Bill Gates investe em mini usinas nucleares

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Bill Gates — ou mais exatamente sua empresa  TerraPower LLC — anunciou recentemente a intenção de desenvolver mini usinas nucleares que, ao contrário do monstrengo acima, seriam capazes de funcionar por décadas a fio sem a necessidade de repor seu combustível atômico.

No final de novembro, a TerraPower assinou um acordo de NDA com a Toshiba japonesa que atualmente desenvolve um reator ultracompacto batizado de 4S (Super-Safe, Small and Simple) que poderia funcinar continuamente por até 30 anos.

Ele poderia ser o ponto de partida para o desenvolvimento de um reator baseado na tecnologia TWR (Traveling-Wave Reactor) que está sendo desenvolvida pela TerraPower cujos modelos teóricos e simulações de computador levam a crer que seria possível gerar bilhões de watts de energia continuamente por até 50~100 anos sem a necessidade de troca de combustível. Isso simplificaria dramaticamente a atual infraestrutura necessária para tocar uma usina nuclear convencional que não deixa de ser uma espécie de termoelétrica a vapor tocada por uma fornalha atômica.

Diz a lenda que esse tipo de usina — o que inclui a que temos lá em Angra — baseia-se em pequenos modelos desenvolvidos pelos militares americanos nos anos 1940~1950 para tocar seus submarinos e navios nucleares mas que começaram a vender que nem pão quente para o governo. O grande problema é que a demanda de energia de uma cidade é bem maior que um barco e as empresas que fabricavam essas centrais elétricas ainda não tinham muita experiência acumulada nesses tipos de projeto cujo tamanho aumentava cada vez mais a cada nova encomenda. Assim a solução encontrada foi de simplesmente aumentar a escala do reator e da planta de energia, cujos níveis de segurança só poderiam ser garantidos por sistemas de monitoramento supervisionados por mais sistemas de monitoramento cuja complexidade — no pior dos cenários — poderia levar a erros.

Um bom exemplo foram os acidentes de Three Mile Island (que curiosamente ocorreu um pouco depois do lançamento do filme Sindrome da China) e Chernobyl que transformaram essa tecnologia num “mal necessário” e que popularizou termos como “Meltdown” e personagens como Montgomey Burns dos Simpsons. Mas em tempos de mudanças climáticas e demonização dos combustíveis fósseis, a energia atômica parece ter sido reabilitada como uma fonte de energia viável para o futuro.

Como diria o velho Monty Burns — “Excellent!”

Mais informações aqui, incluindo uma interessante explicação em video.

TRIVIA:

Antes do “nosso amigo o, átomo” cair em desgraça — os EUA realizaram todo tipo de pesquisa maluca para ver onde eles poderiam aplicar essa nova fonte de energia. Para mim as mais bizarras foram o Projeto Orion — uma nave espacial impulsionada por pequenas detonações atômicas — e o avião nuclear —  um bombardeiro estratégico capaz de ficar meses no ar.  Esse último foi pro vinagre depois de chegarem à conclusão de que se esse avião caísse poderia causar mais estrago que as armas atômicas que estivesse carregando ao mesmo tempo que os submarinos nucleares com mísseis balísticos poderiam realizar o mesmo papel estratégico.

Fora isso havia o risco de que sua tripulação poderia ficar estéril devido à exposição ao reator que não podia usar chumbo no seu isolamento devido ao excesso de peso. Chegou-se até a considerar o uso de tripulações formadas por pessoas com mais idade e que já passaram da época de terem filhos (!).

Sobre o autor

Mário Nagano

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World.
Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

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