ZTOP+ZUMO

Hands-on: Bateria de Emergência Anker PowerCore 10000

Anker PowerCore 10000 vem com a proposta de ser um produto simples e honesto num mercado ainda muito “cinza”.

Já faz alguns meses que noticiamos a chegada da Anker Innovations (ou simplesmente Anker) — empresa especializada em acessórios para dispositivos móveis que desembarcou no Brasil por meio de uma parceria com a Positivo Tecnologia o que — para nós — foi uma jogada bem inteligente do pessoal de Curitiba já que, em vez de se arriscar seu nome num mercado caótico e cheio de marcas genéricas e/ou de origem duvidosa, ela entra de sola e em grande estilo com uma marca já conhecida e respeitada pelos consumidores.

E até por causa disso, acreditamos que inicialmente o seu público alvo vai aquele consumidor mais esclarecido e disposto a até pagar um pouco a mais por um produto de qualidade, boa procedência e que já esteja certificada por órgãos locais como a da Anatel, o que é pelo menos uma garantia a mais de que esse acessório não irá botar fogo na sua casa no sentido mais exato da palavra (a UL que o diga.)

Presente em mais de 70 países, a história da Anker é bem interessante já que ela foi fundada em 2011 por um ex-engenheiro de software do Google —  Steven Yang — que construiu seu império basicamente vendendo apenas na Amazon. Para os interessados existe uma matéria no The Verge que conta essa história.

Dito isso, recebemos para testes o Anker PowerCore 10000 que não é exatamente o modelo de entrada oferecido pela Anker/Positivo no Brasil, mas que — para nós — deveria ser a primeira opção a considerada pelo usuário, se custo for um fator (muito) relevante na hora da compra:

Como era de se esperar de qualquer marca que seja (ou deseja ser) premium, a Anker investiu bastante na apresentação do seu produto, criando uma embalagem bem elaborada e “auto-explicativa”, que tenta conquistar o consumidor já no display da loja com a ajuda de pequenos detalhes.

Por exemplo, existe de uma espécie de capa frontal (mantida fechada com um fecho magnético) que, ao ser aberto como um livro, já apresenta o produto em si junto com suas principais características…

… sendo que as outras faces também tentam responder outras dúvidas do tipo “Ele já vem com cabo USB incluso?” “Se sim, qual o tipo e como ele é?

Fora isso, a Anker/Positvo também teve a preocupação de deixar bem claro — e em português brasileiro — qual a procedência do mesmo e outras informações relevantes como os contatos de suporte e a garantia local (= 18 meses!):

Outro recurso bem curioso adotado pela pela Anker para prevenir fraudes é algo que já tínhamos visto entre os fabricantes de cartucho de jato de tinta: A inclusão de um curioso selo de segurança do tipo “raspadinha” que…

… ao ser violado, revela um número de série mais um código QR…

… que pode ser usado para checar no site da empresa se o produto é genuíno usando apenas o smartphone — legal né?

Outro exemplo de preocupação com os detalhes é o selo que lacra a embalagem cuja ponta não está colada na caixa o que poupa o desgaste da ponta da unha…

… e também mostra o lado correto de abrir a caixa:

Aqui podemos ver o blister que envolve a bateria por completo e a protege contra batidas e quedas. Algo por sinal importante para um componente relativamente sensível que não costuma tolerar maus tratos:

Com relação aos acessórios inclusos, além do cabo USB Micro de 60 cm de comprimento, o PowerCore 10000 também vem com um saquinho de transporte feito de um tecido macio e bem ventilado (ou seja, que não retém calor) e um pequeno guia de boas-vindas em diversos idiomas, incluindo o português brasileiro.

Mas indo ao que realmente nos interessa, medindo aproximadamente 9,2 x 6,0 x 2,2 cm (LxAxP) e 180 gramas de peso (ou ~200 gramas com a capa + cabo USB incluso), o PowerCore 10000 é, fisicamente falando, uma caixa de policarbonato preto fosco que abriga três células de energia (totalizando 10.000 mAh / 36 Wh) ligados a um circuito regulador de voltagem que controla a entrada e saída de energia. E apesar do seu visual meio quadrado, ele possui contornos curvos e cantos suaves, o que proporciona uma pegada bastante confortável:

No seu canto superior existe um botão que…

,,, quando pressionado ativa o medidor de carga da bateria representado na forma de uma escala de quatro LEDs azuis. Note que mesmo recém-saído da caixa, a bateria já tem alguma carga acumulada, o que é algo comum, já que as células de energia quando fora de uso por um longo período de tempo costumam se preservar melhor se forem armazenadas com alguma energia.

Em termos de funcionalidade, o PowerCore 10000 se limita ao básico — ou seja — ele possui uma entrada de energia de 5 volts na forma de uma porta USB Micro com tensão e corrente de entrada de 5V/2,0A e apenas uma saída na forma de uma porta USB do tipo A também com tensão e corrente de saída de 5V/2,4A.

