A vez e a hora da tecnoetiqueta

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Você nunca se sentiu incomodado ao ver como algumas pessoas interagem com seus dispositivos móveis como celulares, smartphones e notebooks? A agência Harris Interactive, em parceria com o grupo de etnografia da Intel, revelou hoje (17/06) os resultados de uma pesquisa intitulada “Mobile Etiquette” que estudou os novos “maus hábitos” que surgiram com a revolução da tecnologia móvel.

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A pesquisa foi realizada on-line entre — 8 a 10 de abril de 2009 — dentro dos EUA com 2.160 pessoas adultas com mais de 18 anos. Segundo ela, 90% das pessoas entrevistadas se sentem frustradas pelo modo como as outras pessoas utilizam seus dispositivos móveis em alguns lugares, por exemplo 72% deles acham que a pior coisa é digitar textos nos seus celulares/smartphones ao mesmo tempo que dirigem. Outros 63 % reclamam das pessoas que falam alto no telefone em locais públicos — incluindo assuntos pessoais (55 %) — e 54%  não gostam de ver alguém digitando mensagens na companhia de outras pessoas. O curioso é que a mesma pesquisa revelou que apenas 38 % dos entrevistados admitem ser “digitalmente incorretos” na hora de digitar textos em público.

Outros hábitos ainda mais estranhos trambém foram reportados pelos entrevistados como segurar a fila do caixa enquanto termina uma ligação (abaixo), usar notebooks no banheiro público (lá em cima) ou ouvir os bipes de alguém digitando algo dentro da igreja, durante um funeral ou mesmo no consultório médico.

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Segundo Genevieve Bell antropóloga cultural e Intel Fellow, a medida que a tecnologia entra cada vez mais na vida das pessoas — incluindo seus bolsos, mochilas e bolsas — é impressionante constatar como as pessoas estão ainda definindo o que é e não é socialmente correto fazer com esses dispositivos. Algo que ela chama de “tecnoetiqueta“.

E mesmo que esses novos hábitos ainda estejam na sua infância, Bell diz que o ideal é adotarmos aquilo o que o bom senso, normas oficiais e até mesmo o nossos pais e professores nos ensinaram como referência. Diz ela:

  • Os especialistas concordam que digitar enquanto dirige é um tipo de distração e uma prática por sinal muito perigosa — além de ser ergonomicamente desconfortável. Ou seja, mantenha o laptop fechado e o smartphone à distância. E caso seja realmente necessário, pare o carro em um local seguro antes de mandar uma mensagem. Isso pode evitar uma multa ou coisa muito pior.
  • Como os celulares ainda não vêm com dispositivos de invisibilidade ou cones do silêncio (como o do agente 86), enquanto eles não existirem procure um local mais calmo ou discreto para manter a conversa apenas entre você aquele que está do outro lado da linha, evitando assim que mais alguém ouça suas conversas.
  • Bell disse que, recentemente, jantou com uma pessoa que confessou ser o único no banheiro que não usava um BlackBerry — e não sabia se sentia-se chocado ou um estranho no ninho. Claro que você às vezes é preciso fazer uma chamada, mas existem lugares que deveriam ser considerados fora dos limites como banheiros e vestiários públicos, locais de culto, restaurantes, na companhia de outras pessoas e em especial no meio de um encontro — a não ser que você queira fujir de alguma roubada — mas isso já é outro caso de etiqueta social.
  • Minha mãe (e acredito que a mãe de vocês) ensinou que compartilhar é bom. Mas acontece que ela nem sempre está sempre certa. Ao assistir vídeos no seu gadget em locais públicos, certifique-se de usar seus fones de ouvido já que nem todo mundo deseja compartilhar da sua distração. Além disso, é feio ficar olhando por cima dos ombros dos outros a não ser que você esteja morrendo de vontade de ver qual é a marca daquele belíssimo celular novo que o cara da frente esteja mexendo.
  • E como estamos falando em compartilhar, a tomada elétrica do café ou do saguão do aeroporto com conexão Wi-Fi está alí para todos.  Se você notar que outros estão esperando a vez para usar a tomada, desconecte sua fonte e compartilhe a corrente elétrica com todos — ou melhor — faça como um amigo meu e carregue uma régua de tomadas. Você fará um monte de amigos imediatamente!
  • Algumas pessoas não conseguem andar e mascar chiclete ao mesmo tempo e sou uma delas — diz Bell — e muitos mais também não conseguem andar e escrever em seus telefones ao mesmo — e também sou uma delas!  Ela confessa que aprendeu da pior maneira (batendo o dedão do pé ou se envolvendo em situações ainda mais constrangedoras) a parar em algum lugar e terminar a mensagem. Caso contrário, corre-se o risco de atropelar pessoas, trombar com hidrantes ou provocar uma grande confusão com sua tecnoetiqueta.

Sobre o autor

Mário Nagano

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World.
Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.


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