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Asus: plataformas abertas e Xtion com Jackie Hsu

Tivemos a oportunidade de conversar Jackie Hsu, gerente geral de vendas globais e VP de sistemas abertos da Asus sobre sua estratégia de produtos, qualidade e o Xtion, seu sensor de movimento estilo Microsoft Kinetic.

Jackie Hsu é o responsável por uma ampla linha de produtos que a Asus chama de Open Platform. Isso, de uma maneira geral, é tudo aquilo não ligado ao conceito de mobilidade e que, de um certo modo, são itens que podem ser instalados, configurados e até modificados pelo próprio usuário — daí o conceito de “plataforma aberta”.

Esse conceito engloba desde placas-mãe e de vídeo até sistemas de som, armazenamento, monitores e pequenos sistemas de mesa como all-in-ones e nettops. Segundo a Asus, essa distinção entre plataformas móveis e abertas são baseadas no comportamento do usuário. Com isso a empresa entende que os usuários de notebooks, tablets e smartphones têm diferentes necessidades e expectativas (como melhor conectividade e autonomia de bateria) se comparados por exemplo, com uma placa-mãe, o que por si só exige uma estratégia de marketing completamente diferente.


Durante a coletiva de imprensa que lançou o novo roteador RT-N56U Black Diamond no Brasil na última semana, este ZTOP teve um tempinho reservado para entrevistar Hsu, que veio ao Brasil para ajudar e dar apoio para o seu time no desenvolvimento das suas estratégias locais. E por que um VP de alto escalão faria isso? Para responder a esta dúvida é preciso entender que o Brasil deve terminar este ano como o terceiro maior mercado de PCs do mundo, ficando atrás somente dos EUA e da China. E por causa disso os executivos da Asus têm vindo regularmente para cá entender melhor o nosso mercado e alinhar suas estratégias globais com o mercado brasileiro que, por sinal, possui algumas peculiaridades se comparado com outras geografias.

Por exemplo, Hsu explica que como em outros países do BRIC, o Brasil tem um grande território que, combinado sua grande população, chega ao ponto de algumas regiões terem seus próprios hábitos locais de consumo, de modo que ele acredita que a Asus precisa estudar com bastante atenção esses regionalismos. Por isso, o contato forte com o time local e a defesa de idéias como até criar estratégias específicas para as regiões norte e sul do País. Na prática, ele não acredita no produto “tamanho único” para todo o Brasil.

Indo um pouco mais fundo nesse assunto, ele entende que o poder aquisitivo do consumidor brasileiro varia muito de modo que uma de suas tarefas é de identificar no seu portfolio os produtos que ofereçam a melhor relação de custo x benefício para cada segmento de consumo, seja ele de entrada, mainstream ou topo de linha.

Para explicar esse raciocínio, Hsu pegou uma folha de papel e colocou suas idéias literalmente preto-no-branco:  Ele disse que as empresas em geral enxergam suas linhas de produtos na forma de um grande triângulo dividido em três partes: produtos de Entrada, Mainstream e High-End (E-M-H). Já a Asus enxerga cada um desses segmentos na forma de três triângulos menores o que nos leva a entender que cada um deles devem ser vistos como mercados independentes e não como partes de um todo. Com isso ele quer dizer que para ASUS o conceito de high-end não é absoluto, e sim relativo.

O executivo explica que assim, a Asus procura  estar sempre no topo de cada segmento, permitindo assim oferecer opções de produtos interessantes por um preço legal para todo tipo de consumidor.

 

 

E já que estávamos falando de segmentação, aproveitei a deixa para perguntar ao executivo sobre o tamanho do mercado de gamers e se ele também acredita que deveria haver uma diferenciação entre jogador e entusiasta/overclock, a exemplo do que fez a concorrência recentemente. Hsu respondeu que precisamos ser cautelosos quando falamos no mercado de gamers, já que o que muitos chamam de “gamers” é o que ele descreve como “Extreme Gamers” que consomem produtos topo de linha e que, de fato, representam algo em torno de 5% do mercado total de PCs.

Entretanto, ele explica que existe um outro tipo de jogador que o mercado chama de “Casual Gamer” que é aquela pessoa que se divertem com joguinhos simples e rápidos até em seus celulares (como o Angry Birds da vida) e sob esse ponto de vista, todo mundo é um gamer e a Asus acredita que mesmo para os casual gamers, ela oferece uma boa linha de produtos — mesmo entre os modelos de entrada — que podem até ajustados para oferecer um pouco mais de desempenho com o uso de ferramentas de tuning.

Falando mais especificamente sobre o mercado de Extreme Gamers a Asus oferece uma boa linha de “armamentos” para vencer qualquer jogo — a chamada R.O.G. (Republic Of Gamers) que, por sua vez é dividida em três sub-famílias, a R.O.G Extreme, R.O.G. Formula e R.O.G. Gene, sendo a primeira voltada para overclockers/gamers, a segunda para gamers propriamente ditos e a terceira seria uma série especial de produtos fisicamente menores (micro-ATX), que permite ao jogador montar sistemas menores e mais fáceis de transportar de um lugar para outro, como numa Lan Party.

