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APU AMD “Trinity” chega para brigar com Intel Ivy Bridge

Fiel à sua tradição de aporrinhar a sua concorrente no dia dos seus grandes eventos, a AMD anunciou hoje sua nova CPU APU de segunda geração — codinome “Trinity“— e que sucede o Llano como sua solução mainstream para desktop e notebooks.

Inicialmente, a AMD irá colocar no mercado cinco novos modelos de APUs para notebooks, sendo três deles com TDP de 35 watts voltados para modelos mainstream e dois de menor consumo (25 watts e 17 watts) voltados  para modelos leves e finos que irão concorrer diretamente com a plataforma Ultrabook da Intel. Note também que a empresa expande a sua linha de modelos de APUs introduzindo o modelo AMD A10 (mais sobre sua estratégia de marca ainda hoje no ZTOP).

Para explicar melhor esse novo produto, o pessoal de Sunnyvale reuniu no mês passado um grupo de jornalistas (incluindo este ZTOP) para um evento técnico em Austin, no Texas, para conhecer o produto em cores e ao vivo. Até mesmo Rory Read, ex-presidente e COO da Lenovo que sucedeu Dirk Meyer no cargo de CEO da AMD, estava lá:

Segundo Read, a AMD tem uma longa tradição em inovar e de sempre estar atrás da próxima grande idéia — e sob esse ponto de vista Trinity é um produto importante porque ele vai de encontro com os desejos dos usuários cada vez mais atraídos pelas chamadas aplicações visuais pelo preço certo.  “Não queremos proteger o status quo e sim forçar a evolução do mercado com produtos disruptivos”, declarou o executivo.

E passado menos de um ano do lançamento da plataforma Brazos, a AMD diz que já vendeu mais de 30 milhões de APUs. E isso aconteceu porque esses chips trazem valor e proporcionam uma excelente experiência de uso e que fazem diferença para o consumidor e não apenas em mercados maduros como o americano, mas também em países como a Rússia, China e obviamente o Brasil, locais em que ele acredita que as APUs vão pegar ainda mais rápido.

Em poucas palavras, ele descreveu Trinity como um produto “fundamentalmente Incrível” (“Fundamentally Awesome“) e melhor que o Llano em todos os aspectos, oferecendo o dobro de desempenho por watt em relação ao seu antecessor e pronto para uso e pronto para fazer a diferença no mercado.

E qual seria esse diferencial do Trinity? Segundo Chris CloranVP e Gerente Geral do Grupo de Soluções de Computação para Clientes, os usuários estão mudando a maneira com que se relacionam com seus computadores, transcendendo o modelo de uso baseado em aplicativos de escritório, e-mail e internet focando cada vez mais em aplicações visuais – ou seja capturar, processar e compartilhar fotos e vídeos, assistir TV, interagir nas redes sociais etc. Atividades que, na maioria dos casos, podem tirar muito proveito de aceleração gráfica.

Em poucas palavras, essa mudança de comportamento está sendo cada vez mais direcionada para o lado do entretenimento…

… e cuja demanda que só tende a crescer de agora para o futuro.

E isso sem falar no suporte para o Windows 8 com todos os seus malabarismos e firulas visuais:

Sob esse ponto de vista, cresce cada vez mais a necessidade dos fabricantes de hardware de proporcionar meios para que essas aplicações visuais funcionem da maneira mais eficiente, suave e econômica possível — e uma das maneiras de se conseguir isso é por meio da chamada computação heterogênea, onde o tradicional núcleo de processamento trabalha em conjunto com a GPU tirando assim o máximo proveito de ambas as arquiteturas em prol de uma melhor experiência de uso.

A grande sacada — ou mais exatamente, o grande esforço da AMD — é de trazer para o mercado um ecossistema completo capaz de viabilizar essa estratégia, algo que a empresa chama de HSA (Heterogeneous System Architecture).

O executivo explicou que o nome “Trinity” foi inspirado na ideia de que esse produto é baseado em três grandes características: grande experiência visual, grande experiência em jogos e a melhor relação de desempenho por watt.

Tecnicamente falando, o Trinity é um chip com mais de 1,3 bilhão de transístores espremidos numa pastilha de silício de 246 mm² fabricado pelo processo de 32 nm com SOI (Silicon On Inslulator). Note que quase metade desse chip (à direita) é ocupada pela GPU, o que mostra que nesse mercado, tamanho ainda importa. 🙂

Se comparado com o Llano (embaixo), podemos ver que não se trata de uma atualização e sim de uma microarquitetura completamente nova. Em especial na mudança dos seus seus quatro núcleos de processamento “Stars” (embaixo à esquerda) para o novo módulo de processamento baseado no Bulldozer (acima à esquerda) e da nova GPU.

