CategoriaCES 2012

Qualcomm Halo: recarga para carro elétrico sem fios

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Da série “grandes problemas que procuram uma solução”, a turma da Qualcomm Halo (subsidiária da Qualcomm) mostrou na CES 2012 sua solução de recarga para veículos elétricos sem a necessidade de usar fios. Basta colocar o veículo sobre a plataforma na garagem.

A tecnologia, chamada Wireless Electric Vehicle Charging (WEVC), funciona com carros elétricos e também com híbridos. A tecnologia usa ressonância indução magnética para transferir energia da base (abaixo) para a unidade ligada ao veículo. Diz a Qualcomm Halo (a mesma do processador Snapdragon que move os Windows Phones e diversos outros smartphones e que comprou a inglesa Halo IPT no final de 2011) que o produto é mais fácil de usar que um carregador convencional, com o uso de cabos de energia (e, por que não, feios…).

O “carro” com sua base em recarga. Uma fonte de energia ligada à base gerencia a recarga e comunicações com o veículo. Segundo a fabricante, a margem de erro do veículo para a base pode ser de até 20 centímetros para os lados – a eficiência do sistema, em comparação com um modo de recarga convencional, atinge 97%, contra 90% da “bomba de energia” (como a que vimos no Posto do Futuro).

A Qualcomm diz que o WEVC ainda é um protótipo e que testes serão feitos este ano com 50 veículos elétricos em Londres. E que terão “preços competitivos” quando a solução for lançada comercialmente. Me lembrou uma tecnologia de recarga sem fios que vi algum tempo atrás.

PixelOptics emPower: o fim da lente de grau nos óculos?

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Num dos inúmeros eventos paralelos de imprensa da CES 2012, trombei com o pessoal da PixelOptics e seus óculos emPower! A ideia é genial: substitua a lente de grau por um vidro com cobertura de LCD e um circuito eletrônico e tenha como resultado um par de óculos que ajusta o foco sozinho.

Na prática, é uma nova geração de óculos bifocais (ou de leitura) para uma audiência pós-40 anos.

Ao olhar para cima (no modo de visão geral, digamos), ele foca no ambiente e desliga o LCD. Ao olhar para baixo (onde estaria um livro, jornal, revista, computador, em uma “zona de leitura eletrônica”), o grau se ajusta sozinho e liga o LCD. Se quiser desligar o foco automático, basta desligar na lateral da haste.

As hastes dos óculos têm espaço para o chip, acelerômetro e baterias recarregáveis em miniatura. A base serve para recarregar a bateria.

Dizem os fabricantes que a tecnologia está disponível para mais de 36 tipos de armação. A carga da bateria dura de dois a três dias.

emPower pode ser comprado nos EUA apenas com receita médica – e o preço sugerido não foi divulgado.

Intel: Atom “Medfeld” não é restrito a Android

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Durante a CES 2012, participei de uma mesa-redonda com Dave Whalen , vice-presidente do grupo de arquitetura da Intel, que falou sobre o lançamento do seu system-on-a-chip x86 de quarta geração — codinome Medfield — e o seu potencial de uso no mercado de smartphones, tablets ou o que der na telha dos fabricantes.

Whalen explicou que esse primeiro processador —  mais exatamente um SOC (System On a Chip) — usado no desenho de referência da Intel (hands-on aqui) — utiliza um núcleo x86 single-core de 1,6 GHz com tecnologia HT (de Hyper Threading, que emula dois chips lógicos) e que atualmente roda o Android 2.3 “Gingerbread”. Entretanto, a Intel deve portar o Android 4.0 o mais cedo possível.

E por que o Medifield não é dual-core? Whalen explica que, por enquanto ele não acha necessário já que eles conseguiram resultados muito bons só com o uso da tecnologia HT, além do fato de um chip single core consumir menos energia que um dual core. Assim, ele acredita que seu chip seja tão bom (se não melhor) que seus concorrentes com dois núcleos em termos de alto desempenho x consumo de bateria. Apesar disso, ele não descarta a possibilidade de introduzir uma versão dual-core com HT se esse for o desejo dos seus clientes.

Com relação ao público-alvo desse produto, inicialmente o Medfield será direcionado para o mercado de smartphones topo de linha. Entretanto, o executivo reconhece que para esse produto ser bem sucedido ele precisa ganhar escala, e isso pode ocorrer de três modos: primeiro, com suporte a diversos sistemas operacionais; segundo, poder ser usado em diversas geografias (o que significa o suporte para diferentes tipos de redes como LTE, CDMA etc. ) e finalmente, poder oferecer o produto em diferentes faixas de preço.

