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Review: Sony Xperia S

SONY DSC

Parte da nova família NXT, o smartphone Sony Xperia S é o primeiro aparelho a chegar ao Brasil sob a nova marca Sony Mobile, sem mais “Ericsson” no nome. É um dispositivo topo de linha, com uma tela incrível e câmera boa, e que deve melhorar bastante quando a fabricante atualizar seu sistema operacional para o Android 4.0.

Ao ver e mexer no Xperia S, é impossível não lembrar do Xperia X10, lançado quase dois anos atrás pela então Sony Ericsson. O formato é muito similar, com a frente retangular e a parte traseira com mais curvas. A grande diferença, porém, está na curiosa base transparente iluminada na parte inferior do smartphone:

Entretanto, essa área transparente, apesar de parecer inútil, leva à base do aparelho (é quase imperceptível, mas olhando com cuidado e muito de perto dá para notar dois conectores também transparentes: ali estão a antena e o microfone do Xperia S). Como os botões de controle do Android estão entre a tela e a faixa transparente, a área de toque é pequena e pode falhar, irritando o consumidor.

Só que o mais importante do Xperia S está na cara do aparelho: sua incrível tela de 4,3 polegadas com resolução de 720 x 1280 pontos – a mesma resolução usada nos concorrentes Samsung Galaxy S II e HTC One X (respectivamente, com telas maiores de 4,8″ e 4,7″). Na prática, isso significa ver imagens e textos muito mais nítidos. A tela é protegida por vidro resistente a arranhões (espero que melhor que do antigo Xperia Arc).

O Xperia S conta ainda com um processador de dois núcleos Qualcomm Snapdragon MSM8260 de 1,5 GHz, que tem bom desempenho e permite 1 GB de RAM e 32 GB de armazenamento interno. Na sua parte superior, vemos o botão de liga/desliga e o conector de fone de ouvidos padrão 3,5 mm – e dá para perceber bem a curvatura da parte traseira.

No lado direito, uma saída microHDMI (para ligar na TV, cabo não incluso na caixa), controle de volume e o disparador da câmera (yay!).

A porta HDMI vista de perto (e é chata de abrir – neste caso, não é um problema porque a chance de usá-la com frequência é menor).

Do outro lado, o conector microUSB também protegido por uma tampinha, difícil de abrir (dica: tente encaixar a unha por trás do aparelho) e chata de fechar. Como é uma porta que precisa de mais uso, a adoção da tampinha significa que ela vai quebrar logo logo…

Na parte de trás do Xperia S, a grande câmera de 12 megapixels de resolução e a tampa traseira (que mantém a única lembrança da Sony Ericsson com seu antigo logotipo!).

… que ao ser removida, mostra que a bateria do Xperia S é fixa e não pode ser trocada. Em resumo, esse pedação de plástico à esquerda sai apenas para o consumidor encaixar o microSIM card (sim, microSIM, seguindo o que Apple, Nokia, HTC e Samsung já fizeram).

A câmera

Sim, a câmera de 12 megapixels de resolução do Xperia S é um bom motivo de compra do aparelho. Tudo isso significa conseguir capturar boas imagens para imprimir ou usar no Facebook, mas não pense em cortar as fotos para aproximar o assunto fotografado: pode levar um susto.

Dois exemplos práticos do que estou falando. Duas fotos de 12 megapixels reduzidas para 640 pixels de largura: lindas, ótimo contraste e nitidez, reprodução bastante fiel de cores, ajuste de foco preciso.

Ao ver as fotos em 100% e recortar uma amostra, o ruído é grande – notadamente na parte do alecrim com mais foco no lado central/esquerdo da segunda imagem.

Apesar do ruído grande, a câmera do Xperia S fornece bons recursos de controle (foco na tela, modo automático ou pré-definido de captura – mas não tem modo macro, flash de preenchimento, entre outros). Algo muito legal é que a câmera se liga quase instantaneamente ao pressionar o botão, porém o intervalo de captura entre cliques é um tanto lento (prepara o foco, confirma o foco, dispara).

