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Vendo de perto: ASUS Taichi 21

O ASUS Taichi 21 é um fetiche pessoal. Vi quando o protótipo foi anunciado na Computex 2012, mas na época era um caso clássico de produto “pode ver, mas não pode tocar” (e estava protegido por uma redoma, quase sempre desligado). Meses depois, deu para ver na IFA Berlin, mas já não era o grande gadget da feira.

Eis que outro dia toca a campainha e tem um Taichi 21 me esperando na porta, já que o modelo começou a ser vendido faz poucos meses por aqui (o irmão maior, Taichi 31, com tela de 13″, também já está à venda. Não pergunte o preço ainda. É caro).

Não passei pro Nagano, que está atolado com o review do Intel Core de 4a geração (cadê o review, japonês?), e pulei na frente de um guia gigante de smartphones que estou escrevendo. Então este post não é um review – mas sim um grande hands-on e um tributo ao design deste híbrido único.

O design do Taichi 21, com duas telas de 11,6″, faz pensar em algo que o Nagano costuma comentar – algo mais ou menos assim: “Não é algo pra vender para as massas. É um produto para mostrar pro resto do mercado e pros concorrentes que o fabricante consegue fazer algo que nenhum outro faz” (na prática, pra dizer “o meu é maior que o seu”). Dinheiro (e lucro) vem de outros produtos, aqui é para mostrar como o pessoal do laboratório de pesquisa e desenvolvimento é capaz de fazer.

Nagano comenta: Sim, eu disse isso e digo mais: Se pensarmos bem, a estratégia por trás dos notebooks conversíveis sempre foi de encontrar um meio de usar a mesma tela tanto com o portátil aberto (modo desktop) quanto fechado (modo tablet) — o que foi conseguido graças a uma mecânica mais elaborada e alguns movimentos pouco naturais que beiram ao contorcionismo.

Sob esse ponto de vista, a solução adotada pelo Taichi é elegante e até meio óbvia, mas foi preciso uma empresa com cojones (e uma baita engenharia) para implementá-lo num produto e ainda ter aquilo roxo para colocá-lo no mercado.

O finado CEO daquela empresa com nome de fruta que o diga.

E é impressionante o trabalho de engenharia para fundir duas telas em uma única superfície, uma para cada lado, ter uma superfície sensível ao toque apenas em uma (duh!) e ter como resultado final um notebook ultrabook com altura máxima de 1,74 cm e que pesa 1,25 kg.

Aberto, tem cara de notebook convencional rodando Windows 8 – aquele que requer uma tela sensível ao toque para usar.

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Com teclado retroiluminado e com acentos em português do Brasil e um belo e grande touchpad compatível com múltiplos toques. Demora um pouco para acostumar com o clique do lado esquerdo na peça única, mas não é exatamente um problema.

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O Taichi 21 traz o básico dos ultrabooks para conexões. De um lado, botão de liga-desliga (que acorda o computador em poucos segundos) e o indicador de recarga da bateria, uma porta microHDMI e uma USB 3.0.

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De outro, conector para fone de ouvido padrão 3,5 mm, mais uma USB 3.0, uma micro VGA, controle de volume e trava da tela.

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Com a máquina em modo notebook, dá para ver melhor o detalhe da tela híbrida e como ela é mesmo muito fina por ter dois lados.ASUS TAICHI 21 - 06 ASUS TAICHI 21 - 07 ASUS TAICHI 21 - 08

Embaixo do Taichi 21, somente as saídas de ventilação e informações gerais sobre a máquina – e o selinho do Windows 8. Por ser um notebook de nicho, é importado da China.

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A mágica de alternar entre duas telas acontece com o botão azul da foto abaixo, o botão Taichi. Ela ativa um programa no desktop do Windows 8 (sim, no desktop) chamado… Asus Taichi (claro).

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O aplicativo é uma central de informações de recursos (quanto de RAM ou armazenamento em uso), configurações rápidas (som, tela) e serviços online (como a ASUS Cloud). Ali em cima, você alterna rápido entre os modos de uso de tela (notebook, tablet, espelho da tela e extensão da tela). Simples e fácil de usar.

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Ao fechar a tampa (e se não estiver algum modo de economia de energia automático ativado), o tablet entra em ação. É um tablet Windows 8 e, bem, é um tablet Windows 8. ASUS TAICHI 21 - 12

Outro detalhe interessante (e, de novo, trabalho de engenharia forte): quando o notebook está em uso, a tela exterior mostra o logotipo iluminado da Asus (estilo “maçã” do MacBook)…ASUS TAICHI 21 - 13

… e no modo tablet, o Asus luminoso se apaga para acender o botão do Win8. Note que o Taichi 21 tem uma câmera externa ali do lado. ASUS TAICHI 21 - 14

E mais uma interna. ASUS TAICHI 21 - 15

Por sinal, quando você usa o alternador de modos do app Taichi com o Tablet, ele lembra para abrir a tampa. ASUS TAICHI 21 - 16 ASUS TAICHI 21 - 17

Tanta inovação e design, claro, têm seu contraponto. O conceito de um notebook híbrido com duas telas (no mundo em que touch agora começa a ser mais popular entre os fabricantes do mundo Windows) funciona bem na teoria. É um produto fácil de usar, que ensina e vem cheio de tutoriais para isso. Mas existem limitações – físicas, do próprio consumidor/dono de um Taichi 21: quem consegue trabalhar com o teclado e mostrar informações na tela do outro em um ângulo reto como o da imagem abaixo?

E invariavelmente existe uma frustração (de novo, Nagano já tinha levantado essa bola) ao usar o tablet e alternar para o notebook completo, você tem o desejo de tocar a tela – só que o monitor interno não é sensível ao toque, apenas o externo.

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De qualquer modo, dá a entender que o Taichi 21 é só a primeira geração de futuros e interessantes produtos. Cada fabricante vem escolhendo um formato de híbrido, e ainda é muito cedo para dizer qual deles vai vingar. Slider, dobrável, duas telas, tela giratória ou destacável? As opções ainda são muitas. O caminho de design da Asus foi adaptar o notebook tradicional a uma ideia maluca – e que funciona até que bem.

A Asus fez escolhas interessantes em hardware para diferenciar dos concorrentes – Intel Core i5, tela Full HD, som Bang & Olufsen – contra (insira aqui o OEM que quiser: HP, LG, Dell e por aí vai) configurações de híbridos touch com, sua grande maioria, Intel Atom e preço abaixo de R$ 3.000. Design e performance versus preço com menor desempenho, em resumo.

Isso, claro, tem seu valor: o modelo da Asus tem preço sugerido de R$ 5.999. É um modelo que eu comparo, guardadas as proporções, ao Nokia 808: tem tecnologia avançada e preço caro, mas eu adoraria ter um para guardar para a posteridade e deixar na prateleira.

Henrique Martin já escreveu na PC World, PC Mag, Folha de S. Paulo e criou o Zumo em 2007. Em 2011, o Zumo se transformou no ZTOP, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC. Siga-o no Twitter: @henriquemartin