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ZTOP explica: O que é um Ultrabook?

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Quando publicamos o hands-on do Sony Vaio T de 13″, um amigo (oi Isma!) comentou: “mas isso não é meio gordo demais para ser considerado Ultrabook?“. A máquina recém-lançada tem 1,7 cm de espessura e levantou a curiosidade: mas o que é mesmo um Ultrabook de acordo com as especificações da Intel?

A não ser que você tenha passado os dois últimos anos em uma caverna, já deve ter ouvido falar do Ultrabook, que desde 2011 deixou de ser um superlativo para se tornar algo mais concreto.

Anunciado pela Intel durante a Computex de 2011, o Ultrabook é a segunda tentativa do pessoal de Santa Clara de emplacar um padrão para notebooks leve e finos de uso geral.

A primeira vez foi em meados de 2010, quando a Intel ressuscitou em seu catálogo de produtos uma linha de chips meio obscura conhecida como processadores ULV (de Ultra Low Voltage) ou SU, chips para notebooks baseados em modelos de linha, porém otimizados para consumir pouquíssima energia, permitindo assim, elevar sua autonomia de bateria.

Daí surgiu nasceu toda uma nova geração de produtos que mais lembravam netbooks vitaminados, equipados com teclados mais espaçosos e telas de 12 e 13 polegadas.

Como esses modelos não vinham com leitor de mídia óptica, os fabricantes de hardware puderam manter um perfil leve e fino e isso deu origem ao seu apelido Ultrathin.

Um bom exemplo dessa linhagem foi o Positivo Aureum de 2010 (!), equipado com tela LCD-LED de 13,3 polegadas, 1,6 kg de peso e equipado com processador Intel Celeron ULV 723 de 1,2 GHz ou Intel Pentium SU2700 de 1,3 GHz, 2 a 4 GB de RAM, disco rígido de 320 a 500 GB.

A idéia era boa, mas o produto nunca emplacou porque os chips ULV não foram rápidos o suficientes para convencer os usuários a abandonar seus modelos mainstream.

Mas, de qualquer modo, essa iniciativa mostrou que eles estavam no caminho certo, porém precisariam oferecer uma plataforma mais robusta capaz de combinar desempenho e autonomia dentro de um gabinete leve e fino, o que só aconteceu em 2011 com o anúncio da primeira geração de Ultrabooks…

… só que desta vez equipado com uma versão móvel do Core ix de segunda geração “Sandy Bridge Ultra” de 17 watts cujo encapsulamento é bem menor…

… que a versão móvel usada em notebooks de linha. Note que o chip Ultra é soldado na placa-mãe e não encaixado no soquete, o que economiza espaço e espessura da plataforma.

Interessante observar que, desta vez, a Intel não quis criar apenas um novo notebook e sim toda uma nova família de produtos que terá diversas opções de configuração, recursos e tamanhos de tela (de 11″ até 17″), contando inclusive com workstations móveis e até tablets-conversíveis.

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E para isso, o pessoal de Santa Clara registrou a marca “Ultrabook” e criou uma série de especificações que o fabricante deve seguir para que seu produto tenha o direito de ser reconhecido como tal e até receber um selo de certificação (e dizer que foi “inspirado pela Intel”):

E quais são essas regras?

Isso depende da geração do produto e também do feedback que a Intel tem recebido do mercado. No geral, a primeira geração de Ultrabooks equipados com o atual processador Core Ivy Bridge Ultra de 17 watts é conhecida como Huron River e deve oferecer autonomia mínima de 5 horas de bateria (recomendado 8h) e voltar de um estado de hibernação (S4) em menos de sete segundos.

Interessante notar que a plataforma Ultrabook também foi pensada para rodar Mac OS X, além do Windows, o que reforça os rumores de que o MacBook Air foi co-desenvolvido pela Intel, o que lhe deu o direito de explorar esse projeto depois de uma moratória de alguns anos. Mas isso nem Apple nem Intel nunca vão confirmar.

Mas voltando ao que interessa, um dos principais parâmetros que devem ser seguidos pelos fabricantes é a espessura do equipamento, que não deve ultrapassar 1,8 cm nos modelos com telas abaixo de 14″. Já para os modelos com tela maior ou igual a 14″ o limite sobe para 2,1 cm e os modelos conversíveis (que viram tablet) terão uma tolerância adicional de até 2 milímetros.

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Note que a altura dos pezinhos de borracha não deve ser levada em consideração e que as baterias estendidas são aceitas, mas elas deverão ser contadas na espessura total. Os modelos com tela de 14″, 15″ e 17″ poderão vir equipados com unidade de disco óptico embutido.

Para garantir a rigidez estrutural e integridade física do gabinete e da parte eletrônica, recomenda-se o uso de metal, apesar que outros materiais (como fibra de carbono) possam ser adotados mas desde que atendam as mesmas exigências de resistência. Vale a pena observar que as regras da Intel com relação a espessura do Ultrabook se refere ao seu limite máximo ou seja, fica a critério do fabricante adotar um gabinete de perfil mais retangular (como os novos Vaio T) ou na forma de cunha (embaixo).