Tem mais um monte de fotos do Xperia S em um álbum no Facebook.

A câmera do Xperia S ainda permite capturar fotos em panorama, algo comum nas câmeras da Sony, incluindo panorama 3D/ângulos múltiplos 3D (para ser visto, claro, em uma TV 3D da marca apenas).

Ah, sim, o Xperia S faz vídeos em 1080p, o que é bem interessante. Uma amostra:

 

Software

O Xperia S chega ao mercado com um sistema operacional de 2011: o Android 2.3.7.

Embora a Sony prometa atualizar “em breve” para o Android 4.0, isso é um fator importante a se levar em conta. Concorrentes como Galaxy S III (já à venda no Brasil) e HTC One X (sem previsão ainda para o mercado local) já vêm com Android 4, que muda toda a experiência de uso, traz novos recursos e deixa o sistema do Google muito, mas muito mais amigável.

A interface modificada pela Sony traz alguns pontos altos, como o modo de economia de energia, e baixos, como manter a sofrível interface Timescape para centralizar redes sociais (eu reclamo dela desde o Xperia X10 e continuarei reclamando: sua usabilidade é zero).

Além disso, parece que os engenheiros não pensaram que pedir para confirmar TODA vez que você ativa o uso de dados ou o GPS em uma mensagem é um tanto irritante (à esquerda). Outros itens opcionais do Xperia S, porém, são controlados ou via widget (como as tags NFC)…

…ou o curioso relógio SmartWatch. Em tempo: dá vontade de clicar nesse “atualização de software” o dia todo esperando o Android 4.0.

O Xperia S também não faz feio em multimídia. Roda vídeos AVI em 480p sem problemas…

E em 720p também, sem engasgos (usei o Dice Player nesses exemplos, já que o player nativo do aparelho reproduziu os vídeos sem som).

Extras! Extras!

Dois acessórios opcionais (e sem preço definido ainda, por sinal) complementam o uso do Xperia S. O primeiro são tags (etiquetas) NFC.

Como o Xperia S vem com leitor NFC (Near Field Communication, para troca de dados/informações/pagamentos com toque) integrado e como quase não temos nenhuma solução NFC funcional no Brasil (exceção ao PagSeguro nos aparelhos da Nokia), a Sony Mobile teve a grande ideia: vamos vender tags (chamadas de Smart Tags) que podem ativar recursos do celular conforme o usuário coloca o aparelho em algum lugar (como o carro ou a mesa do escritório).

Ideia boa, implementação mais ou menos. Para configurar as tags NFC, é preciso baixar um app da Sony no Google Play, ativar o NFC (as ações já são predefinidas, mas dá para mudar) e torcer para funcionar.

De primeira não foi, de segunda também, de terceira também não. Do nada, funcionou (tinha configurado para abrir a Calculadora e o navegador neste ZTOP). Não sei se eu que não sei usar ou a coisa é lenta mesmo, mas me pareceu complicado e devagar demais para o esforço (e não vejo um consumidor acima de 40 anos tendo o trabalho de ativar e programar suas Smart Tags). Tentei, no dia seguinte, fazer um vídeo para demonstrar, mas não funcionou de novo.

O segundo acessório funcionou direito, pelo menos. É o relógio SmartWatch, que se conecta via Bluetooth com o smartphone e atua como um complemento. É preciso, de novo, baixar apps no Google Play para instalação (Twitter, previsão do tempo, calendário, localizar o telefone, aceitar/recusar chamadas, entre outros) e organizar tudo no telefone e sincronizar com o reloginho.

É útil? Mmm, sim, mas mais se você precisa de um dispositivo para te acompanhar em corridas e exercícios físicos. Ler tweets na telinha minúscula não é a coisa mais agradável do mundo. Então pense que o SmartWatch é pra esportes e um… relógio e está bom (ele funciona também com outros smartphones da Sony e até de outros fabricantes).

