ZTOP

IFA 2012: Windows 8 rouba a cena (e a Samsung também)

DSC08384

Quase três meses depois de o Windows 8 ser o principal destaque da Computex 2012, os fabricantes de hardware aproveitaram a IFA 2012 para trazer suas novidades, já além da fase de simples protótipos – afinal, o Windows 8 sai em 26 de outubro.

A IFA é a feira de rádio de Berlim e principal evento de eletrônicos de consumo da Europa, e encerrou sua edição 2012 nesta quarta-feira (5).

O hardware roubou a cena das TVs, tradicional ponto forte do evento,  já que o maior passo nessa área foi a demonstração de tecnologias futuras de imagem, como 4K, 8K e OLED. E uma única companhia conseguiu voltar todos os holofotes para ela, em diversas áreas de produto: a Samsung.

 1) Os computadores para Windows 8

A Computex foi incrível, mas é uma feira restrita a fabricantes de Taiwan.  Por isso que tivemos tantos notebooks, tablets e híbridos durante a IFA 2012: Sony ou Samsung, para ficar em dois exemplos, não vão à feira de Taipei.

E isso não é ruim: os conceitos apresentados em junho se firmaram e se tornaram produtos reais. E durante a IFA deu para todo mundo mexer, fuçar e descobrir como funciona o Windows 8 (uma das coisas mais legais da IFA é que não é restrita ao mercado de eletrônicos e imprensa: é aberta ao público, e muita gente vai lá só para passear com os filhos e tirar foto na frente de eletrônicos gigantes).

A Sony, por exemplo, apresentou seu novo Vaio Duo 11, um híbrido entre notebook e tablet com tela deslizante. E trouxe um novo conceito: o tablet de sofá com o Vaio Tap 20:

A Acer requentou seus lançamentos de Taiwan, como o ultrabook Aspire S7, que, em sua versão com tela de 13″, tem uma tela touchscreen reclinável. E a Asus rebatizou sua linha de tablets com teclado e Windows 8 para o nome Vivo (que deve causar problemas no Brasil…).

A Dell, mais conservadora, mostrou atrás de um vidro seus dois novos projetos: XPS 10, com Windows RT, e o XPS Duo 12, com Windows 8 e tela… giratória. A HP se escondeu em um hotel a 10 minutos da feira e, mesmo com lançamentos anunciados, não deixou a gente entrar (fuen fuen fuen).

Outro fato interessante é que, com os híbridos – e destaque para as máquinas com Windows RT – a Microsoft vai conseguir abocanhar um bom pedaço do mercado de tablets. Esses modelos, com processador ARM, terão o básico: duração enorme da bateria (um fabricante, que pediu para não ter o nome divulgado, comentou que podem chegar a mais de 10 horas fora da tomada), acesso à internet e pacote Office pré-instalado.

E, por pedir recursos de hardware específicos para as máquinas, apenas grandes fabricantes conhecidos vão produzir tablets WinRT, livrando o mercado de produtos de origem duvidosa, como ocorreu bastante com o Android.

2) As TVs futuristas que não cabem na sua sala

Passado o frenesi do 3D e das “TVs inteligentes” – os fabricantes entendem que isso é só um recurso adicional para diversão em casa, mas não deve ser o principal -, as novas TVs se dividem em duas categorias: as superfuturistas e os pequenos avanços nas tecnologias atuais.

Nas superfuturistas, Sony, LG e Toshiba mostraram modelos comerciais das suas TVs 4K, que aumentam várias vezes a resolução da tela (veja como a tecnologia funciona). LG e Samsung apostaram também em telas OLED já apresentadas em outras feiras, mas que agora prometem chegar (caro) na casa do consumidor.

E a Panasonic deu data para a TV do futuro: em 2020 chega sua televisão 8K, desenvolvida em parceria com a emissora japonesa NHK, com uma imagem em tamanho quase real (na foto acima).

Já entre os modelos que podemos comprar hoje sem precisar ganhar na mega-sena, os avanços tecnológicos ficam na questão da diminuição da borda da tela – como no modelo muito louco da Loewe acima – e a inserção de novos detalhes de acabamento, como na Samsung abaixo:

Pequenas melhorias também valem a pena: a Philips anunciou uma nova linha de TVs com a tecnologia Moth Eye, que diminui os reflexos na tela. Típica questão “por que ninguém pensou nisso antes?”. O chefão de TVs da Philips bateu um papo com a gente e foi bem realista em relação aos superavanços dos concorrentes.

Ah, sim, e a LG mostrou seus games casuais na TV.

3) Smartphones

A IFA foi a feira do “não tem muito pra ver em telefone”, por dois motivos: anúncio mesmo é no Mobile World Congress, no começo do ano, e a maioria dos fabricantes já lançou ou está para lançar seus grandes aparelhos para o fim do ano (Samsung com o Galaxy S III, Nokia falou hoje de manhã dos seus Windows Phone 8, o iPhone “5” está vindo – e até encontrei uma capa tosca pra ele).

Falando em Galaxy, uma parceira da Samsung mostrou como transformar o smartphone em um notebook.

Então, a IFA é palco de menores destaques, como novos modelos da linha Xperia (três aparelhos com o mesmo design e tamanhos de tela diferentes rodando Android 4 e um novo tablet), da Sony Mobile (foto acima) e o HTC Desire X, da fabricante taiwanesa-que-saiu-do-Brasil:

Esperava ver na IFA 2012 o LG Optimus G, anunciado dias antes da feira, mas os coreanos só levaram TVs para seu estande (sério!) Acabei achando o novo LG Optimus L9 no estande da operadora Vodafone.

