evento de imprensa no fim da tarde do Press Day, lá no Centro de Convenções, a alguns quilômetros. Este ano, o Press Day será no hotel Mandalay Bay, no sul de Las Vegas. O LVCC, palco da CES, fica no norte de Vegas. Boa sorte para arrumar um táxi.

Mas cobrir uma CES tem seus privilégios. O principal para a gente é ver e perto os principais lançamentos do ano em eletrônicos. Claro que tem muita porcaria, mas tem coisa legal demais. Paredes de TVs 4K? Demos de 3D sem óculos? Sistemas de som incríveis? Carros do futuro? Tudo lá, e mais um pouco. Tem umas festas também, mas entre escrever e ir a uma festa, ficamos com a primeira opção.

No meio dessa bagunça toda, vale o filtro do leitor também: ver um produto em primeira mão não significa testá-lo (e tem gente por aí que adora “olhar” algo por 5 minutos e dar um veredito final). O produto estará preso a uma mesa, vai ter gente ao redor enchendo para ver também e falta tempo com qualidade para ver e avaliar com calma. Então, fica a dica.

E quando a feira começa, os dois primeiros dias são infernais – corre para ver o mais importante e tenta ajustar sua agenda com entrevistas e reuniões marcadas desde dezembro. O problema? Muitas empresas descobriram que alugar uma suíte gigante de hotel em Vegas sai mais barato que um estande milionário na feira. Este ano temos coisas marcadas no Mandalay Bay, no Ceasar Palace, no Wynn e no Trump, só pra dar um exemplo: e haja tempo para se programar e sair andando do hotel ou do centro de convenções para chegar na hora certa. Mas vale a pena.

O que o Henrique leva na mochila para cobrir a feira?

1) Credencial para a feira, que já chegou em novembro pelo correio.

2) MacBook Air de 11″: leve, poderoso e com duração razoável de bateria.

3) Conectividade: roteador portátil da TP-Link, smartphone, modem 3G pré-pago e uma bateria extra (Eneloop) para o telefone.

4) iPod touch: para ouvir música no avião (10h até Dallas e mais 4 até Vegas).

5) Leitor de cartões e pano para limpar tela de gadgets (na feira, muita gente bota o dedão, e fica feio pra foto).

6 e 7) Kit de sobrevivência: Fitbit Ultra para medir os passos, Advil para dor de cabeça, álcool gel, soro fisiológico, colírio, protetor labial, óculos escuros (os quatro últimos para sobreviver ao clima seco de Las Vegas).

8) Câmera fotográfica Sony NEX-5 com duas lentes (22 mm e 18-55 mm) + flash + bateria extra.

9) HD externo para backups.

10) Cabos, tomadas e adaptadores – para o telefone, para o iPod, adaptador Ethernet para o Mac Air.

E o que o Nagano carrega na bolsa (e usa no pé) dele?

1. Caixa à prova d’água com canetas, lapiseiras, borracha, chaves de precisão (normal e philips), marcadores, trena, estilete, clipes, tesoura e outras coisinhas que você sempre tem a mão em casa ou no escritório, mas nem sempre em um hotel ou centro de convenções.

2. Caderno de notas: apesar de não ser tão charmoso quanto um notebook ou mesmo um tablet numa coletiva, para mim escrever em papel é rápido, ligeiro e dispensa o uso de baterias.

3. Porta-trecos principal: Esse é um modelo da Hakuba que possui compartimentos para cabos diversos, adaptadores de tomada (quem já viajou pela Europa que o diga), e até acessórios como recarregadores de baterias, blocos transformadores, HD externo, modems e  mini roteadores etc. Como ele é de tecido de nylon, ele é resistente e bastante flexível, entrando facilmente em qualquer espaço da mochila.

4. Porta-trecos secundário: Na verdade é uma mini-necessaire que ganhei num vôo da TAM que uso para guardar miudezas que precisam ficar mais a mão como cartões SD, memory keys, leitor de cartões, cabo USB mini e até um mini mouse bluetooth.

5. Subnotebook ThinkPad X61 + Ultrabase X6: Um dos menores notebooks do seu tempo que oferece o mesmo desempenho de um T61, porém em uma tela menor de 12″. A Ultrabase X6 adiciona diversas portas adicionais (incluindo mais quatro USBs, uma serial e paralela) e o mais importante: uma baia de acessórios para o gravador de DVD ou um segundo disco rígido (meu caso). Assim ele pode ser tão leve como um ultraportátil quando desejado ou versátil como um notebook de linha quando necessário.

