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Review: Acer Aspire Nitro 5 (parte 2 de 2 — software e desempenho)

Em um mercado marcado pela mesmice dos produtos, o Acer Aspire Nitro 5 é uma volta aos bons tempos em que um computador tinha que ser antes de mais nada versátil, veloz e confortável.

[leia a parte 1 deste review]

Pronto para Realidade Combinada:

Como era de esperar de um produto voltado para o mercado de consumo, o Nitro 5 já vem com o Windows 10 Home de 64 bits

… que na sua versão mais recente — o chamado Fall Creators Update — já oferece suporte para o novo ecossistema de realidade combinada (ou Mixed Reality ) da Microsoft…

… sendo que o hardware do Nitro 5 está plenamente capacitado para suportar essa tecnologia:

Isso é particularmente relevante porque a Acer é uma das primeiras empresas no Brasil a trazer o oficialmente o seu kit de realidade combinada (WMR)…

… batizada de Acer Windows Mixed Reality Headset — Consumer Edition (modelo AH101)…

… que é um produto baseado no desenho de referência da Microsoft…

… cujo principal atrativo é que ele foi concebido para se integrar perfeitamente ao ecossistema de Mixed Reality do Windows 10:

A boa notícia é que o kit oferecido pela Acer já vem com dois controladores de movimento, ao contrário do concorrente que — curiosamente — ainda não oferece esse item por aqui, nem como opcional:

Fora isso, a Microsoft também inclui um aplicativo batizado de Visualizador de Realidade Misturada, que é uma espécie de introdução ao usuário para essa nova tecnologia, o que inclui outros produtos da casa como o Remix 3D e o Paint 3D:

Software Embarcado:

Fora isso, o Nitro já vem com diversos programas pré-instalados de fábrica como uma versão de avaliação do MS Office 365

… e do Norton Security:

Com relação aos aplicativos desenvolvidos pela própria Acer, a maioria delas são utilitários voltados para configurar e manter o sistema otimizado e atualizado, como o Acer Care Center

Que reúne em um único produto um resumo do sistema…

… um programa de análise/diagnóstico da bateria, disco e estado da rede…

… um sistema de otimização do sistema e limpeza de arquivos desnecessários (incluindo um desfragmentador de discos)…

… uma ferramenta de checagem e atualização de drivers de até da BIOS…

… e até um utilitário de backup e restauração do sistema:

Fora isso, a empresa ainda fornece outros utilitários específicos como o Acer Power Button que, como o próprio nome sugere, define a maneira como o botão de liga/desliga do Nitro irá se comportar:

Já o Acer Quick Access é uma aplicação bem mais interessante porque ela gerencia alguns recursos/funções meio ocultos do hardware do sistema, como o CoolBoost, que acelera a velocidade das ventoinhas para elevar a circulação do ar permitindo assim um resfriamento maior, o Bluelight Shield que é o notório filtro azul que cansa menos a vista e torna o uso da tela mais confortável e o Carregamento USB enquanto desligado que, como o próprio nome sugere, permite que um dispositivo com porta USB (como um smartphone) possa ser ligado na sua porta USB 3.0:

Na aba de wireless existe apenas um recurso que permite compartilhar a conexão de rede cabeada ou celular do computador para outros dispositivos como se fosse um ponto de acesso Wi-Fi, mas pelo que vimos ela apenas direciona o usuário para a função Hotspot Móvel do Windows 10.

Já o Acer UEIP (User Experinence Improvement Program) é plugin que monitora o uso do sistema e envia os dados de volta para a Acer para análises que possam ajudar a criar novas aplicações que melhorem a experiência de uso do usuário. Aparentemente é algo parecido com o Windows 10 Telemetry. Observamos que a participação desse programa e o envio de dados é opcional de modo que essa opção sai de fábrica desativada:

E para quem se pergunta para que serve esse tipo de informação, a Acer também inclui o chamado Acer Collection, uma “Smart Store” que analisa o hardware, preferências/configurações do sistema e até os programas já instalados para oferecer novos produtos sob medida para o usuário.

Sob Testes:

Como já dissemos na primeira parte dessa análise, a versão do Nitro 5 que recebemos para testes é a mais avançada (modelo AN515-51-75KZ ) equipada com um processador Intel Core i7-7700HQEsse é um chip quadcore de sétima geração (codinome Caby Lake) com tecnologia HT (= 8 núcleos lógicos) e clock de 2,8~3,8 GHz com 6 MB de cache e sucessor do Core i7-6700HQ (codinome Skylake) que graças ao uso do processo de fabricação de 14 nm+ permitiu elevar o seu clock em até 200 MHz mantendo o mesmo TDP de 45 watts do seu antecessor.

Fora isso, esse processador também incorpora uma aceleradora gráfica Intel HD Graphics 630 que, fora a velocidade pouco maior, não difere muito do HD Graphics 530 usado na geração anterior.

