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15 minutos com Hugo Barra (Android)

“Em seis meses da quarta geração do Android, estamos em velocidade rápida”. É assim que Hugo Barra, diretor de engenharia de Android, começa a conversa por telefone na tarde desta terça-feira em uma conferência com poucos veículos brasileiros (incluindo este ZTOP), no carro que o leva de casa para o escritório do Google em Mountain View, no vale do Silício (ele também falou em uma conferência do Google Brasil por vídeo).

Em um papo rápido, ele falou sobre Brasil, tablets e a evolução do Android (e comentários meus no meio do caminho).

Status do Android hoje no mundo: grande

“O ecossistema Android é grande e já temos diversos aparelhos. Com o software mais recente (Android 4.0), conseguimos ter desde telefones baratos de US$ 50 a aparelhos quad-core com resolução de tela absurda. A intenção do Android sempre foi essa: ter elementos que mantêm a compatibilidade de aplicativos independente do aparelho, seja ele barato ou um tablet. Além disso, com o preço mais baixo conseguimos deixar o Android mais relevante para mercados emergentes, como Brasil. Sem dúvida 2012 é o ano do Android para o Brasil, com força.”

Status do Android hoje no Brasil: incrível e estratégico

“Brasil é a menina dos olhos do Android hoje. É um mercado grande, com um crescimento de forma espetacular da internet, onde os produtos do Google têm um sucesso incrível, até mesmo o Google+ (nota do editor: sério?). O Android cresce de forma incrível, você vai a uma loja de operadora e três quartos dos smartphones têm Android, com preços para todos os gostos.

O Brasil é mercado estratégico. Estamos incentivando o ecossistema local fazendo trabalho de marketing com parceiros locais, incluindo operadoras, fabricantes e desenvolvedores. (nota do editor: estaria o Google agindo do mesmo modo que Intel e Microsoft (entre outras), famosas por pagar anúncios de seus parceiros? Pelo visto, sim). A cada dois meses eu vou a negócios para o Brasil, em maio estou aí de novo.

Sobre versões distintas em aparelhos e a demora na adoção do Android 4.0 (baseado do gráfico abaixo; vale comparar com números do iOS)

“O Android tem extrema cautela para desenvolver e lançar novas APIs do sistema operacional, que não existiam nas versões anteriores e que muitas vezes só funcionam em novos aparelhos, com novos recursos (gráficos, por exemplo). Em dado momento, vamos ter algumas versões distintas em uso (e esse número não é grande. Muita gente com Froyo (2.2) migrou para Gingerbread (2.3). O ecossistema garante que a experiência dos aplicativos seja excelente em qualquer versão.

O que acontece também é que os usuários têm desejo imenso pelas novas interfaces do sistema novo (Android 4.0), mais simples e moderna e que, depois de um ano de trabalho de desenvolvimento, gostaríamos que chegasse a mais usuários. Nos próximos dois meses vamos ver um grande número de upgrades dos fabricantes para Android 4.0, pelo que percebemos nos nossos laboratórios. A Samsung já começou a liberar a atualizações para o Galaxy S II, o maior sucesso Android de 2011, mas não dá para fazer tudo de uma vez só. Motorola e Sony (ex-Ericsson) também estão fazendo isso. E os fabricantes querem que o cliente seja fiel à marca.

O uso de APIs mais modernas e de aparelhos com capacidades gráficas mais poderosas significam inovação. Não podemos reduzir a velocidade da inovação, já que o Android criou uma onda de evolução. E se o ecossistema está acelerado, não queremos segurar essa inovação na indústria. Meio claro que o aparelho anunciado ontem vai ter mais inovações que aquele lançado um ano atrás. O que acontece é o mesmo processo de inovação da indústria de carros ou de PCs”.

Sobre a compra da Motorola pelo Google: operações independentes

“A transação não foi fechada, mas de qualquer modo a Motorola será uma operação independente. É importante que isso ocorra para a saúde do ecossistema. A compra da Motorola pelo Google foi estratégica por uma questão de patentes e de portfólio.”