Porém, esse formato — que parece que está virando sinônimo de Ultrabook — é meio que uma ilusão de ótica já que neste caso os fabricantes usam curvas suaves para “afinar” as extremidades do gabinete, passando assim a impressão de que ele é mais fino do que realmente é:

 

Fora isso, a Intel também incentiva o desenvolvimento/uso das chamadas de baterias prismáticas, cujo formato pode ser retangular/tablete, ao contrário dos atuais modelos cilíndricos, que podem até serem usados na articulação do portátil.

Interessante notar que apenas os processadores Core ix de segunda geração poderão ser usados nos Ultrabooks, mas com o passar do tempo (~ meados de 2012), os chips das famílias Pentium e até Celeron baseados no Ivy Bridge Ultra de 17 watts poderão ser adotados,  reposicionando assim o Huron River como um produto de entrada/mainstream.

Isso também abre espaço para a chegada do Chief River, o Ultrabook de segunda geração já baseado no Ivy Bridge. Um protótipo desse novo modelo já foi apresentado durante o último IDF aqui em São Paulo:

Segundo a Intel, o Chief River será baseado no Ivy Bridge “Ultra” também de 17 watts e terá as mesmas especificações em relação às suas dimensões.

Como alternativa de preço para o SSD (usado pela Apple nos MacBook Air como único modo de armazenamento e visto também nos Asus Zenbook), a Intel desenvolveu a tecnologia Intel Rapid Storage ou simplesmente RST) que recomenda o uso de pelo menos 24 GB de memória cache do tipo SLC para funcionar como um grande cache para melhorar o desempenho de um HD convencional. Por isso que o Vaio T, por exemplo, vem com 32 GB de SSD + 320 GB de HD. Mas o preço do SSD no mercado internacional vem despencando e deve se tornar mais popular entre os Ultrabooks.

Para melhorar a segurança do equipamento (e mais ainda de seus dados), a idéia é que o Chief River incorpore algumas tecnologias criadas originalmente para sua plataforma vPro, com criptografia de dados e sistemas anti-furto, como a notória “pílula de suicído”: em caso de perda/roubo do portátil, um comando remoto faz a máquina parar de funcionar. Com isso, o Ultrabook também pode ser uma opção interessante também para o mercado corporativo (a HP, por exemplo, já lançou o seu Folio 13 por aqui).

A plataforma USB 3.0 é outro padrão e outras interfaces como Light Peak podem ser usadas. Fora isso, o pessoal de Santa Clara recomenda o uso de sensores como touchscreen, GPS, acelerômetros, sensores de proximidade e de luz ambiente o que tornará o PC cada vez mais sensível ao ao que acontece ao seu redor…

… fazendo com que a máquina tenha uma maior percepção de algo dentro de um contexto mais pró-ativo do que reativo…

… proporcionando assim uma experiência de uso ainda mais rica:

Isso também deve abrir caminho para novos padrões de formatos — em especial dos chamados convertibles — capazes de também funcionar como tablets, tirando assim o máximo proveito da nova interface de toque do Windows 8. Bons exemplos são os sliders (onde a tela escorrega sobre o teclado):

Ou o Yoga da Lenovo revelado durante a última CES 2012 e que rebate sua a tela em 360 graus:

Ou o Taichi da Asus com seus dois painéis LCD montados nos lados opostos da tela:

Ou o Transformer Book, também da Asus:

E até mesmo o notório Intel Nikiski, um Ultrabook-conceito equipado com uma base transparente sensível ao toque…

… e que pode ser usado mesmo fechado.

E com relação ao futuro?  Os rumores indicam que a plataforma que vai suceder o Chief River é a Sharky Bay, que utilizará uma versão “Ultra” de 13 watts do processador Haswell que deve chegar ao mercado em meados de 2013.

Como pudemos ver, a idéia é que com o passar do tempo o Ultrabook transcenda atual modelo de uso do PC para além do preencher documentos, acessar email, ver filmes, navegar na rede e azarar nas redes sociais.

Além de ter bom desempenho, ser bonito, seguro, sempre conectado e pronto para uso, essa plataforma deverá dispor de novas aplicações e modelos de uso que permitam tornar o seu uso ainda mais fácil.

Sob esse ponto de vista, a Intel já disse que investe pesado em pesquisa e desenvolvimento em diversas áreas como computação continuada, reconhecimento de voz e gestos (no ar e não na tela) e até sistemas capazes que reagir de acordo com o contexto/local/ambiente.

Claro que a concorrente AMD não quer deixar seus parceiros de hardware para trás e anunciou recentemente sua plataforma Ultraslim, também com chip APU de baixo consumo (17 watts).

Fabricantes como a Samsung já têm máquinas Ultraslim, como um notebook da série 5 Chronos:

Samsung AMD Ultraslim

Quem viver, verá.

 

 

 

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.