Apesar de ainda não ter divulgado ao público, a Intel afirma já possuir um roadmap com uma linha de produtos capaz de atender a esses três quesitos.

Entre as primeiras fabricantes que já anunciaram que irão adotar o Medfield estão a Motorola, que irá lançar diversos tablets e smartphones (sendo que o primeiro deles deve chegar ao mercado no segundo semestre de 2012) e a Lenovo que deve introduzir seu primeiro smartphone K800 ainda neste primeiro semestre mas apenas no mercado chinês.

Fora isso, outros fabricantes esperam na fila para conversar sobre esse produto, mas nada que possa ser divulgado nesse exato momento. Entretanto, novos anúncios podem ocorrer durante o próximo Mobile World Congress, no fim de fevereiro.

E por que optar por um sistema com Atom Medfield em vez de ARM? Whalen enxerga duas vantagens: a primeira é do lado tecnológico e a segunda o que ele chama de “paz de espírito”. Ele explica que a Intel está entre as marcas mais famosas do mundo e sua tecnologia está bem entrelaçada nos diversos aspectos da nossa vida digital e que agora também chega ao mundo móvel.

Assim, a Intel não enxerga os smartphones como um produto isolado e sim parte de um grande ecossistema que o usuário já está familiarizado de modo que ele pode comprar seu smartphone com Intel sem medo. Já sob o ponto de vista tecnológico, o consumidor pode contar com todo o poder de pesquisa e desenvolvimento da maior empresa de semicondutores do planeta para fazer as coisas melhores ou pelo menos um pouco diferente da concorrência.

Com relação ao suporte de sistema operacional, Whalen disse que inicialmente o Medfield seria totalmente focado no Android, já que ele é o SO para smartphone mais popular e disponível no mercado e a Intel tinha a determinação de disponibilizar a sua plataforma o mais cedo possível. E agora que essa meta foi alcançada, é possível dedicar mais tempo em outras oportunidades do mercado, o que inclui oferecer o Medfield para outros sistemas como Windows 8, Tizen e até mesmo o iOS da Apple, empresa com quem já estão conversando (uia!).

Henrique comenta: ao citar a Apple ele jogou verde. A Apple desenvolve seus chips ARM usados em iPads e iPhones (alguém lembra que eles compraram a PA Semi?) e que, brigas por design à parte, são fabricados pela Samsung. Migrar a plataforma de ARM para x86 agora não tem muito sentido não – ecossistema de apps, certo?. 

Nagano comenta: Para mim acho que é tudo uma questão de custo x benefício já que caso o Medfield seja realmente tão bom quando a Intel afirma ser, acho que nada impede que a Apple faça a mesma coisa que fez no passado quando migrou dos chips PowerPC para x86 na sua plataforma Mac. Fora isso, como a Apple já é uma grande cliente da Intel de modo que acredito que o pessoal de Cupertino poderia até ter acesso ao Medfield em condições bem interessantes, o que também resolveria o atual dilema de depender de um fornecedor de chips coreano que por sinal é o mesmo com quem ela está brigando na justiça.

Até hoje o Medfield — ou mais exatamente o Atom em celulares — era muito disse-que-disse. Agora que ele finalmente chegou ao mercado teremos condições de ver o que esse chip é realmente capaz de fazer. E se ele for realmente bom, pode até virar o jogo em favor do pessoal de Santa Clara, como já aconteceu no passado quando eles deram fim do Pentium 4 e introduziram a família Core — é esperar para ver. 🙂

Sobre o suporte para o desenvolvimento de aplicações, a Intel diz que a grande maioria dos apps disponíveis nos Android Market foram escritos numa linguagem do tipo Java (que roda numa VM chamada Dalvik), de modo que elas irão rodar sem problema em qualquer sistema com ARM ou Medfield, desde que ela disponha dos arquivos de runtime corretos.

Já uma minoria (~20% das aplicações), em especial jogos, possuem partes do seu código compilados para rodar especificamente em chips ARM (via NDK) de modo a melhorar o seu desempenho (como o editor de fotos Snapseed, por exemplo). Nesse caso, a Intel pretende oferecer todo o suporte possível para que os desenvolvedores possam otimizar suas aplicações para que eles rodem bem em qualquer plataforma, independente de ela ser ARM ou x86.

