AMD diz ter 20% do mercado brasileiro de notebooks

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Com o mercado de computadores ainda crescendo no Brasil, a AMD conquistou, em 2011, 20% da fatia de notebooks vendidos no país. Começou o ano com 7%; a meta era chegar a 15%, de acordo com Ronaldo Miranda, vice-presidente e gerente geral para América Latina da AMD, que falou com a imprensa esta semana.
Ronaldo Miranda, velho conhecido e chapa deste ZTOP desde os tempos de Intel e Samsung, tem planos para o futuro: Dobrar de tamanho na América Latina. Para isso, terão de triplicar o faturamento no Brasil. E a empresa garante que tem uma estratégia para funcionar.

Ponto um, já em operação: adequar a margem de lucro. A lógica da AMD é simples: se não vender chips mais baratos, inviabiliza o negócio dos fabricantes de PCs (principalmente os menores, que têm mais dificuldade de negociar descontos). Inviabilizando o negócio dos parceiros, no longo prazo, corre o risco de sumir também.

Ponto dois: investir em novos produtos e parceiros em 2012. Produtos? Sim, mais finos (olha os ultrabooks aí, gente!) e com melhor bateria, “mas na faixa de preço que o consumidor quer pagar”, afirma Miranda. Parceiros? Desde que assumiu a AMD, a fabricante retomou antigos parceiros e clientes (como Philco, Positivo, Samsung, Lenovo, Asus, Megaware, por exemplo) e volta a ter um programa de canais para treinar, certificar e gerar conteúdo para o parceiro, que leva essa informação para o comprador na loja.

“Decidimos não ser mais seguidores da Intel, e sim antagonistas. Oferecer produtos de alta tecnologia, mas sem seguir o modelos dos últimos 40 anos”, afirmou Miranda. Sobre o crescimento, diz que “comecei o ano com 7% de market share em portáteis, cheguei a 20% e nossa meta era de 15%. Como os fabricantes me conhecem há 20 anos, acabaram me dando um crédito, uma abertura, muito antes do que eu imaginava. Em desktops, continuamos girando em torno dos 23%. Meu foco inicial era crescer mesmo em notebooks, porque a gente estava muito para trás.”

Henrique comenta: A “culpa” pelo crescimento da AMD no Brasil também é da plataforma Vision. Percebemos que o aumento de mercado em notebooks se deve ao bom custo/benefício das APUs AMD (como o Sony Vaio Y e o Lenovo G475) – isso é o consumidor que diz – e a certa lentidão da concorrência em entender que diabos é uma APU e por que ela pode ser interessante para o comprador (isso são nossas fontes de mercado que comentam).

E o PC, como fica? “O PC continua sendo o mercado principal, porque todas as projeções que a gente tem é que ele continua muito forte, principalmente nos mercados emergentes, a demanda ainda é enorme, tanto do consumidor final quanto de pequenos e médios negócios”, explicou Miranda.

“Só que os devices alternativos estão ai, por isso temos a humildade de enxergar o que o usuário quer comprar. Embora nosso foco seja no mercado de PC, queremos estar abertos para,se o usuário quiser alguma coisa diferente, a gente poder oferecer. Ao contrário do discurso do passado.”

Na sequência, Miranda faz um comentário bastante interessante: “A única empresa do mundo que pode ficar brincando hoje com x86, ARM, é a AMD“. Como assim ARM? (sim, já tínhamos visto a ARM negando qualquer relação com AMD recentemente) – chute nosso: Windows 8 + tablets com ARM em 2012. Mas é só um chute.

Nagano comenta: Curiosamente, Miranda foi bastante aberto sobre a relação da sua empresa com a ARM. Ele disse que é tudo uma questão de demanda do mercado e caso eles vislumbrem uma oportunidade, nada os impede de assinar uma licença e lançar uma solução (um Fusion com ARM?) no mês seguinte.

Segundo ele, sua empresa é uma das únicas no mercado com essa flexibilidade, já que a NVidia não pode desenvolver produtos baseados em x86 porque não tem a licença e a Intel não irá produzir ARM por uma questão estratégica (chamada Atom).

“E se um dia resolvermos criar um chip com x86 + ARM + GPU Radeon na mesma pastilha de silício — sem problema! E essa é a grande vantagem de ser uma empresa fabless (sem fábrica de chips)”, explicou o executivo.

Ainda sobre o mercado do computador pessoal: “O PC ainda tem muitos anos de vida, é nossa vaca leiteira, e muitos parceiros dependem da gente para seguir nesse mercado. Eu não empurro mais CPU de 200 dólares pra ninguém, eu tenho esse produto mas é um nicho. É isso que o mercado não precisa mais: de alguém que fica empurrando um chip que ninguém (ou muito pouca gente) quer pagar.”

“Eu posso fazer isso porque eu não tenho 40 fábricas pra sustentar. É lógico que eu queria só vender CPUs de 200 dólares, como a HP, a Dell, querem só vender máquinas de R$ 5 mil. Mas quem quer pagar? É por isso que a gente acordou. Não queremos ser uma empresa como a Nokia que tomou um choque, a gente se deu esse choque antes de algo ruim acontecer. Eu sai de 7% para 20% porque eu ofereci aos fabricantes a oportunidade de vender máquina de R$ 999 e ainda ter lucro. A margem obviamente não é a mesma de uma máquina de três mil, mas eles não precisam mais tirar dinheiro do bolso para vender essas máquinas.”

A conclusão: “E não podemos esquecer que estamos cheios de primeiros compradores no mercado. E o que a indústria faz é esquecer que essa pessoa vai comprar uma nova máquina depois. É como a história do carro 1.0 — tem muita gente que tem uma experiência ruim com a máquina de entrada e depois nunca mais quer saber da marca. A minha vantagem é que tenho um produto que, além de bom, ainda é barato!”

Legal né?

Sobre o autor

Henrique Martin

Henrique Martin é o fundador do ZTOP+ZUMO e da newsletter de tecnologia Interfaces. Já escreveu na PC World, PC Magazine, O Estado de São Paulo, Folha de S. Paulo e criou o ZTOP+ZUMO em 2007, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC.

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