Asus Zenfone 3 Zoom mira na foto, acerta no iPhone 7 Plus

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A Asus se tornou uma fabricante de smartphones. Apesar de ter sido muito bem-sucedida em placas-mãe e notebooks, a turma de Taipei dá destaque hoje somente para o mercado móvel, que entrou faz pouco tempo.

Motivos não faltam – o Brasil é um deles: a Asus aprendeu a surfar num mercado ultra-competitivo com a promessa de aparelhos intermediários bons (ao menos com configurações similares aos oferecidos por Motorolas e Samsungs da vida) com um preço acessível.

Ter infraestrutura de fabricação pronta, em parceria com as Foxconns da vida, também ajudou – bastou adaptar a linha de produção de notebooks para smartphones ou até mesmo abrir uma nova linha – e pronto, a Asus ganhou uma vantagem competitiva em relação a novos entrantes no mercado.

Ontem, na coletiva de imprensa da Asus na CES 2017, o ritmo pareceu diferente. Jonney Shih, chairman da Asus, fez sua tradicional apresentação com modificações: não falou muito de números (nada sobre X milhões de Zenfones vendidos), não deu preços (porque o mercado americano ainda é virgem para a companhia em smartphones) e, mais importante, seus velhos amigos da Intel não deram as caras.

A primeira e a segunda geração de aparelhos Zenfone eram movida por arquitetura Intel. A terceira, reza a lenda, atrasou (os anúncios do Zenfone 5 e do Zenfone 2 foram durante a CES, em janeiro) porque a Intel não conseguiu entregar uma nova família de processadores Atom a tempo e, por consequência, isso levou a um atraso no anúncio do produto (na Computex 2016, em junho), já com um novo melhor amigo: a Qualcomm.

Cabe aqui a piadinha do indiano com seu melhor amigo. Agora, a Qualcomm é o melhor amigo da Asus – tanto que a coletiva estava cheia de executivos gringos e brasileiros da companhia de San Diego. Vale notar que a MediaTek, também fabricante de processadores para smartphones, também mantém sua presença na linha de produtos da Asus, ainda que de forma discreta.

Apesar das mudanças, Jonney Shih (e seus parceiros Qualcomm e Google) anunciou dois novos smartphones: o Zenfone 3 Zoom (que me interessa) e o Zenfone AR, primeiro aparelho da marca compatível com o Project Tango, do Google (um sistema de realidade aumentada integrado ao telefone e que será usado por meia dúzia de pessoas no mundo, se é que elas já não compraram o modelo da Lenovo, lançado ano passado).

Mas vamos ao Zenfone 3 Zoom, que abre este post: a Asus caprichou nas especificações técnicas (processador Qualcomm Snapdragon 625, 4 GB de RAM, até 128 GB internos, dual-SIM, duas câmeras traseiras, tela Full HD de 5,5″, corpo em alumínio e somente 7,9 mm de espessura).

Mas, poxa vida, não precisavam ter feito um smartphone igualzinho ao iPhone 7 Plus. Não me assustaria se a Apple, emulando um espírito do passado, processasse a Asus por cópia de desenho industrial.

Este é o Zenfone 3 Zoom:

Aqui, ao lado do iPhone 7 Plus. Não sei se é coincidência (ou semiótica), mas a Asus demonstrou apenas o aparelho na cor Navy Black (o Zenfone 3 Zoom virá em Rose Gold e Glacier Silver também).

Tá, o modelo da Asus é um pouco menor que o da Apple, e parabéns para os engenheiros que conseguiram enfiar uma bateria gigante de 5.000 mAH no Zenfone, mas… precisava ser tão parecido?

 

Até a interface da câmera, com um botão que alterna entre as duas lentes, é similar: 

Em tempo: o Zenfone 3 Zoom tem cara de que corrige todos os erros/bugs do Zenfone Zoom original (como a diferença entre ativar a câmera com zoom óptico com o botão do app – que não liga o zoom óptico! – ou com o botão físico da câmera). O Zenfone 3 Zoom vai direto ao ponto, não tem mais firulas.

Em vez de ter lentes com partes móveis, o Zenfone 3 Zoom vem com duas câmeras principais de 12 megapixels de resolução – uma “normal” com abertura f/1.7 (similar à do Samsung Galaxy S7) e sensor Sony, ainda com estabilização óptica de imagem e gravação de vídeo 4K, e uma para o Zoom (equivalente a 2.3x de zoom óptico). Saem as partes móveis, ao menos, permitindo ao aparelho ficar mais fino e eficiente.

Segundo a Asus, o Zenfone 3 Zoom deve chegar ainda este semestre ao Brasil. O anúncio oficial deve ser durante o já tradicional cruzeiro (?) da companhia com a mídia brasileira em abril. Nada de preço ainda, nem em dólares ou reais.

E o Zenfone AR? É um aparelho cheio de números enormes (8 GB de RAM, por exemplo). Não me empolga porque Realidade Aumentada ainda é algo que dá seus primeiros passos e não tem o app matador que vai resolver todos os problemas do mundo. Tanto que os aparelhos em demonstração não tinham apps de AR instalados/acessíveis à mídia.

Sei lá, acho que AR vai ser útil para alguns jogos (estilo Pokemon Go) e apps de nicho – como marcenaria, por exemplo. A Asus disse que o Zenfone AR chega ainda este semestre, mas não deu previsão para o Brasil ainda. A conferir.

Disclaimer: Henrique está em Las Vegas cobrindo sua enésima CES a convite da Dell. Fotos, opiniões e tudo mais são dele mesmo.

Sobre o autor

Henrique Martin

Henrique Martin já escreveu na PC World, PC Mag, Folha de S. Paulo e criou o Zumo em 2007. Em 2011, o Zumo se transformou no ZTOP, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC. Siga-o no Twitter: @henriquemartin

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