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A escola para cachorros da Samsung

Zumo na Coréia 2008 (dia 2) – Como parte da sua estratégia de responsabilidade social, a Samsung mantém um interessante programa batizado de SGDS (Samsung Guide Dog School), que treina cães para diversas atividades sociais e terapêuticas como guiar cegos, auxiliar pessoas com deficiência auditiva, participar de operações de resgate e farejar objetos como drogas, explosivos e até cupins que são o terror dos templos e outros monumentos históricos de madeira.

Todos os animais são doados gratuitamente para instituições públicas e a comunidade sendo que a empresa até se encarrega de cuidar deles depois de se aposentarem.

O centro foi criado em 1994 e fica perto do Samsung Everland Resort, localizado na cidade de Yongin a 50 km de Seul, onde a empresa  mantém um imenso complexo formado por diversos centros, cada um deles dedicado a um tipo de treinamento de cães e até mesmo de cavalos para uso terapêutico com crianças excepcionais.

Segundo Su Jeong Lee (acima) porta voz da empresa, esse programa é meio desconhecido até mesmo dentro da Coréia, local onde os cães sofrem de um certo preconceito cultural já que, por muito tempo, eles foram considerados animais de guarda e como tal, ficam presos pela coleira do lado de fora de casa e nunca dentro dela. Segundo Lee, com o desenvolvimento econômico e o surgimento do chamado “tempo livre” (a semana de trabalho de cinco dias é algo relativamente recente na Coréia) as pessoas começam a aceitar os cães como animais de estimação. Mesmo assim ainda existem barreiras a serem ultrapassadas, já que alguns ainda têm medo (ou ficam mesmo aterrorizadas) ao ver cachorros grandes na rua, principalmente os de pêlo escuro, motivo pelo qual a escola só utiliza animais com pêlo mais claro, em especial Labradores e Golden Retriever.

Esses animais são criados pela própria escola e os filhotes são oferecidos para famílias voluntárias que se oferecem para criar o cachorro até a idade adequada para entrar na fase de seleção (já que alguns deles não têm o talento ou mesmo personalidade para isso) e iniciar seu treinamento.

Prontos para o serviço, eles são cedidos gratuitamente para qualquer pessoa interessada que também passa por um processo de avaliação e treinamento. Ao receber o animal o dono deve se responsabilizar apenas pelo o bem-estar e a alimentação de seu novo companheiro, cujo relacionamento poderá durar por vários anos, com constante suporte e supervisão da Samsung. Digno de nota é saber que se o animal por um motivo ou outro não puder mais exercer suas tarefas (em especial por causa da idade), ele é dignamente aposentado e passa o resto de seus dias na escola ou mesmo é encaminhado para uma nova família voluntária que se oferece para cuidar do cão idoso.

Cada complexo é fomado por diversas instalações e mesmo o canil possui uma área climatizada especial para que os cães passem melhor pelo rigoroso inverno coreano. Note a TV ligada na parece oposta do canil que, ao contrário do que possa parecer, não serve para entreter os animais e sim para fazer com que eles se habituem com o ruído e os movimentos da TV que podem distraí-los no seu trabalho.

A treinadora explicou que, ao contrário do que possa parecer os cães guia não são “pilotos automáticos” ou “aparelhos de GPS com quatro patas”: seu dono deve saber para onde está indo. Por causa disso eles são treinados para conduzir seu dono, identificar e desviar de alguns obstáculos (como uma caixa de correio ou poste) e parar diante de outros como uma escada e seguir somente após o comando de seu dono. Interessante notar que, nesse caso, o animal deve ser recompensado na forma de carinho, já que quando estão em serviço, eles são treinados para resistir à oferta de comida. Lembrem-se que cães possuem instinto de predador, de modo que isso pode ser perigoso para seu dono, principalmente se sua “presa” como uma TV de cachorro estiver do outro lado de uma rua movimentada.

Outro centro que visitamos foi a seção de cães prestadores de serviço, local onde são treinados os animais que “escutam” para seus donos. Neste caso são escolhidos qualquer animal jovem e de pequeno porte (para se adequar às pequenas moradias) e sua tarefa básica é de identificar um som (campainha da porta, telefone ou mesmo o choro de uma criança) e, em todos os casos, correr atrás do dono e fazer com que ele o acompanhe até a fonte do ruído:

Para Lee, este talvez seja o seu trabalho mais gratificante, já que para essa tarefa eles procuram por animais abandonados que, de outro modo poderiam um final diferente (e até abreviado) para suas vidas.

Mais informações aqui e aqui.

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.