AMD AM1: uma aposta nos desktops muito baratos

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A AMD lança hoje sua plataforma AM1 para desktops de entrada e que traz de volta as marcas Athlon e Sempron para os chips APUs da companhia de Sunnyvale.

Soa esquisito investir em a PCs de mesa baratos, mas a AMD diz que isso ainda faz algum sentido em mercados emergentes, como o Brasil, e com preços muito lá embaixo (só a APU, em uma das versões mais simples, tem preço inicial em US$ 39).

Fato é que, com a ascensão dos smartphones e tablets (e, no Brasil, tablets já são mais populares que notebooks nas lojas), por que alguém compraria um desktop?

Dados do IDC citados pela AMD dizem que desktops de entrada representam 38% do segmento…

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“O AM1 traz uma APU com soquete para o mercado de desktops de entrada”, explica Roberto Brandão, diretor de engenharia da AMD América Latina. Na prática, é uma APU “Kabini” repensada para PCs de mesa – um mercado grande na região (e com mais de 20 mil integradores de máquinas).

Nagano comenta: Uma coisa que sempre me deixou encafifado foi porque as placas-mãe ITX com AMD Kabini como a Asrock FT3-4C (embaixo)  nunca chegaram ao mercado (ou pelo menos em quantidade).

AMD_Kabini_ASRock_FT3-4C_mini

Agora entendi. 🙂

Mas eu particularmente sempre acreditei que uma placa-mãe com chip soldado poderia sair até mais barato por dispensar o soquete e um encapsulamento maior e mais elaborado (de fato, cheguei a falar sobre isso nos comentários desse post).

Para tirar essa dúvida eu acabei de conversar com um colega e chapa meu do segmento de hardware/componentes e o que ele me disse é que o fato do processador vir ou não na placa-mãe pode sim fazer a diferença, dependendo da maneira como ele é importado e/ou onde é fabricado.

Por exemplo — ele me explicou que no Brasil o imposto de importação de uma CPU é muito baixo (se não é zero), mas só que essa redução de custo não se aplica no caso de uma placa-mãe com o processador soldado. Isso porque o custo bruto da CPU se junta aos outros componentes da placa fazendo com que o integrador pague imposto sobre tudo — incluindo a CPU!

Assim, uma placa mãe sem processador, seria mais simples e mais em conta para fabricar, e por custar menos também pagaria menos imposto. Daí vale a pena trazer a placa de fora (montada ou semi-montada) de fora e só colocar o chip a APU da AMD aqui no Brasil.

Fora isso, é preciso lembrar que uma APU nos dias de hoje é praticamente um SoC (System on a Chip) de modo que não existe mais aquela dependência direta como havia no passado entre a CPU e o chipset da placa mãe (que por sinal, nem mais existe nessas placas-mãe com APU “Kabini”) o que faz com que elas sejam quase um “benjamim” para a APU, ou seja, uma base física onde o são soldados os soquetes de memória e as portas de rede, som, vídeo, USB, etc.

Assim, se a AMD garantir que o soquete AM1 tenha uma longa vida, a idéia do upgrade passa a fazer sentido.

É bom conversar com quem manja, né?

O que diabos um consumidor faz com seu desktop em 2014? E-mail, internet, músicas e produtividade básica, mais games casuais:

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53532A_Kabini_Die_angled_reflection_WHITENa parte técnica, o AM1 (acima) é um SoC com quatro núcleos “Jaguar” e GPU Radeon integrada (com suporte a DirectX 11.2, OpenGL 4.3 e ES 3.0) e duas portas USB 3.0, oito USB 2.0 e duas SATA de 6GB. O desempenho energético (TDP) é de apenas 25 watts, e a AMD informa que o sistema roda Windows nas versões “descanse em paz” XP, 7 e 8/8.1 em 32 ou 64 bit.

Em parceria com fabricantes de placas-mãe como Asus, MSI, ASRock, BioStar e Gigabyte, a plataforma AM1 será oferecida em placas apenas de formatos Mini-ITX e Micro-ITX – para ser um desktop pequeno mesmo – e nada de grandes fabricantes de hardware envolvidos com a plataforma ainda.