6. Sandália Tipo-Crocs: Como na CES você anda, anda, anda, anda e anda (tanto no pavilhão quanto nos diversos hotéis onde ocorrem eventos paralelos) eu segui a dica de uma colega minha (Hi Marilu!!!) e comecei a usar uma sandália “tipo-Crocs” o que torna a caminhada bem mais agradável durante o dia todo (se não estiver chovendo, é claro). Fora isso, ela também serve como chinelo nas horas de folga e é o calçado ideal para viagens de avião já que ela é fácil de ser retirada durante a revista do raio-X e não aperta o calo durante os longos vôos internacionais.

7. Pastilhas mentoladas: Ajudam a passar o tempo durante o dia e é uma ótima maneira de quebrar o gelo entre colegas jornalistas e os representantes da indústria.

8. Pilhas e baterias: Depois de o concierge de um hotel em Santa Clara me disse para pegar um trenzinho e ir até o shopping center da cidade vizinha para comprar duas míseras pilhas AAA, eu sempre ando com algumas delas (na verdade, muitas) em suportes de plástico de diversos tipos e capacidades. De fato já me barraram no raio-X por que confundiram um desses com um pente de munição.

9. Gravador digital: Esquecido do jeito que sou, sempre usei gravador nesses eventos. Primeiro um modelo de fita cassete, depois um voice recorder digital da Olympus. Mas depois de me encher de ouvir “grafafões fofalmente fufidas”  eu parti para um Tascam DR-40, um modelo relativamente em conta se comparado com o Olympus LS-10 “Mickey Mouse” mais voltado para gravar músicas ao vivo e é capaz de armazenar dezenas de horas de áudio em WAV, WMA e até MP3. Agora entendo tudo — inclusive os palavrões.

10. Câmera digital: Atualmente uso uma Olypus OM-D EM5. Uma DSLM leve, compacta e que aceita um módulo de bateria extra, o que permite trabalhar o dia todo longe da tomada.

11. Smartphone: Imprescindível para trocar mensagens e marcar encontros, entrevistas e pedir socorro para os assessores de imprensa — um pessoal que, por sinal que também trabalha duro nesses eventos.

12. Tablet de 8,3″: É a primeira vez que vou com um desses num evento. A idéia é de usá-lo para consultar informações, trocar emails e carregar menos peso.

13. Kit de limpeza: Como o Henrique disse acima, em produto exposto todo mundo mete a mão e literalmente deixa suas marcas e impressões  no mesmo (argh!!!). O pior é que muita dessa sujeira você só nota quando você está de pijamas no aconchego do seu quarto de hotel de noite/madrugada e abre a imagem no Photoshop (argh! argh! argh!).

14. Porta cartões: Costumo carregá-lo num daqueles porta documentos de viagem que a gente pendura no pescoço junto com o passaporte, gravador e canetas — o que facilita em muito o seu trabalho, principalmente quando você está falando com alguém de pé no meio da feira.

15. Combinação de filtro de linha + régua de tomada + fonte de energia com porta USB: Essa é uma dica que aprendi com Genevieve Bell, antropóloga e diretora do grupo de Pesquisa em Interação e Experiência da Intel. Em vez de ficar disputando no tapa uma tomada livre na sala de imprensa, cofee shop ou no aeroporto, nada melhor que uma régua de tomadas para compartilhá-la com seus gadgets ou mesmo de outras pessoas.

16. Canivete de acampamento: Além da tradicional lâmina de corte, abridor de latas/garrafa e saca-rolhas, essa engenhoca também vêm com um pequeno garfo e colher (destacáveis) o que quebra um tremendo galho. Quem já tentou abrir um saco de salgadinhos na dentada, cortar um blister de algum produto da Microsoft, dividir um sanduba do Subway e/ou comer um copinho de sorvete no quarto do hotel (e esqueceu de pegar a pazinha) sabe do que estou falando. >;-)

Chegamos hoje à tarde em Vegas e à noite começa nossa transmissão direto da Sin City. Fiquem ligados!

 

Henrique Martin já escreveu na PC World, PC Mag, Folha de S. Paulo e criou o Zumo em 2007. Em 2011, o Zumo se transformou no ZTOP, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC. Siga-o no Twitter: @henriquemartin