Quando questionado por que a Intel demorou tanto para lançar um chip móvel, Whalen disse que para ele não foi muito tempo já que pegou esse projeto no ano passado. Mas a resposta correta é que primeiro não é uma tarefa fácil e segundo a Intel teve a preocupação de fazer a coisa direito o que é uma complexa combinação de fatores que envolve timing, disponibilidade de pessoas e foco nos objetivos.

Henrique comenta: Vale lembrar que a Intel sua unidade de chips móveis (baseados em ARM) em 2006 para a Marvell. E a concorrência movida a ARM está animada com o fato de a Microsoft tornar o Windows 8 compatível com essa arquitetura.

 

 

[CASA ZTOP] Belkin WeMo controla a casa pelo iPhone

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Na CES 2012, a Belkin mostrou sua nova linha WeMo para automação residencial. O mais legal aqui é que não será preciso investir um caminhão de dinheiro para tornar a casa automatizada com um fornecedor único: basta ter um adaptador de tomada e um sensor de movimentos e uma rede sem fios funcionando no local. Tudo será comandado por um aplicativo no smartphone (inicialmente, só para iOS).

[leia o resto na CASA ZTOP]

 

Entrevista: 20 minutos com o pai do ThinkPad

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Antes da empresa com nome de fruta catapultar Jonathan Ive para o panteão dos designers industriais, outra pessoa já estava por lá encantando corações e mentes no mundo inteiro (incluindo este que vos escreve). Seu nome é David Hill, atual vice-presidente do grupo de Identidade Corporativa e Design Guru da Lenovo. Ex-IBM, sua carreira está fortemente  associada ao ThinkPad — que ele ajudou a criar há quase vinte anos — e cujo design ele continua a aperfeiçoar ano após ano.

Seguidor das idéias de Dieter Rams, Hill é dono de um forte senso estético que valoriza a sinergia entre forma e função, o valor de um recurso determinado pela sua utilidade e atualmente é usuário de um ThinkPad X1 por motivos óbvios. Durante a CES 2012 tive a oportunidade de participar de uma mesa redonda com o executivo para falar sobre o seu trabalho. A seguir, o os principais trechos da conversa:

Os computadores estão evoluindo para se tornar cada vez mais leves,  finos e com melhor autonomia de bateria.  Como ficam o ThinkPad nessa tendência?

David Hill – Oh, estamos claramente indo para essa mesma direção, tornando nossos produtos mais leves, finos, com baterias melhores, etc. além de introduzir inovações como no novo X-1 (Hybrid) que pode carregar dois sistemas operacionais diferentes — o que eu acho ser uma idéia fantástica. Estamos sempre refinando o design do ThinkPad, assim como de outros produtos para serem cada vez mais estilosos, ao mesmo tempo que procuramos simplificar sua experiência de uso.  Assim acreditamos que estamos bem alinhados com essas tendências de mercado, para não dizer que estamos liderando algumas delas.

E quais são as características que realmente definem um ThinkPad? Quais as coisas que realmente nunca irão mudar?

Coisas que nunca irão mudar? Creio que é muito difícil imaginar um um ThinkPad que não esteja disponível na cor preta, que é um elemento central da percepção do produto. Isso não significa que não iremos oferecer outras cores — o que já fazemos — e não vejo problemas nisso. Faço aqui uma analogia com o Porsche 911você pode pode comprar esse carro em diversas cores, mas acredito que eles nunca deixarão de oferecer uma versão na cor preta, que é a cor do poder, da sofisticação e que possui diversas qualidades que transcendem o tempo.

ThinkPad 700 (1992)

Outro elemento importante é o seu design simples. Durante anos os ThinkPads são donos de um estilo único que quando fechados são na sua essência uma forma — uma caixa preta e que só se revela quando aberta. A impressão que tenho é que alguns de meus competidores têm um cara que desenha a parte inferior, outro que desenha a parte de cima e que uma vez por ano se reúnem no departamento de articulação das telas. Aí eles juntam as duas partes e dizem: “Uia… até que não ficou ruim né?” (risos). Nós procuramos manter uma visão holística do produto que procura passar essa impressão de simplicidade quando fechado e de grande excitação e interesse quando aberto.

Nagano comenta: Reza a lenda que essa analogia da caixa preta com algo surpreeendente dentro vem do bentô, uma tradicional caixa de lanche japonesa que foi a inspiração do primeiro ThinkPad (mais sobre isso aqui).

