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Vida além do PC

Enquanto o Brasil se consolida como um dos quatro maiores mercados de computadores pessoais do mundo – atrás de paí­ses como EUA e a China – no Japão, as vendas de PCs cairam pelo quinto trimestre consecutivo. Segundo o IDC, a queda na venda de desktops foi de 4,8 % e nos laptops 3,1 % no segundo trimestre de 2007.

Isso pode parecer estranho, mas isso mostra que, para o consumidor japonês, o PC está perdendo espaço no seu “estilo de vida digital” em favor de outros dispositivos inteligentes, como consoles de jogos de última geração e os smartphones, todos conectados na internet.

Assim, depois de revolucionar o mundo com seus eletrônicos de consumo como a panela de arroz elétrica, o Walkman e o videocassete, na Terra do Sol Nascente pode estar surgindo uma das primeiras civilizações pós-PC do mundo e um exemplo interessante do que pode acontecer em outras regiões tecnologicamente avançadas do planeta – a tão falada era do pervasive computing.

Segunto notí­cia publicada ontem no Japan Times, as vendas de PCs da Sony e da NEC no Japão tem caí­do desde 2006 e em outubro passado, a Hitachi anunciou que sairá do segmento de PCs domésticos para se concentrar em outros segmentos mais lucrativos. Até mesmo a venerada Apple tem visto sua venda de computadores cair 5% desde o começo desse ano.

Em contrapartida, os integradores de PCs tendem a concentrar seus esforços em novos mercados, onde muitos consumidores ainda estão adquirindo seu primeiro PC, caso de várias regiões da ísia e até mesmo do Brasil.

Sempre ouvi dizer que os PCs no Japão nunca foram muito populares pelo espaço que eles ocupam nas apertadí­ssimas casas e apês nipônicos – onde tradicionalmente a sala de estar pode servir de quarto de dormir e um fogão não tem mais do que duas bocas – o que explicaria em parte a paixão do japonês pelos serviços de Internet e troca de emails via telefone celular, que hoje também baixa música e jogos, recebe sinal de TV, faz teleconferência e ainda serve para fazer transações comerciais – um verdadeiro “computador pessoal”.

Segundo pesquisa realizada em 2006 pelo Ministério das Comunicações e de Assuntos Internos do Japão, mais de 50% da população local envia e recebe e-mails e navega pela Internet pelo telefone. E desse universo pesquisado, 30% deles disseram usar menos seus computadores para trocar mensagens e 4% afirmaram ter abandonado completamente os PCs.

Curiosamente, a rede de relacionamentos que mais cresce por lá – a Mobagay Town – foi projetada para funcionar exclusivamente em celulares.

Fora isso, outros eletrônicos da moda, como as câmeras digitais, podem se conectar diretamente nos aparelhos de TV e até nas impressoras fotográficas (via PictBridge), dispensando o uso do PC.

Alguns analistas também citam outro fenômeno comportamental: apesar dos trabalhadores japoneses serem considerados workaholics, muitos deles não levam serviço pra casa. De modo que, ao sair do escritório, eles se contentam em trocar mensagens e baixar conteúdo em seus celulares.

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

  • Mas de qualquer forma eles possuem uma base instalada enorme de ocs, e mesmo que partão para a mobilidade ainda assim precisaram dele, acho que o pc ainda vai reinar por muito tempo nos lares de qualquer lugar do mundo