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Vai um céu virtual no escritório aí?

Pesquisadores do Instituto Fraunhofer (sim, aqueles que inventaram o MP3) criaram um novo sistema de iluminação de teto que simula dinamicamente o azul do céu e a passagem das nuvens carregadas pelo vento.

A ideia é criar um ambiente profissional mais agradável e que passe a impressão de trabalhar ao ar livre, independente de como está o tempo lá fora — o que, por sinal, pode ser uma mão na roda para aqueles países onde o clima é mais chato.

Para mim, o mais interessante dessa pesquisa é que apesar da simulação do céu ser feita por computador, a reprodução das imagens não é feita por sofisticadas (e caras) telas de LCD, mas sim por painéis de 50 cm de lado formados por 288 LEDs coloridos (vermelho, azul, verde e branco) cobertos por um filtro difusor na cor branca.

A grande sacada aqui é que esse filtro fica a 30 cm de distância dos LEDs — assim eles não não percebidos como pontos de luz e sim como uma massa homogênea capaz de reproduzir até 16 milhões de tons diferentes.  Fora isso, o sistema de iluminação a LED é mais econômico que outros sistemas convencionais, o que pode ajudar a reduzir a conta de luz no final do mês.

Esse projeto está sendo desenvolvido pelo Instituto Fraunhofer para Engenharia Industrial (IAO) — localizado em Stuttgart, na Alemanha — em parceria com a LEiDs GmbH, que estudou o efeito da passagem da luz natural através das nuvens e a sua variação de tom e intensidade conforme as massas de nebulosidade se movem pelo firmamento.

Isso porque é preciso que a simulação do céu seja a mais perfeita possível, já que qualquer comportamento anormal ou inesperado (digamos, como um flash de relâmpago num dia de sol) costuma chamar a atenção das pessoas, tirando assim o seu foco no trabalho. A tecnologia aqui pretende encontrar o ponto ideal que ajude as pessoas manterem-se ao mesmo tempo alertas e concentradas nas suas atividades.

E para testar essa tecnologia, os pesquisadores convidaram voluntários que trabalharam o quatro dias sob esse novo sistema de iluminação, sendo que no primeiro dia as luzes permaneceram estáticas. Já no segundo dia, as luzes mudavam suavemente e no terceiro as mudanças eram mais rápidas.

No quarto dia as pessoas puderam escolher que tipo de luz mais lhe agradaram sendo que 80% delas optaram pelas luzes mais rápidas e dinâmicas. Um protótipo em maior escala desse céu virtual já está sendo desenvolvido e irá cobrir uma área de 34 metros quadrados onde serão usados 34.5609 LEDs. A intensidade dessa luz ambiente é de mais de 3.000 lux, apesar de que números em torno de 500 a 1.000 lux já são considerados níveis de iluminação bastante confortáveis.

O custo estimado desse sistema é de ~ 1.000 Euros por metro quadrado, mas esse valor obviamente tende a cair a medida que a produção ganhe escala.

Essa pesquisa será mostrada no stand da CeBIT em Hannover, entre os dias 6 a 10 de março de 2012.

Mais informações aqui.

ZTOP in a Box:

Essa idéia de simular a passagem do tempo (ou mais exatamente do dia) dentro do ambiente de escritório já foi explorado no passado. Para mim um dos casos mais curiosos foi o Dilbert’s Ultimate Cubicle, concebido pelo cartunista Scott Adams em 2000 em parceria com o estudio de design IDEO.

Além das coisas óbvias — como radar de chefe, polidor de sapato elétrico, base aquecedora de café, caixa térmica para bebidas etc. — um detalhe que chama a atenção nesse projeto é seu sistema de luminárias (localizada na parte de cima do cubículo) cujo brilho aumenta ou diminui, simulando assim o movimento do sol durante o dia. 

Mais informações aqui, aqui e aqui.

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

  • só eu lembrei de Harry Potter?
    só pra avisar eu não sou fã.

    mas seria legal quebrar aquela mesmice de paredes monocromaticas com um céu artificial no teto. 😀

  • dioo_RT/10

    Ideia criativa… muito melhor do que viver nessa selva de pedra que é esse escritorio que eu estou agora haha!