Essa GPU da Intel trabalha em conjunto com uma aceleradora gráfica discreta  GeForce GTX 1050 Ti da NVidia, que é uma GPU baseada na microarquitetura Pascal e utiliza o chip GP107 de 14 nm com clock de 1.493~1.620 Mhz fabricado pela Samsung e já vem com 4 GB de VRAM DDR5 e conta com 768 CUDA Cores, 48 Texture Units, 32  ROPs (Render Output Units):

Uma sacada interessante dessa solução é que o sistema seleciona pode selecionar automaticamente a GPU integrada ou discreta de acordo com a demanda de cada aplicação, sendo até possível determinar que programa com esta ou aquela GPU.

É sabido que o seu desempenho de um processador — seja ele uma CPU ou GPU — depende de um bom sistema de refrigeração e cooler para trabalhar a plena potência de modo que numa conversa com o Alexandre Ziebert, da NVidia, tivemos uma idéia bacana para verificar se o Nitro 5 era realmente um equipamento estável mesmo sobrecarregando o seu sistema por um longo período de tempo.

O que fizemos primeiro foi botar para funcionar o bom e velho Prime95, um notório programa criado para calcular números primos de Mersenne, mas que ficou famoso por estressar (e travar) muitas máquinas que outros testes não conseguiram, tornando-se assim um programa muito popular entre overclockers para verificar a estabilidade de seus sistemas.

Mas por uma sugestão do Ziebert nós também executamos ao mesmo tempo o FurMark 1.20, que é um programa desenhado para também estressar a GPU de modo que o sistema de refrigeração do Nitro 5 estaria trabalhando na sua capacidade máxima…

… sendo que os sinais vitais do sistema ficaram sendo monitorados em tempo real com o auxílio do programa GPUID HWMonitor:

Passados um dia (ou ~24 horas) o sistema manteve-se estável, apenas com uma pequena variação na velocidade no processador (2,694 GHz contra 2,792 GHz do início) o que pode indicar que os sistemas de proteção da CPU mantiveram o seu clock trabalhando no seu modo normal (~ 2,8 GHz) e até reduziram seu clock um pouco para garantir a estabilidade do sistema, não trabalhando no modo turbo. Note que no fim do experimento, a temperatura da CPU da Intel ficou na faixa dos 89~96°C e a GPU da NVidia em 83°C:

Durante os testes também tiramos algumas fotos térmicas para analisar como e onde se formavam as zonas de calor dentro do Nitro 5 (note que as regiões com tons mais puxados para o amarelo são as mais quentes):

Um detalhe que nos chamou a atenção foi o nível de ruído gerado pelos ventiladores quando trabalhando a todo vapor, o que não chega a ser algo irritante como a boa e velha GeForce “hair dryer” FX 5800 mas que pode ser percebida em ambientes mais silenciosos (como num escritório fora do expediente).

Não achamos esse problema particularmente grave já que muitos gamers irão estar envolvidos com a musiquinha/efeitos sonoros dos jogos ou mesmo estarem usando fones de ouvido, de modo que pelo menos vale a pena ressaltar que esse fenômeno ocorre, mas somente quando o sistema é mais solicitado. Nas atividade do dia a dia o seu nível de ruído é praticamente o mesmo de qualquer notebook de linha:

As regiões mais quentes do portátil ficam na região do irradiador de calor que chegou a 43,9°C, o que é um valor até que notável, mas que não se espalha pelo teclado ao ponto de incomodar o seu uso. A única sensação que temos é que essa região está mais “morna” que o resto do portátil e pelo que vimos não passa disso, mesmo depois de muitas horas de uso:

Só para se ter uma idéia a segunda área mais quente do portátil (depois de horas e horas de uso) foi a fonte de alimentação que bateu 47,4°C:

Já nos testes mais convencionais, no Windows Experience Index (um recurso que ainda existe, mas está oculto no Windows 10) o Nitro 5 performou muito bem no que se refere ao desempenho do processador e da memória. A pontuação em gráficos (7,7) que alguns podem achar modesto deve ter sido medida com a aceleradora HD Graphics 630 e não com a GTX 1050 Ti.

E como era de se esperar a menor pontuação veio do disco rígido devido ao fato dele ser do tipo convencional e não um SSD e puxou a pontuação geral do teste para 6,3 o que pode parecer um resultado ruim, mas vale a pena notar que o WEI sempre usa como referência o pior resultado dos seus sub-testes porque a idéia original da Microsoft quando lançou esse teste era de usá-lo para substituir os “requisitos mínimos de hardware” muito usado pelos vendedores de software.

Sob esse ponto de vista esse sistema de pontuação até faz sentido, mas não foi aceito pelos mercado — e em especial pelos fabricantes de hardware — porque eles querem valorizar os seus pontos fortes e não os fracos.

Aqui um teste específico do HDD, um WD Blue WD10SPZX da Western Digital de 1 TB e 5.400 rpm no Crystal DiskMark…

… e no HD Tune Pro 4.01 (opção Benchmark):

Acreditamos que o desempenho do Nitro 5 poderia ser até melhor com o uso de um disco SSD, mas isso poderia aumentar demais o seu custo de produção assim como reduzir a sua capacidade de armazenamento. De qualquer modo, como a Acer permite o upgrade de disco sem a perda da garantia, isso poderia ser uma opção a ser considerada.

