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Como serão os notebooks Ultraslim da AMD?

Segundo o pessoal de Sunnyvale, os fabricantes de notebooks tem liberdade de fazer o que quiserem com seus projetos  baseados na plataforma AMD, menos deixar que o gabinete deforme com o seu próprio peso ou queime o colo do consumidor.

Na semana passada, a AMD anunciou a chegada oficial dos novos processadores Fusion de segunda geração (codinome “Trinity“) ao Brasil, com previsão de que os primeiros modelos cheguem às lojas a partir do segundo semestre deste ano.

Segundo Ronaldo Miranda, vice-presidente, gerente geral da AMD para América Latina e chapa deste Ztop, desde a sua chegada na AMD Brasil, os negócios da empresa têm apresentado um bom desempenho aqui no país, especialmente no segmento de computadores de entrada (de até R$ 1.299), onde os produtos da linha Brazos venderam bem desde o seu lançamento — e que agora com a chegada do Trinity, é chegado o momento de entrar de cabeça no “mercado do meio” isto é, computadores mainstream na faixa dos R$ 1.300 até R$ 2.000.

Porém, a boa notícia é que o executivo acredita que o consumidor brasileiro já está chegando em um nível e amadurecimento que começa a exigir algo a mais do que apenas preço baixo e facilidade de pagamento. Durante sua apresentação, Miranda fez uma interessante comparação do mercado de PCs com o nosso mercado de carros, em especial o de modelos populares.

Na época do seu lançamento, o chamado “carro popular” nada mais era que um modelo de entrada/básico com apenas o essencial (sem retrovisor direito, acendedor de cigarros, quebra-vento fixo, poucas e/ou nenhuma opção de cor, etc.) e equipado com um raquítico motor de até 1.000 CC que poderia nem ser lá grande coisa para um motorista, mas poderia ser muito para quem só anda a pé.

O mesmo pode ser dito dos mercado de notebooks baratos, em especial os netbooks que, apesar das suas limitações também criaram a oportunidade única para que muitos tivessem acesso ao seu primeiro computador.

Mas apesar dos seus méritos na área social e até mercadológica, o grande problema em ambos os casos é que apesar do preço atrativo e fácil acesso, a experiência de uso em si nem sempre é das melhores, mas isso só é percebido após a aquisição do bem na hora de sofrer com uma ultrapassagem na estrada ou passar horas na web na frente de uma telinha de 7 polegadas.

E no mercado de computadores mainstream o cenário também não é muito melhor, já que a maioria dos produtos no geral não deixam de oferecer “a mesma experiência” com uma coisa a mais ou a menos que determina o seu preço, algo comum entre os carros médios da décadas de 1970~1990.

E o que vemos hoje no mercado de carros é que o consumidor que já teve a sua primeira experiência de consumo, começa a desejar exigir uma melhor experiência de uso mesmo nos modelos de entrada, o que forçou as montadoras a investirem em produtos diferenciados que oferecem uma melhor dirigibilidade, aliada a uma boa relação de custo x benefício.

E segundo esse raciocínio, Miranda afirma que com o Trinity, a AMD também poderá oferecer para seus clientes uma plataforma capaz de oferecer ao mesmo tempo, uma experiência de uso diferenciada combinado e um preço atrativo.

Resumindo: o executivo acredita que de agora em diante, o consumidor estará levando em consideração outros fatores como boa apresentação/estilo e novas funcionalidades/recursos além do preço. E é dai que vem toda a motivação e esforço de empresas — incluindo a própria Intel — de promover a sua nova plataforma de computadores leves e finos — os “Ultrabooks“.

Sobre essa iniciativa, Miranda reconhece que ela faz muito sentido —  ao ponto da AMD também ter criado sua própria iniciativa batizada de UltraSlim. Mas, ao contrário do pessoal de Santa Clara, a AMD não irá ditar as regras, muito menos impor limites aos fabricantes de como desenvolver suas máquinas. “Nós só vamos fornecer o motor e ajudar a desenvolver a mecânica”, conclui o executivo.