Sobre tablets com Android: ainda é cedo para comparar, mas é incrível

“Tem que ver os números, não tenho eles aqui, mas a venda de tablets foi elevadíssima no último trimestre de 2011, motivada pelo Amazon Kindle Fire, compatível com Android, assim como alguns modelos da Samsung. O Mobile World Congress (no final de fevereiro) deixou clara a velocidade que esse mercado vai crescer em 2012 (nota do editor: discordo – além da Samsung e da Coby, não vi muitos tablets por lá, diferente de 2011).  A diversidade de tamanhos e preços – 5,3″a 10,1″de tela – é incrível, como o Samsung Galaxy Note, um tablet (nota do editor: então não é foblet?). O ecossistema adota o tablet com uma diversidade incrível.

Sobre o fato de que existe pouca adesão dos desenvolvedores para tablet, é mito. Tem um monte de coisas para tablet no Google Play (ex-Android Market), mesmo o que não foi otimizado roda bem independente do tamanho de tela.”

Sobre o futuro (Android 5.0)?

Não temos nada para anunciar ainda. A ambição do Android é fazer interfaces inovadoras, mais bonitas, com melhores transições, queremos esconder recursos pouco utilizados e aumentar a personalização do aparelho. E, claro, temos que dar atenção para novos formatos e lugares (como TV).

(queria perguntar sobre concorrência, mas não deu tempo)

 

 

 

 

 

Henrique Martin já escreveu na PC World, PC Mag, Folha de S. Paulo e criou o Zumo em 2007. Em 2011, o Zumo se transformou no ZTOP, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC. Siga-o no Twitter: @henriquemartin

  • Luiz Alberto Franco

    "seja ele barato ou um tablet" = Barato e tablet são coisas opostas 😛
    Parabéns, Seis meses de vida do Android 4.0 e somente 1,6 % dos aparelhos com essa versão.
    Daqui a pouco sai o android 5 e nem metade ods aparelhos está na 4

    • Junior-CPE

      Acho que a intençao de qualquer plataforma nao é colocar a nova em aparelho antigo, mas sim, em aparelhos novos, e fazer com que o cliente compre aparelhos novos constantemente.
      A estrategia da Apple, de mimar o cliente (o que é muito bom pra nós, claro) vai em contramão à história. Mas, infelizmente, ela esta sozinha nesta contramão.
      Os governos deveriam atentar para isto, e obrigar a toda e qualquer ramificaçao tecnológica a agir desta maneira.
      Pena que o capitalismo nao deixa…

    • Wallacy

      Tem outra coisa, só depois que o Google lança a versão do Android que as fabricantes vão criar as suas, até o cyanogem ainda não lançou a versão estável da nova versão.

      No geral vai ser sempre assim, sai uma versão agora, só em 8 meses ela vai estar no mercado.

    • duhehe

      Problema que no caso da Apple ela faz o sistema e vende o aparelho e ninguem mais põe a mão.
      Então se ela faz algo que seja compativel com o 3gs, ela lança a atualização para geral e boa

      Agora o android parece uma feira !
      Cada um faz um aparelho diferente e faz a sua customização.. ai vira isso que é ..
      Sem falar no interesse do fabricante em fazer vc comprar um aparelho novo, interesse que a apple esconde muito bem ter.

  • ezequielbsb

    Gosto muito do Android..É o meu queridinha à mais de 2 anos..

  • Pingback: "Este é o ano do Brasil", diz brasileiro responsável pelo Android - Mfit()

  • paulohpontes

    Po, o mais importante que é a política de update do OS dos devices não foi nem tocada!

    • mnagano

      Bom, até onde eu saiba a estratégia dos fabricantes de smartphones é que seus usuários troquem de aparelho para tirar pleno proveito do novo SO.

      • paulohpontes

        Exatamente. E como nenhum usuário está gostando ou concordando com isso A Google já mencionou que mudanças vão ocorrer.
        Da forma como está, quem tem grana para comprar um celular top de linha não vai querer comprar um Galaxy SII que no próximo update do Android estará obsoleto enquanto se comprar um iPhone ele será atualizado com os novos IOSs.

  • Pois é. Mas a fala do Hugo Barra não convence 100%. Entenda que estou satisfeito com meu Atrix, mas a popularização do sistema não deve ser apenas encarada como algo super bacana e que deixemos os fabricantes se virarem com atualizações. Neste aspecto, a Apple com seu controle dá um banho. Acho que algo deve ser feito a este respeito para garantir uma boa experiência de quem usa Android. Quem sabe deixar as atualizações por conta do Google e as personalizações feitas por cada fabricante e cada empresa de telefonia acontecerem em outra camada? Isso poderia ser uma boa solução.

  • Falou, falou, falou e não falou nada que fosse novidade pra gente.