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CES 2011: Sai da frente que aí vem o Sandy Bridge!

Já passou das 16:00 aqui na Zumo-caverna, o que significa que  a coletiva da Intel para anunciar oficialmente os novos processadores Intel Core I3/i5/i7 Sandy Bridge acabou de começar. Para contextualizar melhor o lançamento, fiz um apanhado das principais informações que recebi até hoje (algumas sob cláusula de não-divulgação), além de dar uma prévia de nosso review dessa plataforma.

Veja também nosso review completo da placa-mãe Asus P8H67-M EVO + Sandy Bridge.

Para quem ainda não foi apresentado, o Sandy Bridge (aparentemente uma localidade no estado da Carolina do Norte) é o nome-código da nova geração de processadores que sucede a atual microarquitetura Westmere — conhecida comercialmente como Core ix— e que foi o segundo chip da casa ao montar a aceleradora gráfica ao lado do núcleo do processador.  Só que no Sandy Bridge, a Intel deu mais um passo adiante integrando a GPU ao núcleo do processador:

Isso porque, segundo o calendário tiquetaqueano da Intel, estamos num ano Tock o que determina a introdução de uma nova microarquitetura que será seguida por uma atualização/encolhimento do processo de fabricação de 32 para 22 nanômetros (o início do ano Tick) que deve começar a ser falado em meados deste ano com o anúncio do Ivy Bridge.

 

Mais do que simplesmente juntar duas peças na mesma pastilha de silício, o Sandy Bridge traz diversas novidades na sua microarquitetura, como melhorias no seu sistema Turbo Boost, novo set de instruções AVX (que contará com suporte do Windows 7 já no próximo Service Pack 1), suporte nativo para SATA6 Gb/s, etc.

A nova versão do Turbo Boost lembra um pouco o sistema KERS da F1 que acumula energia nos momentos em que o processador está mais folgado e depeja tudo no sistema quando necessário, proporcionando assim um pique a mais por alguns instantes quando necessário. Uma demonstração desse sistema pode ser encontrada aqui.

Do lado da GPU a nova aceleradora integrada irá oferecer suporte mais avançado para processamento, transferência e reprodução de áudio e vídeo em HD, suporte para reprodução de blu-ray 3D e uma nova versão do Intel Wireless Display apresentada no CES do ano passado. Fora isso a nova aceleradora gráfica integrada oferece suporte nativo para DisplayPort e HDMI 1.4, duas saídas de vídeo independente

Zumo in a Box:

Sandy Bridge é bom para jogar?

Depois de queimar vários dedos ao tocar nesse assunto, a Intel desta vez está sendo bastante cautelosa ao responder essa pergunta. Se comparado com seus antecessores, o suporte para 3D melhorou — e muito — mas a Intel deixa muito claro que seu novo chip irá oferecer uma ótima experiência de uso nos chamados jogos casuais e mainstream (que diabo seja isso). Nos diversos anúncios e apresentações notamos a ausência de termos como high-end, extreme ou kickass performance graphics in gamming.

Conversando com diversos executivos e engenheiros da Intel em diversas oportunidades, o que fica claro é que a Intel resolveu investir suas fichas em outros segmentos da computação visual, em especial o processamento de mídia e reprodução de efeitos especiais na tela (como o Windows Aero ou o OS X Cocoa) e vídeos em alta definição, o que na prática atende a um público muito maior do que os chamados hardcore gamers que, apesar de barulhentos, não representam mais do que 5% do universo de usuários de PCs.

Pelo que já vi de demos de jogos com Sandy Bridge até que ele roda bem (mas não de maneira excepcional) em jogos até que bem recentes o que reforça a minha suspeita de que o pessoal de Santa Clara desta vez quer pecar pela falta de entusiasmo do que pelo exagero, mas isso só o tempo dirá.

Para mim um dos recursos mais curiosos do Sandy Bridge está no seu barramento interno na forma de anel que interconecta os principais componentes do processador como os núcleos, memória cache e GPU.

 

E o mais interessante é que essa solução é bastante flexível, permitindo a criação de chips com mais ou menos nucleos simplesmente adicionando ou retirando-os do barramento. Note que como no Westmere, o recurso de HT poderá ou não ser implementado permindo assim diveras opções de cores/threads como 2/4, 4/4 e 4/8. Interessante notar que por enquanto a Intel ainda não cita uma versão de dois núcleos com dois threads o que pode estar sendo guardado para um futuro Pentium de entrada — ou mesmo um Celeron? — baseado no Sandy Bridge.

