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Uma tarde nos boxes da Ferrari

Zumo no GP Brasil 2008 — Assim como no ano passado, este Zumo visitou ontem (30/10) os bastidores do GP Brasil 2008 — mas desta vez a convite da AMD — com direito a um rolê pelos boxes da Ferrari e um papinho com Dieter Gundel, engenheiro de acompanhamento eletrônico da equipe e até com Felipe Massa.

Parceiros desde 2002, os homens de verde e de vermelho gozam de um feliz relacionamento que lhes rendeu cinco campeonatos mundiais de construtores (incluindo o de 2008, já conquistado por antecipação) e que mostra como o uso da tecnologia é nos dias de hoje um dos importantes fatores para estar na frente dos rivais numa categoria tão competitiva como a F1.

Segundo Roberto Brandão, gerente de tecnologia da AMD Brasil, o aumento da capacidade de coleta, processamento e análise de informações de telemetria (mais de 500 informações de desempenho vindas só do carro), permitem à equipe analisar e até mesmo simular diversos cenários durante a corrida para agilizar no processo de tomada de decisões, inter-relacionando fatores e variáveis complicadíssimas como o rendimento aerodinâmico do carro de acordo com as condições da pista e até mesmo do clima (chuva, sol, calor, frio). De fato, a Ferrari foi uma das primeiras equipes a estudar cientificamente a previsão e as condições do tempo junto com as informações dos carros nas suas estratégias de corrida.

O curioso é que, segundo as regras do campeonato, a equipe tem a permissão de coletar remotamente as informações do carro, mas não pode enviar instruções automaticamente o para modificar a configuração do mesmo. Todos os ajustes tem que ser feitos manualmente pelo piloto por meio de instruções transmitidas pelo seu engenheiro de corrida. Isso faz com que o volante do carro seja cheio de botões e controles para nenhum fã de simulador de caça de combate botar defeito. Segundo a AMD, o volante (que também abriga um dos computadores de bordo) chega a ser uma das peças individuais mais caras do carro de fórmula 1 (uns US$ 150 mil). perdendo talvez, apenas para o piloto do campeonato.

O uso da tecnologia é particularmente interessante no controle de “overdrive” (o botão vermelho com as letras OV), que arranca uma força extra do motor (que já costuma trabalhar no limite) por um período muito curto e é usado principalmente em ultrapassagens. Segundo Brandão, ao apertar esse botão, o computador de bordo analisa todas as condições do motor em tempo real e libera a potência extra sem que o motor exploda.

Outra frente de batalha fica na sede da equipe em Maranello, onde clusters de computadores realizam diversos tipos de simulações (três por dia, 365 dias por ano) e analisam a montanha de informações coletadas nas corridas e que ajudam no desenvolvimento do carro que, por sinal, muda praticamente todo o ano.

Segundo Brandão, antes do início de cada campeonato, as características básicas do carro do ano já estão definidas, assim como as soluções e implementações que devem estar disponíveis na época de cada grande prêmio. Sob esse ponto de vista a idéia de “campeonato de construtores” começa a ter mais sentido, já que as equipes disputam praticamente uma corrida paralela, para ver quem é o melhor no campo da criatividade, inovação e uso da tecnologia.

A má notícia é que diante dos novos desafios da empresa, pode ser que parceria entre o pessoal de Maranello e o pessoal de Sunnyvale não se renove na forma de patrocínio em 2009, mas o tecnológico com certeza será mantido.

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.