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15 minutos com Felipe Massa

Zumo no GP Brasil 2008 — Vida de piloto de F1 (apesar de bem pago) não deve ser fácil. Além de pilotar um carro caríssimo a mil por hora, brigar por um campeonato, analisar dados, trocar informações com engenheiros e participar de inúmeros eventos públicos, privados e de imprensa, Felipe Massa ainda arrumou tempo para bater um papinho rápido com alguns jornalistas de tecnologia, incluindo este blogueiro do Zumo.

Foi uma conversa bastante informal e agradável, onde o piloto mostrou ser o que todo fã de F1 espera de um piloto tupiniqum: ser um cara modesto, legal e boa gente, sem o estrelismo de quem pode ser o primeiro piloto brasileiro com chances reais de conquistar um campeonato mundial desde os tempos de Ayrton Senna.

Obviamente, deixamos Lewis Hamilton de lado e fomos ao que nos interessa: tecnologia.

Para vencer em um esporte tão competitivo como a F1, Massa explicou que ele tem que ser tanto um bom piloto quanto um apertador de botões “você precisa ser piloto eletrônico, ser bom em todas as áreas” segundo suas próprias palavras. Este é um  ofício que ele aprendeu na prática no seu dia a dia na Fórmula 1, já que a tecnologia não é tão sofisticada nas categorias inferiores.

Apesar disso, o importante ainda é correr rápido de modo que controlar e conduzir o carro ainda é sua prioridade, já que as centenas de informações transmitidas para os boxes não são analisadas por ele e sim pelos engenheiros da sala de telemetria considerado ainda a área de acesso mais reservado da Ferrari — e conhecido pelo público em geral somente por fotos de divilgação (como essa abaixo) e somente as instruções mais importantes são repassadas para ele pelo rádio.

Saber como funciona o carro e estar informado do que está acontecendo com o mesmo durante a corrida é importante para o piloto, mas decifrar números cabalísticos referentes ao comportamento de um ou outro componente do motor é tarefa dos engenheiros, assim como é da do piloto passar suas impressões do carro quando este está dirigindo.


Isso explicaria em parte, porque o painel de um carro de F1 apresenta apenas as informações essenciais sendo que o resto é passado pelo rádio. Quando perguntado se ele gostaria de dispor de mais informações visuais como um HUD (Head-up Display) que enche seu campo de visão com informações gráficas e numéricas a la “Exterminador do Futuro” ele explicou que isso não facilitaria a sua vida como piloto.

Como já disse Brandão no post anterior, Felipe confirmou que o desenvolvimento do carro é um processo contínuo de melhoria, de modo que no começo do campeonato, a maioria das grandes equipes estão mais ou menos niveladas e que no final da temporada uma ou outra já está na frente das outras. Entre as coisas que mais evoluiram nessa temporada foi a aerodinâmica do carro (que é constantemente estudada em Maranello), ajustes no motor e em alguns insumos como óleo e gasolina. Partes mais mecânicas, como suspensão, não costumam avançar tanto. Em termos de números, Felipe estimou que 70% da evolução do carro fica na aerodinâmica.

Com relação à corrida de amanhã, Felipe está tranquilo e confiante de que ele não terá problemas de confiabilidade com o equipamento, contando inclusive com um motor novo.

A parte mais divertida dessa entrevista ficou por conta do nosso colega Jocelyn Auricchio do Estadão que perguntou se ele treina muito em simuladores e se ele gosta de videogame. Massa disse que sim (em ambos os casos) que ele treina muito no simulador, o que ajuda a conhecer pistas novas e prever alguns ajustes no carro “é um ponto de partida importante, mas não é a mesma coisa que estar com o carro na pista“.

Massa gosta de brincar no PlayStation 3 e apesar de disputar algumas corridas na TV, ele atualmente curte mais um joguinho de futebol no Pro Evolution Soccer, uma verdadeira “guerra em casa” entre os amigos.

Com relação a sua crença em superstições, Jocelyn perguntou para Massa que, como legítimo filho da cidade de Botucatu, se ele acredita em Saci e se a criaturinha poderia ajudá-lo na corrida de amanhã.

Massa caiu na gargalhada. Confessou que tem um amigo de Botucatu (que ele afirma não ser doido) que diz ver e criar Saci mas ele, pessoalmente, nunca viu um — mas não duvida! — e se ele der alguma ajudinha amanhã na corrida “e vindo pro bem“, ele não se importa! 🙂

Finalmente, quando perguntado sobre a sensação de ser tão querido por todos ele disse que isso é legal, já que sempre respeitou seus colegas de trabalho, sempre foi o máximo humilde possível na sua vida pessoal e profissional e que “respeitando as pessoas você tem o respeito que você merece“. Sob um certo ponto de vista isso já é uma vitória.

Ainda em tempo;

No final da entrevista com o dever profissional cumprido, iniciou-se a sessão tietagem onde Massa recebeu os cumprimentos e desejos de boa sorte de todos os presentes, além de posar para fotos ao lado de alguns papagaios de pirata, como o figura da direita:

Como eu disse, vida de piloto não é nada fácil. 🙂

Atualização de última hora:

Segundo o Wikipedia, hoje (31 de outubro) é dia do Saci. Deve ser por isso que o Massa conseguiu ficar na frente do Hamilton nos treinos livre de hoje de manhã. Fora isso, ouvimos rumores de que alguns torcedores já estão pintando faixas com os dizeres: “BATE NELE RUBINHO!”

SACI! SACI! SACI!

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.