Do outro lado podemos ver as suas especificações técnicas, número de série e certificações incluindo a da Anatel no canto inferior direito:

O PowerCore 10000 incorpora o chamado PowerIQ 1.0, que é uma tecnologia de recarga inteligente desenvolvida pela própria Anker que tenta identificar o dispositivo que está sendo recarregado e aplicar a corrente mais adequada (como 2,1 A ou 1 A).

Fora isso, ela também conta com a tecnologia VoltageBoost que — segundo a empresa — ameniza os efeitos da resistência natural a passagem de corrente elétrica do cabo USB “suavizando” a saída de tensão, permitindo assim uma maior velocidade de recarga.

De fato, para melhorar a eficiência na recarga de dispositivos móveis, a empresa também recomenda a sua linha de cabos Powerline/Powerline+ cujo principal atrativo (além da variedade de tipos, durabilidade, comprimento etc.) seria exatamente sua menor resistência elétrica, permitindo assim um melhor fluxo de corrente e, consequentemente, recargas mais rápidas:

Como é comum nesse tipo de produto, o PowerCore 10000 não vem com carregador de tomada de modo que a sua recarga pode ser feita tanto com a ajuda de um dispositivo da própria Anker quanto de um terceiro, o que pode influenciar ou não num maior ou menor tempo de recarga:

Falando nisso, vale a pena ressaltar que esse produto não possui o recurso de passthrough charging — ou seja — quando ele estiver ligado na tomada, sua porta USB de saída é desativada, impedindo assim que outro dispositivo móvel possa ser recarregado ao mesmo tempo, o que pode não ser do agrado de um usuário móvel mais fominha, mas isso foi feito exatamente para preservar as células de energia do PowerCore 10000.

Fora isso, a empresa também afirma que o seu circuito interno possui proteção contra curto-circuitos, aumentando assim a sua segurança de uso.

Com relação a sua capacidade de recarregar outros dispositivos, a empresa afirma na própria embalagem do PowerCore 10000 que o seu produto armazena 10.000 mAh

o que equivaleria ao mesmo que 4 vezes a carga

de um dispositivo móvel de 1.810 mAh (= iPhone 6?):

De maneira bem simples — e se o nosso raciocínio estiver correto — o que as informações acima nos dizem é que, na teoria, é possível recarregar um dispositivo com bateria de 1.810 mAh pelo menos quatro vezes. Daí podemos concluir que o PowerCore 10000 pode fornecer algo como 7.240 mAh de energia (ou 1.810 mAh x 4) — ou seja, foram consumidos apenas 72,4% da carga anunciada pelo fabricante — ou seja — cadê os 2.760 mAh que faltam dos 10.000 mAh anunciados pela Anker?

Calma… Antes de mais nada é importante levar algumas coisinhas em consideração.

A primeira delas é que 10.000 mAh se refere à capacidade total de armazenamento das suas três células de energia. Como elas estão ligadas a um circuito regulador de voltagem (que também realiza outras funções “inteligentes”), este deve consumir/dispersar alguma energia, de modo que deve haver perdas no processo de transferir a carga das células para o dispositivo móvel, mesmo que sejam mínimas.

Fora isso, como já dissemos antes, carregar uma bateria até o gargalo e depois sugar dela até sua última gota de energia costuma estressar o mesmo e até reduzir a sua vida útil.

Esse comportamento por sinal é mencionado no site Battery University, onde num trecho do tópico BU-808: How to Prolong Lithium-based Batteries eles fazem a seguinte observação (segundo o Google Translator):

Semelhante a um dispositivo mecânico que se desgasta mais rapidamente com o uso pesado, a profundidade da descarga (Depth of Discharge ou DoD) determina a contagem de ciclo da bateria. Quanto menor a descarga (baixo DoD), maior a duração da bateria. Se possível, evite descargas completas e carregue a bateria com mais frequência entre os usos.

A tabela abaixo estima o número de ciclos de carga/descarga que a bateria de íons de lítio pode fornecer em vários níveis de DoD antes que a capacidade da bateria caia para 70%. O DoD constitui uma carga completa, seguida de uma descarga para o nível de estado de carga indicado (SoC) na tabela.

Tabela 2: Ciclo de vida em função de profundidade de descarga (Depth of discharge ou DoD)* Uma descarga parcial reduz o estresse e prolonga a vida útil da bateria, assim como uma carga parcial. Temperaturas elevadas e altas correntes também afetam a vida útil do ciclo. Nota: 100% DoD é um ciclo completo; 10% é um clclo muito breve. Fazer ciclos de recarga num estado médio de carga produziria a melhor longevidade.