Hsu conclui declarando que como a série R.O.G. está no mercado há mais de três anos e até a concorrência está assimilando esse conceito, isso mostra que primeiro: estávamos no caminho certo, segundo: que a Asus é a lider nesse mercado e terceiro: se mais e mais empresas adotam essa estratégia, elas contribuem para o crescimento desse mercado o que no final das contas permite que o consumidor ter acesso a produtos melhores e mais acessíveis.

WAVI XTION

No final de fevereiro passado, a ASUS mostrou durante a última CeBIT 2011 o WAVI Xtion (pronuncia-se “way-vee action”), um curioso sistema de entretenimento com um sensor de movimento que não é bem um irmão gêmeo, mas sim um primo distante do Kinetic da Microsoft.

 

Hsu explicou que o WAVI Xtion é formado por dois componentes principais, o WAVI (Wireless Audio & Video Interface), um dispositivo capaz de transferir o conteúdo de áudio e vídeo de seu PC diretamente para a TV da sala via conexão sem fio, e o XTion, uma câmera equipada com sensor de movimento que se comunica com o PC via WAVI que processa essa informação e transmite o resultado de volta para a TV. Assim a idéia é que ao contrário do videogame da Microsoft cuja CPU precisa ficar no mesmo ambiente da sala, com o WAVI Xtion o usuário pode ter a experiência de brincar com jogos de PC na TV de tela grande da sala usando o computador do quarto.

Interessante observar que esse sistema pode ser utilizado em outras aplicações além de jogos, como sistemas de videoconferência, terminais de consulta/vendas e até aplicações médicas em especial naquelas situações onde o médico cirurgião não poderia pressionar uma tecla ou tocar uma tela por questões de higiene.

Mas como todo mundo sabe, esse tipo de produto só faz sucesso se ele contar com o suporte de uma ampla base de desenvolvedores e uma boa biblioteca de programas. Para alcançar esse objetivo, Hsu disse que sua empresa está adotando três iniciativas: a primeira seria de criar uma própria application store — batizada de asus@vibe — onde o usuário poderá encontrar todas as aplicações criadas pela própria Asus para seus desktops, portáteis e até mesmo para o WAVI Xtion e que com o tempo também oferecerá outros produtos como jogos, e-books, músicas e até vídeos.

A segunda iniciativa é a de se aproximar dos desenvolvedores de jogos para que eles incorporem o modo de jogar do Xtion em seus títulos, um atrativo para a conversão de títulos de consoles para o mundo dos PCs o que ajudaria a ampliar o seu mercado, já que muitos usuários de PCs não têm console em casa.

A terceira iniciativa está no desenvolvimento de um engine para o WAVI Xtion pela própria Asus. Quando finalizado ele será capaz de rodar sobre qualquer jogo existente permitindo que ele possa ser controlado com gestos e movimentos do jogador. Segundo o executivo, o desenvolvimento desse engine está bem avançado e a Asus já tem uma versão beta em funcionamento.

A previsão é que os primeiros produtos baseados em Xtion chegue ao mercado em meados de maio e ele espera trazer esse produto também para o Brasil.

Com relação ao futuro da empresa, Jackie Hsu reconhece que sua empresa investe pesado no desenvolvimento de programas mas isso não significa que um dia eles desejem entrar no segmento de software. Para ele o principal objetivo desse esforço fica no sentido de adicionar mais valor aos seus produtos de hardware. Desse modo o grande objetivo da Asus para os próximos anos é de ser a empresa mais admirada nessa nova era digital e o caminho para chegar nisso será por meio de inovações. Um bom exemplo disso é o próprio Xtion, já que o conceito em si não é nada muito complexo, mas a Asus com sua ampla linha de produtos é capaz de combinar  suas diversas tecnologias para chegar num produto de fato que pode ser colocado no mercado.

 

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

  • Guilherme Mac 28/03/2011, 21:54

    WAVI Xtion não tinha a tecnologia da PrimeSense? Ou seja, tecnologia quase idêntica do Kinect? Pq então estão mais para "irmãos" do que "primo distante".

    • mnagano 28/03/2011, 22:01

      Essa analogia era para dizer que o Kinetc seria um acessório de videogame e o Xtion um acessório de PC.

  • Anderson Cosat 31/03/2011, 14:31

    Realmente eu desejo que algum fabricante leve a sério o nosso pais, mesmo que nossos governantes façam o contrário…

  • sidney 31/03/2011, 17:09

    por umas fabricas estilo foxxcon não faria mal a economia do pais e ainda baixaria o preço local dos produtos…
    mas ainda via depender de incentivo do governo e melhoria da educação local.. ou seja não é pra agora não…