AMD se divide em duas: AMD e The Foundry Company

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Pergunta: o que a AMD vai ter em comum com a NVidia e a VIA technologies?

Resposta: todas desenham chips, mas deixam a produção na mão de terceiros.

Mais uma: e quem deve estar soltando fogos lá em Santa Clara e trocando a sobremesa de gelatina por bolo com vinho espumante no menu da cantina?

Resposta: nah, deixa pra lá.

Segundo nota publicada no site da AMD, a empresa de Sunnyvale irá criar uma nova empresa — temporariamente chamada The Foundry Company — que ficará com as duas megafabs da AMD na Alemanha e sua futura terceira unidade em construção em Nova York.

Nessa transação a AMD irá receber uma bolada de US$ 700 milhões em dinheiro vivo da ATIC (Advanced Technology Investment Company , uma empresa de investimentos de Abu Dhabi) que irá ficar com 55,6 % do novo empreendimento e que ainda levará de brinde Hector Ruiz, ex-CEO da AMD, para assumir o cargo de chairman.

Fora isso o pessoal de Abu Dhabi irá aumentar sua participação na AMD — dos atuais 8,1% para 19,3 % — adquirindo 58 milhões de novas ações da empresa pela bagatela de US$ 314 milhões com garantia de compra de mais 30 milhões, o que também lhes dará direito de indicar um representante na mesa de diretores da empresa.

Segundo Dick Meyer, presidente e atual CEO da AMD, esse anúncio irá permitir que sua empresa se concentre no core business de seu negócio — a pesquisa e desenvolvimento de chips — sem a preocupação (e os pesados invetimentos) de manter uma fábrica de semicondutores.

Creio que uma vantagem dessa iniciativa é que a AMD poderá ter alguma prioridade nos seus pedidos de produção para a Foundry Company, o que poderia não ocorrer se ela dependesse de outra fabricante sem nenhum grau de parentesco.

Pode parecer algo ruim para uma empresa do Texas que um dia decidiu deixar de produzir apenas cópias de chips Intel e partir para o desenvolvimento de idéias próprias, elegantes e até avançadas para o seu tempo. Chips que, por muito tempo, sapateavam em volta do concorrente de Santa Clara em desempenho até a chegada da microarquitetura Intel Core e sua estratégia “Tick-Tock” que transformou a pesquisa e desenvolvimento de novas microarquiteturas numa verdadeira linha de produção, garantindo inovações significativas praticamente a cada ano.

O dia de hoje também pode ser o renascimento de uma empresa mais ágil, enxuta e mais focada no seu principal patrimônio: sua tecnologia.

GO! GO! AMD!!!

Sobre o autor

Mário Nagano

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World.
Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

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