24 horas com Mac OS X Lion

2

O Mac OS X 10.7 “Lion” chegou ontem, e estou – após um download de 3,49 GB – com o sistema operacional funcionando há vinte e quatro horas. Deu para perceber quais são os pontos fortes e fracos e selecionar alguns recursos favoritos.

Com o Lion, a Apple começou a extinguir a mídia física dos seus computadores. O sistema operacional está disponível apenas por download via App Store em Macs com processadores Intel e Mac OS 10.6 “Snow Leopard” com a loja de aplicativos habilitada. Após baixar o OS, o processo de instalação em um MacBook Pro “meados de 2010” com Intel Core 2 Duo (2,66 GHz) e 4 GB de RAM levou cerca de 40 minutos.

O primeiro uso do Lion, porém, foi um tanto estranho. O Mac ficou lento demais para abrir arquivos e programas. Reinicializei e a situação estabilizou. Logo na sequência, a informação de que minha versão do Dropbox era incompatível com o sistema (bastou atualizar para uma mais nova). Foi o único alerta de incompatibilidade do Lion em relação aos meus aplicativos instalados. A lentidão tem um motivo: o recurso de buscas Spotlight reindexa todo o disco rígido do Mac. Depois, tudo OK.

A principal novidade – e talvez irritação – com o Lion à primeira vista é o uso extenso da rolagem com o trackpad nos aplicativos. Em resumo: a Apple inverteu a ordem de rolagem para um modo “natural” que demora um pouco a se acostumar. Dá para desabilitar essa função e voltar ao estado anterior.

Com o Lion, a Apple começou a integrar recursos e visuais do iOS no sistema. Como o app do Twitter, que agora dá para “puxar-para-atualizar-a-timeline” com o mouse. Do mesmo modo que você faz com o dedo no iPhone (update: imagem atualizada em 28/7).

Mas a integração de interface maior responde pelo nome de Launchpad. Igualzinha à tela de apps do iPhone/iPad, com o desktop desfocado ao fundo (me lembrou a interface do finado Maemo, no Nokia N900)

A única diferença é que, para alternar entre os apps, você usa o trackpad, não a tela.

Uma novidade muito bem-vinda no Lion é o fim do modo Spaces e a chegada do novo modo Mission Control. É um atalho rápido que alterna entre desktops (agora são duas telas) e o Dashboard. Eu, que sempre ignorei o Dashboard e seus widgets, agora posso dar uma nova chance a ele – nem que seja para acompanhar a previsão do tempo.

E essa é a cara do Mission Control. Três dedos no trackpad, movimento para cima, Mission Control ativado. Três dedos para baixo ativam o comando Exposé, que também ajuda a alternar entre aplicativos em uso.

O vídeo abaixo, feito em QuickTime no Lion, mostra bem as transições de desktops e o Mission Control, os modos de tela cheia e as firulas gráficas do novo Spotlight.

Do lado “novos recursos tecnológicos”, para mim o principal é o Airdrop, que troca arquivos entre Macs com Lion em segundos. Basta estar conectado na mesma rede sem fios e arrastar a pasta/arquivo desejado para o outro. Zero configuração.

Outro item importante em produtividade é o modo tela cheia em quase todos os aplicativos. Um novo ícone no canto superior direito leva ao modo full screen. No Google Chrome, somado à nova interface do WordPress também em tela cheia, é um oásis de produtividade sem interrupções de outros aplicativos ou da própria internet.

(Mario Nagano que o diga, já que eu o ignorei, sem querer, várias vezes no Messenger porque estava com tela cheia no Chrome. E aí ele pegou o telefone).

Ainda no item “parece com o iOS” estão a configuração de e-mails no Mail (não uso o app, já que estou acostumado com o caos do Gmail):

E também o novo Perfil de Sistema, mais simplificado, fácil de entender (poxa, tem a geração da máquina):

Como o iTunes faz com o iPhone, o Mac OS Lion divide o que tem no seu disco rígido por categoria. Socorro, preciso limpar meu HD.

Alguns refinos de layout: a barra superior traz a foto do usuário, as janelas de diálogo estão mais limpas e organizadas e o Spotlight traz as miniaturas dos arquivos.

O que não é legal ainda no Lion e seus aplicativos:

– o primeiro backup novo no Time Machine demorou quase duas horas. E, mesmo tendo feito hoje de manhã, ele ainda alerta para eu fazer a cópia de segurança.

– o login após a inicialização da máquina ficou mais lento entre o processo de terminar de digitar a senha e dar o “enter”. Fica um atraso estranho para o sistema responder.

– a barra de rolagem em modo “natural” causa estranhamento, como eu disse. Mas é questão mesmo de se acostumar. Sinto falta mesmo do “dois dedos + esquerda” para voltar páginas no Chrome.

– o Lion é um download de 3,49 GB. Logo depois, vieram mais 400 MB de apps da Apple que precisavam de upgrade pós-Lion.

– alguns apps ainda estão com problemas. O Dropbox travou (só precisei baixar o novo), e meu principal aplicativo de imagens (Pixelmator) funciona, mas ficou lento lento lento para algumas funções (lidar com camadas e texto, por exemplo).

– travamentos gerais: na contagem, foram dois – algo acima demais da média pro Mac. Um ontem, após o primeiro restart pós-Lion, e um enquanto eu escrevia este texto (do estilo “travou tudo”, só o Chrome responde, o Finder travou, Preferências de Sistema também). Mas após esse travamento, o Lion reabriu sozinho todos os apps que estavam abertos anteriormente.

– no MacBook Air (Core 2 Duo, 2 GB de RAM), o Lion roda tranquilo. Apenas o problema com o Pixelmator continua, até uma atualização do desenvolvedor.

Fato é que a Apple deve corrigir os primeiros bugs em breve. O Mac OS X Lion vale os US$ 30? Sim, se você quer uma experiência mais parecida com o iOS, novos recursos bastante úteis (como o Airdrop, que seria incrível se tivesse algo compatível com o mundo Windows) e, para mim, uma melhoria na questão multitoque em um Mac (um dos melhores motivos para comprar uma máquina, por sinal).

Leitura complementar, em inglês:

review gigante do Lion feito pelo Ars Technica (pago)
Lifehacker: quem é mais rápido – Lion ou Snow Leopard?
Lista de apps compatíveis com o Lion

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Sobre o autor

Henrique Martin

Henrique Martin é o fundador do ZTOP+ZUMO e da newsletter de tecnologia Interfaces. Já escreveu na PC World, PC Magazine, O Estado de São Paulo, Folha de S. Paulo e criou o ZTOP+ZUMO em 2007, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC.

Disclaimer: o ZTOP+ZUMO tem links de afiliados com a Amazon e pode ser
remunerado caso você clique em links neste artigo e compre algo.

RSS Podcast SEM FILTRO




+novos