O lançamento oficial foi feito hoje (9), e as primeiras placas compatíveis e a APU devem chegar até o final do mês às lojas no Brasil, de acordo com a AMD, sem preço divulgado em reais. Um anúncio prévio da plataforma foi feito no começo de março.

Vale notar que a plataforma AM1 será vendida apenas em mercados emergentes – América Latina, partes da Europa Oriental e da Ásia. Nada de Estados Unidos e outros mercados maduros (ou consolidados).

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“Queremos ocupar esse mercado de entrada com um produto de grande desempenho e ótimo preço, e o chip em soquete é essencial nessa estratégia, já que permite upgrades futuros e a vida útil mais longa da placa-mãe. É um baita produto econômico”, comentou Matt Davis, gerente de marketing técnico da AMD, em Austin, na apresentação do produto na semana passada.

E aí fica a pergunta do milhão: as marcas Athlon e Sempron de volta, mas digamos que Sempron não é exatamente a marca mais desejada pelo consumidor (vide exemplo do Intel Celeron, que vive escondido em notebooks baratos… sob a marca Intel!).

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“As marcas são fortes, apesar dos sentimentos negativos de alguns mercados. Aqui estamos de olho não no mercado de alto desempenho, mas queremos atingir a faixa de preço abaixo de 60 dólares”, disse Davis. E, sim, são chips baratos. A AMD vai oferecer quatro opções de APU (três quad-core, um dual-core)…

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…com preços muito baixos: os mais caros são os Athlon 5350/5150, com preço sugerido de US$ 59/49, respectivamente (adicione algo em torno de 25 a 35 dólares por placa-mãe e fica abaixo dos US$ 100) e US$ 39 para o Sempron 3850 (o preço do Sempron 2650 dual-core não foi divulgado).

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A AMD diz que diversos recursos de software integrados ajudam a melhorar a experiência do consumidor com a plataforma AM1, como melhoria de imagem em HD, estabilização de vídeo, aceleração de apps compatíveis (e da navegação na internet, assim como streaming de vídeos pela rede).

Na teoria, a AM1 consegue dar saída de vídeo em formato 4K, mas apenas para mostrar o desktop/navegador, e não reproduzir vídeos nesse formato (como dá para ver na imagem abaixo):

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Um exemplo lado a lado da estabilização de vídeo desativada/ativada:

Outro exemplo de solução interessante de software (a ser liberada no segundo semestre otimizada para o AM1) é a virtualização de Android sobre Windows da Bluestacks, permitindo rodar apps (e jogos!) Android dentro do OS da Microsoft, sem ter que dar reboot (solução inteligente, já que Android x86 foi desenvolvido pela (e para) processadores Intel…).

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Em vídeo:

No fim das contas, a plataforma AM1 é uma aposta ousada da AMD no Brasil e em mercados que ainda precisam de PCs (e tablets, smartphones, notebooks) para inclusão digital.

E é uma aposta necessária, já que a empresa enfrenta uma fase de mudanças (com inúmeras demissões no escritório brasileiro, por exemplo, e a saída de Ronaldo Miranda da companhia). Tentou o tempo todo em Austin passar a mensagem de que “tudo mudou para melhor por lá” – está presente nos três consoles (Xbox One, PlayStation 4, Wii U), nos novos Mac Pro e com a plataforma Kaveri e novas placas de vídeo Radeon super-hiper-topo de linha.

A sensação que deu no fim das contas foi que, sim, as coisas ainda estão mudando, e a AMD ainda se adapta a isso. A plataforma AM1 é o primeiro sinal prático dessas mudanças.

DISCLAIMER: ZTOP viajou a Austin a convite da AMD. Todas as opiniões são nossas. 

Sobre o autor

Henrique Martin

Henrique Martin é o fundador do ZTOP+ZUMO e da newsletter de tecnologia Interfaces. Já escreveu na PC World, PC Magazine, O Estado de São Paulo, Folha de S. Paulo e criou o ZTOP+ZUMO em 2007, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC.

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