ZTOP+ZUMO

Estudo de caso: três TVs 4K

Passei grande parte de 2017 vendo TV em modelos compatíveis com resolução 4K – foram dois modelos da Samsung e um da Philips, todos com perfis de uso (e de preço) muito diferentes.

1) Philips TV série 6000 de 55″: o modelo de entrada


O modelo da Philips (série 6000) foi o primeiro que recebi, uma tela grande e fina, em um modelo com design arrojado e simples de montar no rack (tenho uma limitação de espaço na sala e 55″ são meu limite de tela que cabe no móvel sem que eu tenha que remover outros itens).

E é uma TV que grita o conceito de “smart TV” – tanto que o controle remoto tem um botão de Netflix dedicado.
Seu design é bem moderno, deixando a TV inteira em um conjunto muito bonito para colocar na mesa. Conectividade é simples de resolver (Wi-Fi ou Ethernet).Mas tem um probleminha sério: roda um Android antigo e desatualizado, sem previsão de update. (em tempo: Android hoje está na versão 8!) Isso a médio prazo pode dar problemas de atualização de apps, notadamente Netflix.

Qualidade da imagem

Essa série de TVs da Philips tem qualidade BOA de imagem em 4K – se você tiver as fontes certas (Netflix, Amazon Prime Video, YouTube etc). No geral, não decepciona em nitidez, mas precisa de um controle de luminosidade da tela um pouco melhor. O som dessa TV poderia ser melhor também – acabei usando minha soundbar (um modelo antigo da própria Philips, por sinal) para ver TV.  E sim, você pode ver Twitter junto com a programação da TV normal.
Ou acessar conteúdos sob demanda, a maioria deles europeus.

Para quem é?

A Philips série 6000 é a TV 4K para quem precisa de uma televisão nova, quer conectividade, já quer entrar na onda do 4K, mas não necessariamente vai consumir esse conteúdo. Como TV “normal” para conteúdo da TV a cabo, por exemplo, ou TV digital, a qualidade de imagem é muito boa – que só melhora quando se consome 4K nativo (mas não todo tempo). Por ser Philips, faltou ter a incrível tecnologia Ambilight que projeta luzes em torno da tela, ampliando a experiência (eu gosto!). Preço médio sugerido: R$ 3.500.

[Philips]

2) Samsung MU6500 (curva) de 55″: o grande intermediário

Recebi o primeiro modelo da Samsung com um certo temor. Gosto do conceito da tela curvada (isso foi moda alguns anos atrás entre os fabricantes de televisores), mas o temor vinha de um review gringo. Felizmente, o modelo que recebi era outro, mais novo.

Em tempo: tanto a TV curva da Samsung quanto o modelo QLED (mais abaixo) vieram acompanhados da soundbar curvo 260 W M4501, também da Samsung.  Bons graves e um incrível parceiro sonoro para ver filmes com qualidade excelente de som. Preço médio sugerido: R$ 1.999, e o legal é que o subwoofer (a caixona maior) funciona sem fios com a base, reduzindo o ninho de fios atrás do seu televisor.


O design da MU6500 também é bem elegante. Na verdade, a tela curva ajuda bastante na configuração doméstica pois evita reflexos da sala ao lado, na entrada de casa. Só que na hora de fotografar pode ficar um pouquinho distorcida…

Esse modelo da Samsung roda o sistema operacional Tizen (se você tem uma boa memória, vai se lembrar que Tizen tinha potencial para ser um novo OS para smartphones… até que acabou no mundo das TVs e geladeiras). Seus serviços favoritos (ou apps) ficam facilmente organizados na barra inferior da tela, com configurações rápidas acima.

Falando em configurações (essa foto abaixo foi tirada no showroom da Samsung por motivos de “local mais organizado”), essa tela da Samsung esconde os cabos. Como?

Simples: uma caixa para todos governar. Ali tem USB, HDMI, entrada para antena e áudio óptico… além de um cabo que leva tudo isso para a traseira da TV, onde fica escondido atrás de uma tampa.  Na prática, você pode esconder todos os dispositivos – set top box da TV a cabo, videogame etc – em um armário e levar o fio da conexão invisível até a TV.