Também existe o TrackPoint — aquele pequeno botão vermelho no teclado — cuja assinatura visual expandimos ainda mais para outras linhas de produtos como, por exemplo, no ThinkPad Edge, onde o pingo do “i” do logo acende quanto ele está ligado. E isso não é apenas propaganda gratuita ou um indicador de estado, e sim uma maneira de chamar a atenção das pessoas para a marca. Assim essa combinação de tons de preto com uma pitada de vermelho é outro elemento fundamental de nosso design.

Finalmente, temos a preocupação de que tudo aquilo que implementamos tem algum propósito e que não é algo frívolo, como, por exemplo, calça boca de sino, que entra e sai de moda. Trata-se de um compromisso de longo prazo cujo objetivo é de ter certeza de qualquer mudança que fizermos no Thinkpad é sempre para melhorá-lo de algum modo, tanto sob o ponto de vista da sua usabilidade, no seu visual ou até mesmo para torná-lo mais atraente para um novo público-alvo que possui desejos diferentes.

Qual a sua opinião sobre os Ultrabooks?

Existem muitas coisas que eu gosto nos Ultrabooks, em especial no esforço de torná-los leves e finos o que é um desejo universal dos consumidores. De fato, eu nunca ouvi de nenhum usuário o pedido de que nós voltássemos a fazer o ThinkPad mais volumoso, pesado e menos performático. Nos últimos vinte anos, o que temos ouvido de nossos clientes é que eles sempre querem produtos mais finos, velozes, com maior autonomia de bateria e mais em conta, de modo que os Ultrabooks seguem bem esse caminho. Eu acho que a Lenovo foi a pioneira nesse segmento com o lançamento do ThinkPad X300 — na minha opinião um produto que abriu caminho para muitas inovações que hoje vemos nos Ultrabooks. De fato o X300 foi uma importante declaração para o mercado de que a Lenovo era capaz de criar um ThinkPad totalmente novo e até bem melhor que a IBM. E acho que conseguimos.  

ThinkPad X300 (2008)

Na biografia de Steve Jobs existe um trecho que diz que as pessoas não sabem o que querem até mostrarmos a elas. Você concorda com ele?

Acredito que existe um pouco de verdade nisso, porque as pessoas no geral gostam daquilo que estão familiarizadas e tirá-las dessa zona de conforto pode gerar alguns dilemas.  E isso não ocorre apenas em computadores, mas também em outras áreas como arquitetura, mobiliário, roupas etc. No geral, as pessoas se sentem um pouco desconfortáveis quando deparam com coisas que poderíamos chamar de avant garde (de vanguarda), mas isso não significa que devemos direcionar nossos objetivos para “a média” já que, ao fazer isso, não acredito que chegaremos a algo interessante tanto sob o ponto de vista de design e até mesmo da empresa. Interessante notar que nesse livro o ThinkPad é citado mais de uma vez, o que eu acho bem legal. De fato, Richard Sapper (um dos idealizadores do ThinkPad) é citado nominalmente nessa biografia e se divertiu muito ao saber que ele foi considerado para ser contratado como consultor de design da Apple (por mais estranho que isso possa parecer)… o que tomo como uma espécie de elogio (risos).

E de onde vêm as suas idéias?

Elas podem vir de qualquer lugar. Pode vir de uma pesquisa de mercado, pode vir de um cara que sentou ao seu lado no avião, pode vir de uma pilha de ferro velho ou mesmo de uma cafeteira antiga cujo criador pensou numa maneira mais criativa de abri-la. Ela pode vir até da sua mãe, como foi o meu caso quando a minha reclamou de um botão que ela não gostou de um produto que criei, achei que ela tinha razão e consertei.

Existe a impressão de que a Lenovo parece estar sempre um pouco atrasada nos seus lançamentos, como foi no passado com os netbooks e mais recentemente nos tablets e smartphones. Como você responde a isso?

Eu acho que muito disso tem a ver com nosso desejo de fazer  as coisas direito. Temos a tendência de olhar antes de pular ou seja, olhamos para o mercado, conversamos com nossos clientes e tentamos ter certeza de que estamos entrando no mercado com uma solução superior. É fato que o ThinkPad não foi o primeiro notebook, mas quando ele foi lançado ele era o melhor. Mesmo hoje se você acha um (ThinkPad) 700c e tecla algo nele, você fica impressionado com a sua maciez, e isso sem falar na sua tela em cores e seu dispositivo apontador.  Assim temos esse desejo no nosso DNA de fazer as coisas certo e mostrar para o mercado que fizemos um grande trabalho.

