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Conheça os vencedores do 21° Japan Media Arts Festival

Concurso internacional premia os melhores trabalhos nas categorias de arte, entretenimento, mangá e anime do ano de 2017.

A comissão organizadora do Japan Media Arts Festival anunciou no último dia 16 de março os vencedores da 21ª edição do seu premio anual de mesmo nome, cujos trabalhos serão apresentados entre os dias 13 de junho até 24 de Junho numa exposição no National Art Center que fica na região de Roppongi em Tóquio.

Criado em 1997, esse prêmio ficou conhecido por ser uma das primeiras a prestigiar setores mais “modernos” da área de geração de conteúdo, sendo que alguns nem eram considerados uma forma de “arte” — como a indústria de videogames, anime, mangá, etc.

O mais interessante é que, além de consagrar trabalhos de artistas renomados e até de profissionais de software, este prêmio também procura valorizar o trabalho de novos talentos que, de outro modo, passariam despercebidos no turbilhão de opções que sobrecarrega o cenário de cultura pop da Terra do Sol Nascente.

Sob esse ponto de vista, ele também funciona como um valioso guia para aqueles (de fora) interessados em conhecer e até descobrir o que há de novo na área de artes visuais (Media Geijutsu) que — de outros modo — poderiam passar desapercebidos pelo radar do ocidente, como Summer Days With Coo (Kappa no Kū to Natsuyasumi) que foi premiado na categoria Anime em 2007, mas que nunca foi distribuído oficialmente nos EUA e nem no Brasil (apesar de que cheguei a ver esse título na programação de um canal na TV a cabo).

Bons exemplos de vencedores do passado estão animes como A Viagem de Chihiro, de Hayao Miyazaki (2001), Millenium Actress, de Satoshi Kon (2001) e Neon Genesis Evangelion (1997), mangás como Yunagi No Machi, Sakura No Kuni, de Fumiyo Kouno (2004), Monster, de Naoki Urasawa (1997) e Vagabond (2000) de Inoue Takehiko, games como Zelda, Ocarina of Time(1998), Pikmin (2001), de Shigeru Miyamoto, Seaman,(1999), de Yooti Saito e até gadgets como o finado AIBO ERS-110 (1999) da Sony.

O interessante é que nos últimos anos, a comissão organizadora também começou a aceitar trabalhos de outros países, sendo que neste ano a comissão recebeu 4.192 inscrições vindos de 98 países, sendo que 18 dos 32 prêmios foram conquistados por artistas estrangeiros ou em parceria com japoneses.

De fato, até um artista brasileiro — Marcio Ambrosio — já ganhou o prêmio em 2009 pela sua montagem Oups!

Na categoria Arte, o grande vencedor neste ano foi Interstices / Opus I – Opus II uma videomontagem do Tunisiano Haythem Zakaria.

Outro projeto premiado é uma instalação multimidia intitulado Rapid biography in a society of evolutionary lovers criado pelo japonês Tatsuo Unemi e o suíco Daniel Bisig:

Já na categoria Entretenimento o grande prêmio foi para um jogo — The Last Guardian — desenvolvido pelo SIE Japan Studio e publicado pela Sony Interactive Entertainment para o PS4:

Entre os finalistas destaque para INDUSTRIAL JP produzido pelo grupo homônimo que utiliza o ritmo e a ingenuidade das das linhas de montagem de pequenas fábricas como fonte de inspiração para DJs criarem vídeos músicais…

Metalimbs um projeto do japonês Tomoya Sasaki e do Sírio MHD Yamen Saraiji que criaram um par de membros extras operado pelas suas pernas…

… e Pechat um curioso dispositivo na forma de um grande botão amarelo desenvolvido pela empresa Hakuhodo que transforma qualquer boneco ou bicho de pelúcia num brinquedo falante, controlado remotamente via smartphone (já falamos sobre ele neste ztop+zumo):

E como era de se esperar, na categoria animação o filme vencedor foi In this Corner of the World (Kono Sekai no Katsunini) dirigido por Sunao Katabuchi a que é uma adaptação de um mangá de mesmo nome de Fumiyo Kouno, artista por sinal que já foi premiada no Japan Media Arts Festival com os mangás Yunagi No Machi, Sakura No Kuni em 2004 e Kono Sekai no Katasumini em 2009:

Entre os finalistas o segundo lugar ficou para Lu Over The Wall (Yoake Tsugeru Lu no Uta ) dirigido por Masaaki Yuasa e …

… destaques para Harmonia feat. Makoto  (ハルモニア feat. Makoto) dirigido por Tarafu Otani com música de Yuichi Nagao

… e Cocolors um OVA dirigodo por Toshihisa Yokoshima:

Mas para mim, a categoria mais interessante é a de mangá já que essa mídia é um grande laboartório/usina de idéias onde centenas (ou seria milhares) de estórias de todos os tipos são “testadas” com o público e, caso a resposta seja positiva, é grande a possibilidade que esse título se vire um anime, série de TV ou mesmo filme (vide o exemplo de Kouno).

Neste ano o ganhador do grande prêmio foi Nee Mama (My Dear, Mom) de Aoi Ikebe …

… com destaques para Ulna at the Emplacement (Juuza no Ulna) de Toru Izo

…, Nyx’s Lantern (Nix no Lantern) de Kan Takahama

…e Gene of AI (AI no idenshi) de Kyuri Yamada:

Na categoria de Special Achievement Award (uma espécie de Hall da fama para personalidades da indústria) os homenageados deste ano foram Shunsaku Tamiya (chairman da Tamiya Corporation) e Osamu Takeuchi (professor da Universidade Doshisha e pesquisador/criador de mangás).

Mais informações aqui.

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.