Um detalhe importante que já foi divulgado pela Intel é que o Sandy Bridge será conhecido comercialmente como (surpresa! surpresa!) — Core i3 / i5 / i7 — e para minimizar a possibilidade de que eles sejam confundidos com os atuais modelos baseados no Westmere a empresa reformulou o logotipo dessa nova linha  transformando o canto colorido amarelo (que simula os componentes do núcleo de processamento) do logo antigo para uma espécie de faixa que agora passa pelo centro do novo logo:

Segundo o site de tecnologia TechEye, os primeiros modelos para desktop a chegarem ao mercado são as seguintes:

E com esses novos parâmetros de desempenho e consumo de energia, a Intel também irá começar a promover novos padrões de formato que poderão fugir um pouco no ATX nosso de todo dia.

De fato durante o último IDF 2010 de São Francisco topamos com diversos protótipos de placas-mãe no formato mini-ITX inclusive da própria Intel como o modelo abaixo:

O que inclui novos coolers de baixa altura para chips com  TDP de 65/95 watts (a esquerda) e 35/45 watts (a direita):

 

Quando perguntamos para a Intel por que tanto interesse no Mini-ITX, eles explicaram que a exemplo do que já fez aquela empresa com nome de fruta, um padrão de formato que tende a crescer no mercado é o dos chamados modelos all-in-one que mais parecem monitores LCD com um PC embutido nas costas. O pessoal de Santa Clara acredita que esse produto ainda não decolou de vez devido a complexidade do seu projeto e no custo de seus componentes — já que muitos utilizam tecnologias de notebooks nessas máquinas — assim o que a empresa propõe seria o estabelecimento de uma plataforma padronizada (e consequentemente mais em conta para ser produzido) para os All-in-one do mesmo modo que existe hoje para o ATX.

Esse assunto já foi abordado por nós em um post passado.

 

 

E o desempenho, como fica?

Durante o último IDF 2010 tivemos a oportunidade de ter uma reunião com um velho conhecido e chapa deste Zumo — David Salvator — evangelista do grupo de Worldwide Client Capability in the Performance Benchmarks & Competitive Analysis da Intel que nos mostrou alguns números preliminares de testes de desempenho realizados internamente pela própria Intel.

No primeiro exemplo abaixo é mostrado uma comparação entre o atual Core i7 870 quadcore de 2,8 GHz (máx. 3,46 GHz) e um Sandy Bridge quad-core para desktops em aplicações de processamento intensivo. O que esse gráfico mostra é que o novo chip apresentou um ganho de desempenho de 17% a 33% dependendo da aplicação utilizada.

Já nesse caso é apresentado uma comparação entre um Core i7 840QM quadcore de 1,86 GHz (máx 3,2 GHz) para notebooks e uma versão móvel do Sandy Bridge nas mesmas condições acima. Nesse caso os números são bem mais interessantes apresentando ganhos de 45% a 60% para o novo modelo.

No geral, esses números costumam ser vistos com uma certa desconfiança pela mídia — em especial pela maneira com que esses gráficos são apresentados — já que uma mexida numa escala aqui ou num eixo ali pode mudar completamente a percepção de uma informação (maximizando certos fatos e minimizando outros) em especial de um público menos atento — e tudo isso sem ter que mexer nos números!

Mas antes de torcer o nariz para esses resultados, eu acredito que o trabalho desse grupo é sério — já que o principal interessado em saber a verdade nua e crua é a própria Intel — e no último caso, elas servem como uma referência do que podemos esperar dos reviews independentes. E cá entre nós ainda estou pra ver alguma empresa falar mau de seu próprio filhote, principalmente para alguém de fora.

De qualquer modo tivemos o privilégio de ter acesso à um processador Sandy Bridge + placa-mãe compatível. O chip é uma versão de engenharia do modelo Core i5 2500k que está à direita de um Core 2 Duo “Penryn”:

Desde o final do ano passado e nos testes realizados aqui na Zumo-caverna, o novo chip da Intel nos parece ser um produto muuuito interessante em especial no seu desempenho em vídeo.

Veja por exemplo, um teste de reprodução em 1080p da introdução do documentário “From Pole to Pole” rodando no Media Player Classic Home Cinema. Ele é um excelente video que costuma engasgar em muita aceleradora gráfica on-board e até algumas off-board.

Note que o baixíssimo nível de uso do processador nessa aplicação, mal ultrapassano a faixa dos 20%.

Link do vídeo

Para mim isso já seria um bom sinal de como melhorou a capacidade de processamento gráfico do Sandy Bridge, mas o que me chamou a atenção foi que na reprodução de vídeos em MP4 no formato full HD no Windows Media Player o consumo de recursos de processador foi menor ainda, chegando a ficar em zero% !