De fato notamos que não existe nem um consenso de como chamar essa plataforma já que dependendo da fonte, o Ultraslim também está sendo chamado de Ultrathin e até de Sleekbook.

Quem abriu um pouco mais sobre esse assunto foi Roberto Brandão, gerente de tecnologia da AMD para a América Latina que apresentou mais detalhes técnicos da plataforma Trinity sendo que a maioria delas nós já havíamos divulgado na época do seu lançamento nos EUA.

Segundo Brandão, a plataforma móvel do Trinity é chamada “Comal” e que vai suceder a atual plataforma “Sabine” com processador “Llano”. Segundo o executivo, ambas as plafaformas ainda irão conviver por alguns tempo mas a tendência é que o Llano saia do catálogo da empresa em poucos meses e os últimos estoques sejam vendidos até o final deste ano ou seja, uma migração bastante gradual.

Interessante notar que o segmento de entrada/baixo consumo não será atendido pelo Comal, e sim por uma versão atualizada do Brazos que será chamada de (surpresa! surpresa!) Brazos II. Além de melhorias no desempenho e menor consumo, as mudanças mais significativas do novo Brazos será a incorporação da tecnologia de estabilização e melhora de imagem, também presente no Trinity.

Como já haviamos comentado, com a chegada do Trinity haverá uma boa mexida na linha de produtos da série “A” com a introdução de um novo modelo A10 topo de linha e de uma nova versão do A6 que deixa de ser quadcore para se tornar um dual-core. Segundo Brandão, não se trata de um chip com núcleos dormentes como já aconteceu no passado com os Phenom x3, mas quem sabe no futuro?

Já para os modelos ultrafinos, a AMD prepara uma série de modelos de baixo consumo — de 17 watts até 25 watts — todos com encapsulamento BGA e que irão ser soldados diretamente sobre a placa-mãe o que vai ajudar na economia de espaço do equipamento. Note que a empresa também terá APUs de baixo consumo para as séries E e Z sendo que este último será direcionado para o mercado de tablets (o Henrique viu um na última Computex).

E para não oferecer apenas mais do mesmo, a AMD também apresentou algumas tecnlogias que também serão implementadas nos seus modelos ultrafinos. Destaque para o AMD Wireless Display, que permite transmitir o conteúdo de vídeo de um computador para uma TV via Wi-fi e um adaptador compatível.

E o Lightning Bolt, uma curiosa proposta de interface de alto desempenho que combina as características do USB 3.0 e DisplayPort 1.2 em uma única conexão permitindo assim ligar discos externos, teclado, mouse, leitores de DVD, rede, docking stations e até vários monitores (via tecnologia EyeFinity) usando apenas um cabo ligado no portátil, posicionando-se assim como uma alternativa de menor custo ao Thunderbolt.

Mas com tanta liberdade e flexibilidade assim, chegou uma hora durante a apresentação que perguntei para Brandão quais são as regras de fato que eles estão exigindo das empresas para que elas fizessem parte da iniciativa Ultraslim? Ele diz que, antes de mais nada, que prevaleça o bom senso: “não será por causa de um ou dois milímetros na altura do equipamento que nós vamos pegar no pé de algum fabricante”.

As únicas coisas que a AMD vai realmente exigir dos fabricante é que seus projetos fiquem dentro de algum limites no que se refere ao seu padrão de construção e geração de calor: o equipamento não deve esquentar muito ao ponto de tornar o seu uso desconfortável e o gabinete deve ser sólido o bastante para que a máquina não ceda com o seu próprio peso, caso seja segurada aberta em um dos cantos.

Fora isso, o selo Vision prateado somente será usado nesses modelos leves e finos com processador de baixo consumo soldado na placa-mãe.

Quem quiser informações mais detalhadas sobre as especificações desses novos chips pode clicar aqui, aqui e aqui — mas já vamos avisando: essa curiosidade pode fazer mal para seus olhos.

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.