De fato, o Trinity estará disponível em versões de um e dois módulos x86 “Piledriver” com 4 MB de cache L2 e sua aceleradora gráfica é uma Radeon HD 7660G de última geração e um terceiro núcleo de processamento totalmente voltado para processamento de vídeo, o chamado AMD HD Media Accelerator.

Fora isso ele conta com uma controladora de memória DDR3 1866 ou 1600, no caso da versão para portáteis. No geral, a AMD afirma que se comparado com o Llano, sua microarquitetura oferece um aumento de 29% em produtividade e 56%  no desempenho visual.

O Trinity vem equipado com um novo “módulo de processamento Buldozer” de segunda geração codinome “Piledriver“. A empresa adota esse termo porque cada um desses “módulos Bulldozer” é formado na realidade por duas unidades de processamento de números inteiros que compartilham uma mesma unidade de ponto flutuante (FPU).

Assim — dependendo do ponto de vista, — o Trinity é formado por dois módulos Bulldozer dual core totalizando quatro núcleos x86, algo como o Hyperthreading da Intel só que implementado por hardware. O clock da CPU irá rodar na faixa de 2,0 a 3,8 GHz e a GPU de 424 a 800 MHz e seu envelope térmico (TDP) será de 17, 25 e 35 watts para notebooks e de 65 e 100 watts para desktops. No geral, a AMD afirma que o Piledriver oferece um ganho de performance 26% superior em desktops e 29% a mais em portáteis.

No geral, o módulo Piledriver recebeu diversas melhorias se comparado com o original visto no FX.

Dentre as novidades do Trinity, talvez a mais significativa (e que pode até não chamar muito a atenção) é o chamado UNB (Unified NorthBridge) uma tecnologia que veio dos chips para servidores da AMD e que pela primeira vez está sendo implementada em uma APU. A idéia nesse caso é de melhorar/acelerar ao maximo o tráfego de dados entre os diversos componentes internos do processador, melhorando assim o seu desempenho.

Para isso,a empresa aperfeiçoou a sua tecnologia de GPGPU de modo que o Trinity tem a capacidade de calcular até 736 GFLOPS, contra 572 GFLOPS do Llano. Isso foi possível graças a melhorias no seu sistema de memória (FLC e RMB) que permite um tráfego de informações melhor e mais eficiente. Outro destaque é o IOMMU v2 implementado especificamente para otimizar o acesso da APU aos recursos de placas de vídeo discretas (dGPU).

Outra novidade do Trinity é a implementação da tecnologia Turbo Core 3.0, que utiliza uma abordagem que a empresa chama de “reativa” ou seja, quando a CPU demanda mais carga de trabalho que a GPU o Turbo Core é capaz de baixar dinamicamente o consumo desta e mandar essa energia “poupada” para a CPU e vice versa. Trata-se de um conceito simples porém bem complicado de ser implementado o que explica porque ele só foi implementado nessa terceira versão.

Essa tecnologia faz parte de um conceito mais amplo cujo objetivo é de fazer o Trinity uma APU bastante eficiente em termos de consumo de energia, característica que se torna cada vez mais importante à medida que os computadores tornam se cada vez mais portáteis.

Durante a apresentação do produto, a AMD afirmou que o Trinity seria capaz de oferecer até 11 horas de “Windows Idle Battery Life” um valor impressionante porém maroto, já que o termo Windows Idle significa que essa medida foi tirada com o computador ligado, porém sem fazer nada. 😛

Mas como era de se esperar, a grande força do Trinity está na sua capacidade de multimídia, o que inclui a reprodução de gráficos, vídeos e som:

Como era de se esperar, muitos dos recursos dessa GPU Radeon HD 7660G são as mesmas da HD 7900 Southern Islands como o seu UVD (Unified Video Decoder) …

… e o AVC (Accelerated Video Converter — que me parece ser o mesmo VCE da HD 7900), tudo acelerado por hardware:

Já a sua aceleradora gráfica — que de tão potente a AMD está chamando de Discrete GPU on Die — traz uma impressionante lista de recursos, formada por 384 stream processors e suporte para as APIs mais recentes como DirectX 11 com Shader Model 5.0, OpenCL 1.1, DirectCompute 11 etc. A companhia enfatiza que sua GPU apoia a maioria dos padrões abertos como estratégia de promover seu ecossistema.