ThinkPad 700 (1992)

Para mim o notebook é um dos poucos objetos na área de TI que chamaria de evolutivo:  por mais que a indústria já brincou no passado com o seu design, parece que acabamos hoje sempre com o mesmo projeto básico: modelos leves e finos com grandes telas, teclado na base e touchpad na área de descanso. A Lenovo tem meios de quebrar esse paradigma ou este é o desenho final e definitivo?

Eu acho que existem certas categorias de produtos que com o passar do tempo alcança um certo grau de maturidade. Um bom exemplo é a bicicleta, cuja estrutura básica é bem aquilo e você não vai ver por aí novos desenhos, como havia no passado. Outro exemplo são as tesouras. Todas elas sob o ponto de vista da sua forma é praticamente a mesma coisa. Existem outras maneiras de cortar coisas? Sim, mas esse é o formato consagrado. Eu li em algum lugar que perguntaram para o baixista da banda de Johnny Cash porque todas as suas músicas tinham sempre a mesma batida de fundo. Ele respondeu que ‘enquanto todos ainda procuram seu ritmo ideal, eu já encontrei’. Eu pensei — esse cara é um gênio! — já que para que tentar criar um novo ritmo se eu descobri o melhor? Assim alguns designs simplesmente estão tão maduros e consolidados que não vale a pena zerar tudo e começar de novo (risos). Mas isso não significa que não procuramos por novidades — e estamos fazendo isso! — como novas maneiras de usar a tecnologia e os computadores e atender aos novos desejos que as pessoas têm e que muda com o passar do tempo.

Você se considera um bom artista ou um técnico esperto?

Acho que um designer é uma combinação dessas duas qualidades. Eles possuem um lado técnico e artístico e o pulo do gato nesse caso é saber misturar essas qualidades para conseguir criar algo que seja realista, possa ser produzido em massa e que atenda aos desejos de um público amplo. Isso é arte? Isso é engenharia? Difícil dizer, já que esse trabalho ultrapassa diversos limites.

Quanto a Lenovo investe em pesquisa e desenvolvimento?

Eu não tenho idéia dos números exatos em dólares, mas posso afirmar que é algo significativo, já que fazemos mais do que ir às compras, adquirir um monte de peças,  juntar tudo para criar um produto e vendê-lo numa caixa. Nós realmente investimos em inovação e novas tecnologias e desenvolvemos coisas que parecem simples como o teclado, algo que outras empresas simplesmente compram do mercado e parafusam em seus computadores. Temos um time dedicado para isso que passa o tempo todo testando e refinando o desenho do nosso teclado. E por causa disso acredito que temos uma grande vantagem competitiva nessa área. De fato, acho o teclado do X1 um dos melhores já criados para um portátil e isso não é alcançado sem um grande investimento em pesquisa.

Se você pudesse voltar para o passado para reintroduzir uma ou mais soluções já usadas em algum ThinkPad, quais seriam elas?

Bom, existem diversos marcos fascinantes em toda a carreira desse produto, mas o meu favorito sempre foi o ThinkPad 701c com seu teclado expansível (também conhecido como butterfly). Tenho dois deles em casa e ainda os levo de vez em quando para mostrar para as pessoas e a reação é sempre a mesma — elas ficam embasbacadas ao ver o sistema funcionando. E é sempre divertido ir ao museu de arte moderna de Nova York e ver um ThinkPad sob o mesmo teto de um Picasso, o que me faz sentir uma pessoa especial.

Thinkpad 701c “Butterfly” (1995)

Eu ainda acho que toda essa idéia de transformação contém alguns elementos de magia, mistério e de surpresa, como algo retirado de um filme de James Bond, onde você não desconfia que o cara vai retirar um punhal ou bomba de fumaça daquela mala.

E você acha que o teclado Butterfly poderia ser relançado em outros produtos, como um tablet?

Já tentamos isso algumas vezes, mas ainda não consegui.

Se você não estivesse desenhando computadores, em que tipo de produto gostaria de trabalhar?

Essa é uma pergunta interessante, já que passei boa parte da minha carreira e tenho uma longa história no desenho de computadores. Antes de trabalhar na IBM, eu trabalhei numa empresa de consultoria desenhando um monte de coisas como equipamentos de barragem submarina, relógios de pulso, equipamentos para acampar e até um bote de pesca (acredite ou não). Acho que não tenho uma categoria específica de produto que de algum modo me atrai.