Link do video

Ai eu fiquei realmente encafifado com esse comportamento, e resolvi chutar o balde. O que fiz embaixo foi reproduzir o trailer oficial #2 do filme Star Trek (um .mov  HD) disponível na web e botei ele pra tocar no Windows Media Player. Note que a barra de desempenho do gerenciador de tarefas fica em 0%!

Feito isso eu ativei o Prime95 um notório programa para estressar o processador e sistema de memória do PC e rodei o modo Torture Test com o vídeo rodando ao fundo. Note que a barra do processador bate os 100% e o vídeo continua rodando numa boa como se nada tivesse acontecido.

Link do vídeo

Ainda estou tentando entender esse comportamento, de qualquer modo veja o review completo do Sandy Bridge + placa mãe ASUS P8H67-M EVO em breve aqui no Zumo.

 

Fiquem ligados.

Ainda em tempo:

Encafifado com o desempenho do Sandy Bridge com reprodução de vídeo eu resolvi pedir ajuda para os universitários e mandei um email pro Dave Salvator pedindo ajuda para entender esse comportamento e, em pouco tempo veio a resposta:

Oi Mário,

O seu resultado está certo. O Sandy Bridge tem dois processadores para tomar conta do playback do video. É por isso que voce está vendo que a utilização é quase zero.

Mais legal ainda é que você pode fazer uma conversão do video usando quick sync video e você vai ver que a utilização será de ~10% durante a execução, deixando mais recursos disponiveis para fazer outras coisas.

Tem também uma outra tecnologia saindo da LucidLogix que deixa você usar uma placa 3D com Sandy Bridge HD Graphics e ter as capabilidades do QSV juntas com uma placa high-end de DX11 seja ela da ATI ou da nvidia.

Vai entrar no beta no final do mês.

A gente se fala em breve.

Abracos,

Dave

 

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

  • Matheus 05/01/2011, 16:18

    E eu aqui, com meu bom e velho Core 2 Duo 2.53GHz. Parabéns pela matéria, apenas o último vídeo não funfou.

  • Higuetari 05/01/2011, 16:29

    Mário, o último vídeo aparece como privado, sendo necessário um convite para assisti-lo.

    Bom, pelos outros vídeos deu pra notar que a mudança de foco para execução de vídeos em alta definição valeu a pena hein? E o avanço nos portáteis parece muito mais palpável, então que venham os vários modelos dotados desses chips!

  • TIGOS 05/01/2011, 16:43

    Arruma o ultimo video que ta como privado

  • rubens 05/01/2011, 17:18

    A parte do vídeo não engasgar se deve ao fato da IGP cuidar de quase todos os passos do processamento do vídeo.
    O sistema que gerencia processos no Windows pode cuidar do resto.

    A parte do "acúmulo" de energia (KERS, não KARS) é mais relacionado ao tempo que demora para a energia extra consumida se transformar em calor. por isso ele sobe mais a frequência, com um pico de alguns instantes até que a energia dissipada se aproxime do TDP (quando o "degrau" já estabilizou).
    É claro que é absurdamente mais complexo que isso, mas eles não parecem muito dispostos a comaprtilhar a receita/conta.

    A nomenclatura não para de piorar, até a nvidia melhorou (pouco) nesse sentido.
    Pelo menos as opções em termos de chipsets foram simplificadas. (ainda que isso não tenha impedido alguns fabricantes de anunciar 43 modelos diferentes com os dois chipsets :p)

  • Anderson Costa 05/01/2011, 22:32

    Já tive a oportunidade de ver essa nova geração em ação, é realmente empolgante. Mas o que me chamou atenção nessas oportunidades foi a "reinvenção da roda" que a Intel fez com barramento "O" Ring.

    A ATI usava em seus GPUs um barramento com o mesmo arranjo e nome, se não me engano, a partir da série X800. A AMD até utilizou por algum tempo após a aquisição da ATI, mas optou por "abandoná-lo" em favor do Hypertransport, o que em teoria, faz o sistema como um todo "conversar" bem mehor, sem os entraves naturais das "traduções" entre barramentos.

    Deixando esses detalhes de lado, realmente a geração Sandy Bridge promete e muito e tem tudo para não decepcionar (a não ser que a Intel decida "afiar a faca" para fincar mais fundo)

  • @oGabsPorto 06/01/2011, 01:34

    Pessoal, nada de uma materiazinha sobre o Fusion? ahco que em termos de GPU a AMD vai dar uma lavada na Intel…

    • mnagano 06/01/2011, 06:16

      Sim sim… Só espero que nessa CES, a AMD tenha alguma demo de desktop Hi-end com Fusion no stand deles dando a tal lavada na Intel.

      O jô vai estar lá pra conferir.