Vem com uma pulseira para usar como relógio (duh!)…

E sua recarga da bateria é feita via USB com um conector localizado em um local protegido de impacto: abaixo da presilha.

Desempenho

Nos benchmarks padrão do Android, o Sony Xperia S tem um ótimo desempenho, tanto em processamento quanto em vídeo. Os números são superiores ao Samsung Galaxy S II (nossa referência em smartphones Android dual-core, descontando o foblet).

- Vellamo Browser (navegador): 1.243 pontos // 968 pontos no Galaxy S II
- Quadrant Standard Edition (desempenho): 3.120 pontos // 2.959 pontos no Galaxy S II
- AnTuTu Benchmark (desempenho): 6.576 pontos // 5.660 pontos no Galaxy S II
- NenaMark 1 (vídeo): 55,3 quadros por segundo // 59,8 quadros por segundo no Galaxy S II
- NenaMark 2 (vídeo):  35,9 quadros por segundo // 44,1 quadros por segundo no Galaxy S II

Bateria: em um dia de uso intenso (3G, GPS, e-mail, ligações,, Twitter, Foursquare, Facebook, Internet, SMS, música), a bateria do Xperia S levou atingiu o nível de 40% em apenas quatro horas de uso. A bateria de 1750 mAH me parece vítima do software desatualizado do Android 2.3.7, e imagino que com o Android 4.0 esse número venha a melhorar. Nada a reclamar sobre o telefone: excelente qualidade de som para fazer e receber ligações.

Conclusões

O smartphone da Sony vale a compra por dois motivos apenas: a tela incrível e a câmera.

Seu desempenho é bom? Sim, mas a Sony está um ano atrasada em configurações. Apesar dos bons números nos benchmarks do Xperia S, os concorrentes oferecem configurações similares desde meados do ano passado (Galaxy S II, Motorola Atrix, LG Optimus 2X) e já começam a levar o dual-core para aparelhos intermediários (como o Samsung Galaxy S II Lite).

Vale lembrar que, nos aparelhos topo de linha com Android, a corrida já chegou ao processador quad-core (Samsung Galaxy S III, HTC One X) – e um desses concorrentes já está à venda por um preço um pouquinho maior que o do Xperia S, já com Android 4.0. Repito que o uso do Android 4.0 deve trazer uma nova experiência ao Xperia S – espero que a Sony não demore a liberar essa atualização ao consumidor brasileiro.

A tela é importante no fator custo/benefício: por enquanto, o Xperia S é o aparelho com tela 720p com menor preço sugerido do mercado (R$ 1.799 desbloqueado), e esse valor deve ser menor nos planos de operadoras. Se você tem outros equipamentos da Sony, como TVs da linha Bravia, a integração do Xperia S é ponto importante também. Caso o Xperia S seja muito caro para seu bolso, mas você gostou do design com barrinha transparente, a Sony Mobile também lançou por aqui os modelos P e U, mais básicos e com preço menor.

Resumo: Sony Mobile Xperia S
O que é isso? Smartphone com sistema operacional Android 2.3.7.
O que é legal? Tela grande e nítida, bom desempenho, boa câmera.
O que é imoral? Android desatualizado, configurações de um ano atrás, bateria fraca.
O que mais? Design diferente e curvado, bom preço para o desempenho.
Avaliação: 7,0 (de 10). Entenda nosso novo sistema de avaliação.
Preço sugerido: R$ 1.799 (desbloqueado; operadoras podem ter preços melhores com pacotes de dados)
Onde encontrar: Sony Mobile

Henrique Martin já escreveu na PC World, PC Mag, Folha de S. Paulo e criou o Zumo em 2007. Em 2011, o Zumo se transformou no ZTOP, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC. Siga-o no Twitter: @henriquemartin