Aqui os testes com o Cinebench R15

E com o WebXPRT 2013

… e do WebXPRT 2015 (ambos testes de HTML5):

Aqui os testes com o PCMark 8 no modo Home Conventional

… e Home Accelerated:

Aqui o PCMark 8 no Teste de Bateria bateria usando o modo Home Conventional onde o Nitro 5 bateu 2h41m47s

… e 2h14min122 no modo Home Accelerated. Para os padrões atuais esses resultados podem parecer modestos, mas não acreditamos que eles desqualifiquem um equipamento que sabidamente vai trabalhar quase que direto ligado na tomada:

Aqui os resultados com o novo PCMark 10 no modo normal

… no modo Express

… e no modo Extended:

E aqui os testes de desempenho em gráficos com o 3DMark:

Também para avaliar o seu desempenho em 3D executamos o Unigine Heaven Benchmark 4.0 no modo Direct3D11…

… e OpenGL:

Fizemos o mesmo com o Unigine Valley Benchmark no modo no modo Direct3D11…

… e OpenGL:

Também rodamos o novo Superposition Benchmark no modo Low…

… medium…

… high…

… e extreme:

E finalmente rodamos alguns testes com o benchmark do jogo Ashes of the Singularity no modo Low

standard

extreme

… e insane:

Nossas conclusões:

Em um mercado onde até recentemente a palavra de ordem para um notebook de linha era que ele fosse leve, fino e que poderia até abrir mão de desempenho em favor de maior autonomia de bateria, o Acer Nitro 5 é um bom exemplo de que ainda existe uma demanda no mercado por um equipamento mais parrudo onde uma tela grande e confortável, teclado macio e bom desempenho ainda contam.

No geral, o que os resultados dos testes mostraram é que, para um equipamento voltado para o usuário final, o Nitro 5 é realmente algo acima da média em termos de desempenho, mas ele ainda fica um ponto abaixo dos modelos realmente voltados para jogos como a linha Predator.

Isso é bom? Ruim? — Achamos que a resposta lembra um pouco aquela metáfora do copo meio cheio/meio vazio, ou seja, alguns podem achar que o Nitro 5 é uma máquina gamer de desempenho modesto, enquanto que outros irão ver esse mesmo produto como um excelente equipamento para uso geral.

Isso de um certo modo está dentro da proposta da Acer de oferecer para o mercado um notebook que possa ser usado casualmente em jogos — precisando talvez até baixar um pouco a qualidade dos gráficos em favor de uma melhor fluidez nas ações — mas que também pode ser muito útil em outras atividades que demandem uma maior capacidade de processamento.

No geral, achamos que o Nitro 5 é um equipamento com uma boa apresentação e que oferece uma boa quantidade de recursos sem se perder em firulas tecnológicas como câmeras IR, tela de toque ou “bordas infinitas”.

Outras tecnologias de ponta como suporte para Windows Mixed Reality estão presentes no Nitro 5, que junto com um processador performático e possibilidade de expandir sua quantidade de RAM e disco pode representar uma boa preservação de investimento no médio e até longo prazo, já que muitos não trocam de portátil até que ele literalmente pife.

Isso significa que o Nitro 5 é um equipamento perfeito? Não exatamente já que alguns podem estranhar a presença de duas portas USB 2.0 em um mundo que já caminha para o USB 3.0. Fora isso achamos que o sistema do seu teclado retroiluminado tem espaço para melhoras e que não nos parece ser algo muito complicado para ser implementado. Alguns também podem estranhar o barulho gerado pela sua ventoinha, mas isso só ocorre quando o sistema realmente acelera.

Outra sugestão de melhoria seria facilitar o acesso ao seu slot PCIe mini do mesmo modo que a empresa já faz com a memória RAM e disco SATA com uma tampa que possa ser aberta sem comprometer sua garantia. Isso porque é inegável que muitos usuários do Nitro 5 irão querer fazer um upgrade para disco SSD e o que a empresa puder fazer para facilitar a vida do seu cliente é sempre bem vinda né?

De fato, já está no ar um post que irá falar sobre as opções de upgrade de disco no Nitro 5 com suas respectivas avaliações de desempenho.

Nos aguarde…

 

Resumo: Acer Nitro 5 (modelo AN515-51-75KZ)

O que é isso? Notebook “híbrido” para uso em jogos e produtividade.
O que é legal? Design moderno e atraente, permite atualização de memória e disco sem violar sua garantia. Já preparado para Mixed Reality.
O que é imoral? Controle do teclado retroiluminado depende do SO estar ativo.  Sistema de ventilação pode ser ruidoso quando o equipamento trabalha a todo vapor.
O que mais? Também disponível na versão com Core i5 GeForce 1050 e 8 GB de RAM .
Avaliação: 9,0 (de 10). Entenda nosso novo sistema de avaliação.
Preço sugerido:  R$ 5.999 (versão analisada)
Onde encontrar: Acer Brasil