4) Home Appliances e outros bichos

Metade da IFA é dedicada a coisas pra casa e cuidados pessoais. Dava para ir ao estande da Philips e escovar os dentes, testar um novo limpador de dentes e até fazer a barba (isso era possível na Panasonic também – que lançou a lâmpada LED mais bonita que já vi).

No mundo das geladeiras, fogões e lavadoras, faltou inovação. Ninguém fez grandes lançamentos – a Samsung promoveu bastante suas lavadoras com “EcoBubble”, que lavam roupas com espuma, mas não é algo exatamente novo (já tem pra vender no Brasil faz um tempinho até).

O que mais se viu nesta parte do evento foi um enorme destaque para o design: aparelhos em cores fortes e muito desenho retrô (como o Original Radio da Philips e os refrigeradores da Gorenje, acima, para citar apenas dois das centenas de lançamentos estilo “De Volta para o Futuro, a missão”).

Eletrodomésticos embutidos, que parecem armários ou gavetas, também seguem firmes e fortes na Europa. Tanto a tendência color + retrô quanto a de esconde-esconde devem ter pouco apelo no mercado-brasileiro-apaixonado-por-branco-ou-inox, então não devemos ver muitas empresas ousando nesses quesitos no País – mas esperamos que a Bodum (abaixo), novata em home appliances, cumpra seus planos de lançar a nova linha também no Brasil, onde eles já fazem sucesso com facas emborrachadas, copos e espremedores de laranja.

Pelo menos encontramos uma vassoura-robô no meio do caminho e um umidificador de ar pessoal portátil.

5) Samsung

Outro dia algum conhecido comentou sobre o desejo da Samsung de querer estar em toda parte da vida da população mundial – na Coreia, além de TVs, telefones, home appliances, o grupo Samsung constrói prédios, navios e tem até seguradora e agência de publicidade. Na IFA 2012, esse desejo se mostra muito real.

Dos fabricantes de eletrônicos-que-produzem-montes-de-coisas, a Samsung foi a única a ter dois pavilhões a sua disposição: um para os produtos de consumo – smartphones, TVs, computadores – e um para os home appliances. A Panasonic colocou tudo no mesmo lugar, e a LG só tinha televisores em seu espaço (e mais nada).

E a escala criada pelos produtos da Samsung – impossível não citar o Galaxy S III – leva a um interesse enorme do consumidor.

Antes da IFA, o número de rumores sobre os lançamentos de um único produto, o Galaxy Note II, era enorme. A Samsung (não vou entrar no mérito do processo contra a Apple nos EUA) conseguiu virar centro das atenções também.

E é pelo esforço e tentativa que eles vão comendo mercado dos concorrentes: nem sempre um produto Samsung pode ser o melhor em sua primeira versão, mas é o mais barato (escala! escala! escala) e costuma ser bastante bonito.

Vide a linha Galaxy de smartphones: começou simples com o S original, cresceu demais com o S II e hoje é o líder nos Androids com o S III (eu ainda acho que, com isso, os concorrentes em Android tendem a encontrar alternativas ou desaparecer, o que não é bom). Ou o que eles fizeram com TVS LCD nos últimos anos.

Na IFA 2012, a Samsung apostou em um monte de coisas: além da estrela do evento, o  Galaxy Note II, a fabricante mostrou um novo conceito, a Galaxy Camera, que tem tudo para dar certo. Trouxe uma nova linha de PCs e tablets, a ATIV, incluindo um modelo com Windows RT (ATIV TAB) e um smartphone com Windows 8, o ATIV S . Falou do futuro do computador com um notebook com “tela Retina”  e outros protótipos.

Ah, sim, e tinham um protótipo de TV 4K num cantinho do estande – sem quase nenhum detalhe sobre o produto.

 

Balanço do Henrique na IFA 2012

Na IFA, levei o FitBit para andar comigo. Cheguei a Berlim na tarde de quarta (29) e saí correndo para a coletiva de imprensa da Samsung e esqueci de levar meu contador de passos.

Somando os dias de caminhada e pelo menos meia hora no metrô todo dia para ir e voltar da Messe Berlim, de quinta (30) a ontem (04) andei, de acordo com a estatística do FitBit: 91.729 passos, subi 44 andares e caminhei no total 69,8 quilômetros, queimando 22.899 calorias (repostas, claro, com pizzas, doces e essa alimentação saudável de quem cobre feira, sem contar os inúmeros cafés expressos!)

Ah sim, foram 3.078 fotos tiradas durante todo o evento (viva o disco de backup!), ou um pouco mais de 12 GB de dados.

E depois da IFA?

uma palavrinha só: férias!

Semana que vem o Nagano cuida do ZTOP com a cobertura do Intel Developer Forum, lá em San Francisco, e eu tenho algumas coisas prontas para alimentar o site enquanto estiver fora.

Volto a aparecer no site só no dia 18, fim das férias, direto de Londres, com o lançamento da Motorola com a Intel (famoso “calhou de eu estar lá, né?”). Enquanto isso, viva a vida offline.

Henrique Martin já escreveu na PC World, PC Mag, Folha de S. Paulo e criou o Zumo em 2007. Em 2011, o Zumo se transformou no ZTOP, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC. Siga-o no Twitter: @henriquemartin