ZTOP

ZTOP explica: o que é uma TV 4K?

4K é a tecnologia quente da IFA 2012. Se os primeiros protótipos apareceram na CES de Las Vegas no começo do ano, em Berlim já vemos modelos que devem se tornar comerciais nos próximos meses. Mas o que é uma TV 4K e para que diabos eu quero uma dessas?

Lembre da sua TV de tubo de alguns anos atrás. E que uma imagem na tela é formada por pontos gerados no encontro de linhas horizontais e verticais.

Você achava a imagem boa até ver as primeiras TVs HD (não confundir com as primeiras telas de plasma, que tinham a mesma resolução das TVs convencionais – estou pensando aqui em 1997, 1998 e nos pobres coitados que gastaram milhares de reais em trambolhos de resolução ruim).

Com a chegada do HD, foi um salto de 525 linhas horizontais (ou 480i no velho e bom padrão PAL-M) para 720 linhas horizontais (720p). A imagem melhorou bastante.

Depois, novo salto: TVs de 1080i (1920 x 540) e, finalmente, o padrão atual de 1080p, ou FullHD, com 1920 x 1080 pontos na tela. Lembre que, se você tem uma TV HD/Full HD, não importa muito para ver televisão a cabo em alta definição, já que nossas transmissões ainda são em 1080i. “Full HD” mesmo só no Blu-ray.

O 4K dá um novo salto na resolução da imagem, com 3840 x 2160 pixels (ou pontos) na tela. Fazendo a conta, dá mais de 8 milhões de pixels na superfície, gerando níveis de detalhe enormes e incríveis. Na IFA 2012, podemos ver TVs 4K no estande da LG, da Toshiba (que deve ficar restrito ao mercado japonês) e da Sony, que deixou muito claro para o visitante da feira como a coisa funciona (a IFA é aberta ao público em geral, diferente de outras do tipo).

A imagem abaixo explica bem a coisa:

Mas ver uma TV 4K de perto é impressionante. O nível de detalhe é absurdo, como se fossem fotografias – ou até mesmo uma realidade muito aumentada – na sua frente. E, de novo, a Sony encheu uma área do estande com telas, exemplos e imagens.

Essa era uma foto estática. Dá para ver, no canto inferior da tela, a 1,5 metro de distância, as folhas caindo na grama.

E um vídeo em loop mostrado na sequência em várias telas:

As TVs 4K – tanto da Sony quanto da LG – conseguem converter (fazer upscale) imagens em Full HD em 4K. O exemplo é impressionante, e se funcionar assim na vida real (colocar um Blu-ray, por exemplo, para assistir em altíssima definição), será um passo importante para a adoção da tecnologia.

Isso é uma imagem em HD:

E, ao ser convertida em 4K, ganha cores e nitidez:

Lado a lado as duas TVs – 4K na esquerda, HD na direita:

Outro exemplo interessante e cheio de detalhes é de uma página do Google Maps aberta na tela (lembre que TVs 4K são conectadas e 3D também):

Em resolução Full HD: visível, mas com falhas:

Em 4K, é uma fotografia exata do local:

Claro que, ao chegarem ao mercado, as TVs 4K não serão baratas. Nenhum fabricante ainda indicou uma faixa de preço sugerida, mas podemos especular que será muito caro – assim como as primeiras TVs de tela plana alguns anos atrás.

O grande desafio é o conteúdo também, mas a tecnologia de captura de imagem em 4K já é mais comum (como o uso de câmeras RED no cinema, que já filmam em 5K ou mais, por exemplo). Por outro lado, alguns fabricantes de televisores mais “conscientes” com a situação econômica do mundo (e o bolso do consumidor) dizem que 4K é “exibicionismo”, como disse ao ZTOP o CEO da Philips/TP-Vision.

Por enquanto, você também precisa de espaço para colocar uma TV 4K dentro de casa. Apesar de a Sony dizer que, com 1,5 metro de distância, você consegue ver bem a TV (uma imersão na tela), por enquanto não existem modelos com tela abaixo de 84 polegadas, e o aparelho é grande e largo. De qualquer modo, mesmo sem espaço ou dinheiro para pagar por uma, ver essas telas de perto dá bastante vontade de ter uma.

 

 

Henrique Martin já escreveu na PC World, PC Mag, Folha de S. Paulo e criou o Zumo em 2007. Em 2011, o Zumo se transformou no ZTOP, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC. Siga-o no Twitter: @henriquemartin