Android Wear: 2007 tudo de novo

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Num dia qualquer de 2007, o Google e a Open Handset Alliance mostraram o Android, sistema operacional open source com inúmeros parceiros de hardware. Sete anos depois, o mesmo Google e a equipe do Android anunciam a chegada do Android Wear, plataforma baseada no OS do Google para dispositivos vestíveis.

O Google, óbvio, mostrou o básico: o Android Wear mostra informações úteis/notificações, responde a comandos de voz com “OK Google”, ajuda a monitorar a saúde e permite controlar itens do seu smartphone a partir do pulso (E “OK Google” de novo para ouvir música ou enviar vídeo para a TV).

Mas vamos voltar ao passado e lembrar como era a carinha do primeiro Android, quer dizer, da primeira interface divulgada pelo Google na época:

android-screenshot (1)

Ou até mesmo do primeiro vídeo que fiz com um Android-protótipo ainda em 2008.

Voltando a 2014: esta é a proposta do Android Wear da Motorola, chamado Moto 360:

Moto 360 Cafe

Ou o da LG, com o LG G Watch:

LG_G_Watch

E a apresentação oficial (em inglês) do Google:

Baita evolução de “primeiro conceito” entre produtos de um mesmo ecossistema em apenas sete anos, certo?

E por que estamos em 2007 de novo?

É um jeito interessante de o Google incentivar o ecossistema de fabricantes com algo novo e interessante. Eu rejeito smartwatches porque não vejo sentido neles do jeito que são hoje – feios, com baterias ineficientes, recursos defasados e presos a um único fabricante (Samsung, Sony, estou falando com vocês).

Se quero ver as horas ou as notificações do celular, tiro do bolso e pronto. Se não mexi/testei nos Samsung Gear e Sony Smartwatch é pela simples ideia de que esses produtos não oferecem nada demais (a única exceção é o Pebble, mas não vende no Brasil). Pelas demos do Android Wear, isso pode mudar pela funcionalidade, mas ainda acho esquisito usar um relógio.

Pelo menos a Motorola, com o Moto 360, cumpre a promessa de um smartwatch bonito, conforme prometido no MWC. Não é o primeiro gadget que a Motorola faz com a tela redonda.

E é curioso ver a lista de apoiadores da plataforma Android Wear: fabricantes de hardware (Asus, Motorola, LG, Samsung), de chips (Qualcomm, Intel, MediaTek) e até de relógios tradicionais (Fossil):

Screen Shot 2014-03-18 at 3.27.20 PM

Interessantíssimo ver a Samsung na lista (já que os Gear novos rodam Tizen) e não ver a Sony, tradicional parceira Android. E a Qualcomm, que tem seu projeto TOQ pra Android. Além disso, se é uma plataforma aberta a demais interessados, será que podemos (numa especulação louca) ver no futuro aparelhos inteligentes vestíveis de fabricantes que usam Android sem serviços Google (como Amazon e Nokia e zilhões de OEMs chineses?).

Minha aposta: não, para evitar a propagação de fabricantes de origem duvidosa, mas espero que um Moto 360 consiga “falar” com um Samsung Galaxy S5, por exemplo. Integração da plataforma é necessária para expandir o tal ecossistema, certo? E com poucos parceiros, dá para crescer de forma mais orgânica e controlada (ao contrário do Android, que se espalhou mundo afora no modo “qualquer OEM faz” e só agora começa a se estabilizar na questão da fragmentação).

Como os aparelhos mesmo só começam a ser vendidos no meio do ano, vai ser interessante acompanhar essa nova evolução do Android. E fica a dúvida do milhão: o Google fala em “dispositivos vestíveis”, mas só mostrou relógios inteligentes. O que mais vem por aí? Façam suas apostas.

Sobre o autor

Henrique Martin

Henrique Martin é o fundador do ZTOP+ZUMO e da newsletter de tecnologia Interfaces. Já escreveu na PC World, PC Magazine, O Estado de São Paulo, Folha de S. Paulo e criou o ZTOP+ZUMO em 2007, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC.

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