Um bom exemplo da capacidade de processamento dessa nova GPU é um efeito que a empresa chama de Morphological AA,  que é uma técnica de pós processamento de imagem descrita como uma técnica de super-amostragem que só é possível de ser feita em tempo real graças a aceleração de processamento via DirectCompute:

Embaixo uma segunda comparação de uma cena sem efeito AA, com Multisample AA (MSAA) de 4x e com MLAA:

Esse recurso pode ser ativado no Catalyst Control Center e é compatível com qualquer aplicação baseada em DX 9/10/11:

Com relação ao desempenho dessa nova Radeon integrada, a AMD divulgou diversos resultados de testes comparando o Trinity com outros produtos da casa quanto do concorrente…

… e é óbvio que eles não iriam deixar o Ivy Bridge fora dessa:

Uma característica que a empresa irá enfatizar — e muito — é o fato de que com o Trinity será possível ter uma melhor experiência de uso em jogos:

Também em notebooks…

… e até em Full HD, algo notável para uma APU:

E assim como o Llano, o Trinity também pode trabalhar em conjunto com uma placa de vídeo discreta (de mesmo nível de desempenho, é claro) em CrossFire:

Aqui alguns números de desempenho da bateria…

Mas de todas essas comparações, a que mais me chamou a atenção foi o quadro abaixo que compara o Trinity (ou mais exatamente um AMD A10-4600M) com um Intel Core i5-2520M. Como era de se esperar, o A10 se deu muito bem nas aplicações que tiram proveito da sua GPU integrada, com exceção do PC Mark 7 Productivity,  onde o Core i5 levou a melhor.

Isso porque esse teste — ao contrário dos outros — quase que não tira proveito dos recursos de GPGPU oferecidos pelo Fusion, o que nos leva a crer que seu núcleo x86 não chega a ser superior ao da Intel.

Mas no final das contas, isso é bom ou é ruim? Como sempre, isso depende. O que fica claro na estratégia da AMD é que o mercado realmente caminha para uma computação cada vez mais visual, e com o Trinity o pessoal de Sunnyvale mostra que está trabalhando duro para que seu produto seja o melhor nesse campo. Porém — para que essa estratégia triunfe — é preciso contar com o apoio dos desenvolvedores de software para que eles implementem cada vez mais esse modelo de computação híbrida na sua linha de produtos — algo que a AMD está ciente e trabalha intensamente para que esse novo ecossistema prospere e amplie cada vez mais:

Mas também é fato que o pessoal de Santa Clara não vai ficar parado com cara de piscina e também está se movimentando para se não atropelar, pelo menos chegar mais perto do seu concorrente. Prova cabal disso é o próprio lançamento do Ivy Bridge com sua nova aceleradora gráfica HD 4000 que alguns já afirmam ser “a melhor GPU integrada já desenvolvida pela Intel”, mas que também dizem “que isso não significa que ela é melhor que o da concorrente”. 🙂

Como já disse antes, 2012 pode ser um ano bem interessante para quem quiser comprar um PC novo.

Quem viver, verá.

Disclaimer: Mário Nagano viajou a Austin a convite da AMD, mas todas as opiniões (e as fotos) são dele.

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

  • Gabriel_Porto 15/05/2012, 11:28

    Pra variar um pouco, excelente matéria e sem fanboysismo.

  • jorge 15/05/2012, 11:46

    Passou um ano e nos notes só apareceu com llano a8 a hp, que colocou uma placa de video a mais e nisso meteu a mão no preço.

  • _Orion_ 15/05/2012, 13:21

    Excelente matéria, muito bem ilustrada e explicada.
    Agora, quando é que essas APUs vão ser lançadas no mercado? Afinal o Ivy Bridge já está aí.
    E quanto ao soquete, será um novo?

  • lordwillers 15/05/2012, 15:33

    Como sempre.. Melhor matéria de todos os sites de tecnologia que olho diariamente. Parabéns aos envolvidos._Eh, esse ano eu aposento meu guerreiro Core 2 Duo do meu note…

  • Rodrigor Silva 17/05/2012, 00:12

    Muito bom… eu iria comprar um notebook da samsung com LIano, mas agora fiquei curioso com o Trinity… fico no aguardo para comprar essa 2 geração de APU.

  • everart araujo 17/05/2012, 18:36

    materia incrivel,show de bola!!!!!!!!!!!!!!!!

  • Renato 18/05/2012, 18:29

    Na teoria é sempre incrivel….mas basta usar no dia a dia para ver a real capacidade…não da mais para se iludir com isso..a verdade é que a AMD sempre toma um Pau monstro da INTEL .
    FX 8150 com desempenho pifio se comparado com um bem mais velho CORE I7 2600k….e todo ano a história se repéte….mas como tem gente que acredita…..
    A unica coisa que é fato…é o desempenho das Radeons…placas poderosas e muito bem construidas.

    • Guilherme 11/06/2012, 12:29

      concordo plenamente… infelizmente a amd é muito fraca em processadores, e joga tudo em números "pega trouxa", como 8 núcleos, 15mb cache etc. Mais a vd é que qualquer AMD toma pau de um i5 2500k que seja… Mais, vamos ver né, as vezes, pode ser que seja bom, o video dele com certeza vai bater o HD grafics dos core i, em conjunto com o lucid talvez fique top.