Reza a lenda que a versão 2018 dessas TVs Samsung terá um cabo único também, mas que ele vai também transmitir energia (hoje a traseira do televisor tem o conector do cabo único e um para a tomada).


A qualidade da imagem: já falei aqui sobre os testes 4K do Rock in Rio com a NET. O mais legal: dá para controlar a luminosidade da tela, deixando-a mais escura (o quase ideal para uma sala pequena)…

… ou mais clara, para salas maiores.

Ah sim, o controle remoto é único também. Gostei que deu pra controlar outros dispositivos conectados com ele (como a caixa da NET ou a Apple TV).

Para quem é?

A Samsung MU6500 de 55″ é um modelo intermediário que vale o investimento. É uma TV para quem quer consumir conteúdo HD com ótima qualidade e conteúdo 4K também com ótima qualidade. Ela fica no meio do caminho (mesmo) entre o modelo de entrada da Philips e a QLED, que tem outro perfil de uso mais avançado. É a TV que eu compraria hoje (e olha que eu sou fã de OLED), entre as três. Preço médio sugerido: R$ 6.500.

[Samsung]

3) Samsung QLED TV Q7F 55″: o topo de linha

O topo de linha da Samsung vem cheio dos superlativos dos fabricantes para TVs incríveis: 4K, HDR, volume de cor, pontos quânticos. O que importa aqui é que ela é incrível sim, mas com a fonte certa: tem que ser 4K.

Em resumo, a Samsung Q7F tem tudo que sua irmã curvada tem: roda Tizen, controle remoto único, a conexão invisível para cabos, controle de brilho etc. As imagens abaixo contam a história completa com um nível de detalhe absurdo – mas, claro, desde que a fonte seja 4K (neste caso, a Netflix). Tive alguns problemas para configurar a TV de forma ideal para ver TV a cabo (1080i), mas deu certo (mas não perfeito).

Conteúdo em HDR ainda é raro, e acho que cada um deles precisa de ajustes pontuais nas configurações na hora de assistir. Em compensação, o 4K puro é, de novo, absurdo:


Para quem é?

A Samsung QLED Q7F entra na categoria do “só quero ver conteúdo em ultra-resolução“. Dá pra ver TV em resoluções menores, como da TV a cabo? Sim, só que a experiência será menos completa – aqui, o 4K domina mesmo. Preço médio sugerido: R$ 9.999.

[Samsung]

Notas do autor

  • testar TVs requer esforço físico e lógica aplicada: a cada modelo fica mais difícil tirar da caixa, montar (e tirar minha velha e boa TV de Plasma do lugar), ligar tudo, usar, devolver se tiver problema – aconteceu com as duas fabricantes; na Philips, o primeiro modelo tinha o som muito ruim; na Samsung, a primeira TV curva estava… quebrada (!). Na hora de guardar de volta, as embalagens de TVs não foram feitas para isso, então requer a lógica de encaixar tudo de novo.
  • eu odeio soap opera effect, o “defeito” de movimento em 99% das TVs com retroiluminação LED. Nos três modelos que testei em 2017 (e início de 2018), só o da Philips mostrou – e pouco – o efeito de atraso em imagens. Sinal dos tempos que a tecnologia mudou e evoluiu.
  • estou curioso por uma TV OLED. Vou pedir uma emprestada pra LG em breve.
  • testar TVs me provou que eu gosto mesmo de ver TV. uau!
  • Obrigado ao amigo que me emprestou uma conta de Netflix 4K 🙂 E você amigo jornalista de tecnologia, um lembrete: TVs são como smartphones, é recomendável zerar para o padrão de fábrica antes de devolver!

 

 

Henrique Martin já escreveu na PC World, PC Mag, Folha de S. Paulo e criou o Zumo em 2007. Em 2011, o Zumo se transformou no ZTOP, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC. Siga-o no Twitter: @henriquemartin