O que realmente me cativa nesse trabalho é a idéia de criar algo novo e de colocar alguma coisinha preciosa que as pessoas irão dizer: “Uau, como é que ninguém pensou nisso antes?” E para mim isso pode ser qualquer coisa, um cortador de grama, um controle remoto, um aparelho de TV como aquela que estamos anunciando na CES onde podemos falar com ela, o que acho muito legal! É uma nova maneira de olhar para as coisas. Assim eu não tenho um desejo especial de desenhar um produto específico — hum… talvez uma motocicleta. Eu adoro motocicletas! (risos)

Ainda em tempo: Ao saber que teria a oportunidade de encontrar uma das minhas personalidades favoritas no mundo da computação, eu pensei originalmente em pedir que Hill autografasse a tampa do meu bom e velho ThinkPad, mas como ele anda muito de lá pra cá eu temia que sua assinatura poderia apagar com o tempo. Assim pedi que ele autografasse meu livro ThinkPad – A different shade of blue, uma relíquia que achei num sebo nos EUA:

Vou deixar ele na estante juntinho do meu livro do Wozniak.

CES 2012: os principais home appliances

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Nem só de TVs ultrafinas, tablets e Ultrabooks vive a CES: expositores como LG e Samsung foram os principais a mostrar também suas soluções tecnológicas para casa, com refrigeradores, máquinas de lavar, aspiradores-robô e diversos outros produtos.

Antes disso, uma constatação: todos os principais fabricantes de eletrônicos de consumo – como Sony, LG, Samsung, Panasonic – ressaltaram todo o tempo a questão de que o futuro dos eletrônicos é conectado. A TV acessa serviços online, compartilha fotos com o notebook e o smartphone e manda dados para o resto da casa, nos aparelhos da mesma marca, claro.

Leia o resto deste texto no CASA ZTOP.

[e aqui encerramos nossas transmissões direto da CES 2012, direto de Las Vegas, mas ainda temos bastante material para publicar! Obrigado pela audiência]

Qualcomm: Windows 8 “casa bem” com Snapdragon para tablets

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Durante a CES 2012, a companhia de San Diego anunciou a nova geração do processador Snapdragon S4, que pode ser usado em smartphones, TVs (uma novidade para a Qualcomm) e tablets. Conversei com Stephen Horton, gerente de produto de software/sistema operacional, no estande da companhia para discutir o que vem aí com o Windows 8 – e, bem, eles estão bastante otimistas.

“Já colaboramos com a Microsoft faz algum tempo, e estamos animados com o que vem aí com o Windows 8, que será uma nova experiência muito parecida com os smartphones”, explicou.

Fato é que será a primeira vez que a Microsoft vai lançar um sistema operacional compatível com a plataforma ARM (“preferimos chamar de Snapdragon”, diz o executivo) para complementar a experiência com x86. “Windows no Snapdragon é uma decisão que a Microsoft tomou faz um tempo atrás. Para o consumidor, não há diferença. A interface Metro vai oferecer novas experiências, e quem criar novos apps que forem projetados para Metro, serão compilados para as duas plataformas, ARM e x86”, afirmou. “Para aplicativos legados, porém, a história será diferente”.

Já que o novo Snapdragon S4 roda em TVs (e o maior exemplo disso foi a TV Lenovo voltada ao mercado chinês rodando Android), perguntei a Horton se veremos TVs com Windows. A resposta? “Sem comentários sobre isso. O cliente do Windows 8 vai rodar em diversos formatos compatíveis, incluindo tablets, slates, notebooks e outros produtos. De qualquer modo, vai mudar o jogo”.

Em tempo: fiz o vídeo abaixo no estande da Microsoft após uma concorrida demo do Windows 8 no PC e no tablet em hardware atual (imagino que X86 no tablet). Pela velocidade de transições, dá vontade de ter um agora:

Tosy DiscoRobo adora se requebrar

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Sem mais comentários 😛

Como bem lembrou o Pedro Burgos, o melhor dançarino robô do mundo é esse aqui, mas ele não está na CES 2012.

A Tosy, do Vietnã, tem também o SketRobo, que fica sentadinho na sua cadeira, tem uma caneta e desenha coisas, numa vibe Chico Xavier. E desenha bem!

Update: um vídeo do SketRobo:

 

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