Dai, o nosso palpite é que para garantir que o PowerCore 10000 funcione da maneira correta e pelo máximo de tempo possível, a Anker pode ter optado por não forçar demais as células da bateria, cortando o fornecimento de energia quando o nível de energia caísse abaixo de um certo limite que não seria exatamente 0%.

Outra dica interessante do Battery University é que o usuário não espere a bateria do PowerCore 10000 (ou mesmo do smartphone) zerar para fazer uma recarga completa, optando por completar a carga da mesma sempre que possível.

Para não ficar só na teoria, resolvemos fazer alguns testes com essa bateria, só que em vez de ficar carregando e descarregando smartphones, optamos por utilizar uma engenhoca que estava encostada aqui na Zumo-caverna batizada de Mini Discharge USB Load Resistor Current Tester da SMAKN que — como o próprio nome sugere — aplica uma carga resistiva numa porta USB, permitindo assim um consumo constante de energia por longos períodos de tempo:

Nagano comenta: Alguns críticos não gostam dessa abordagem por não considerá-la uma representação da realidade. Mas pela nossa (longa e eletrizante) experiência com testes de no-breaks, a idéia por trás dessa metodologia é de apenas estabelecer uma referência de consumo que não ficará obsoleta de um ano para outro à medida que os smartphones evoluem.

Fora isso, os resultados obtidos por esse método poderão ser usados por este ZTOP+ZUMO para comparar o desempenho essa bateria com outras que poderemos testar no futuro, ou seja, não usaremos esses dados para contrariar o que foi declarado pelo fabricante.

Já para monitorar o consumo de energia, utilizamos outra engenhoca — o USB Power Monitor V3 — fabricada pela inglesa PortaPow

… que é capaz de monitorar a passagem de energia pela sua interface USB em volts, amperes e também em mAh, cujos valores acumulados podem ficar armazenados dentro de registros de memória não volátil:

Dai o que fizemos foi carregar completamente o PowerCore 10000 e ligá-lo no PortaPow que, por sua vez, foi ligado ao Mini Discharge USB Load Resistor Current Tester (regulado para consumir 2,1 A) e deixamos a bateria funcionar até se esgotar, anotando o consumo em mAh no fim de cada ciclo de teste, sendo que depois de várias medições, chegamos a uma média de 6.152 mAh.

Esse resultado é bom? Ruim? — Difícil dizer porque não sabemos a maneira como a Anker realizou os testes deles e nem pudemos abrir a bateria para analisar o seu circuito e as características técnicas das suas células de energia porque o gabinete está (muito) bem colado.

De qualquer modo, se nossas contas estiverem corretas, esses 6.152 mAh seriam capazes de recarregar (na teoria) ~3,4 vezes o dispositivo com a tal bateria de 1.810 mAh, o que não estaria muito longe das 4x vezes anunciadas pela Anker e — cá entre nós — 3,4X ou 4X, qual a diferença na vida real?

De qualquer modo, ainda achamos que o PowerCore 10000 deve ser uma opção de compra a ser considerada, em especial no que se refere a sua apresentação, padrão de construção, procedência e suporte local.

Mas se levarmos em consideração os outros modelos ofecidos pela Anker no Brasil (embaixo) o PowerCore 13000 nos parece ser a melhor relação de custo x benefício já que, por R$ 30 a mais, o usuário leva para casa ~30% a mais de carga e a possibilidade de recarregar dois dispositivos ao mesmo tempo.

Astro 6700 PowerCore 10000 PowerCore 13000 PowerCore 20100
Preço sugerido R$ 180 R$ 220 R$ 250 R$ 320
Capacidade 6.700 mAh /

24,1 Wh

10.000 mAh /

36,0 Wh

13.000 mAh /

46,8 Wh

20.100 mAh /

72,36 Wh

Porta de entrada 1 xUSB mini 1x USB mini 1x USB mini 1x USB mini
Porta(s) de saída 1x USB A 1x USB A 2x USB A 2x USB A
Tensão/ Corrente de Entrada 5V x 1A 5V x 2A 5V x 2A 5V x 2A
Tensão/ Corrente de Saída 5V x 2A 5V x 2,4A 5V x 3A
(3A por porta)
5V / 4,8A
(2,4A por porta)
Dimensões 2,3 x 4,3 x 9,6 cm 2,2 x 6,0 x 9,2 cm 2,2 x 8.0 x 9,7 mm 2,2 x 5,8 x 16,6 cm
Peso 125 gramas 180 gramas 225 gramas 356 gramas

 

Mas se você é um daqueles que acha que carga de bateria é que nem dinheiro — ou seja, você sempre acha que nunca tem o bastante e vive sonhando em ter mais — por que não chutar logo o balde e partir para o PowerCore 20100 com seus 20.100 mAh?

 

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.