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Canon x smartphones: como encarar esse desafio?

Como disse no primeiro post sobre nossa recente visita ao Japão a convite da Canon, um dos assuntos de grande interesse era a posição da fabricante japonesa em relação a um mercado consumidor cada vez mais conectado, arisco e ávido por informações visuais que não precisam vir de uma câmera convencional e sim de um celular ou smartphone.

Esperando isso, a Canon tinha a resposta na ponta da língua e explicou  sua visão de como se adaptar a essas novas mudanças com uma estratégia que — na sua essência — até que é bastante simples e óbvia. Quem fez essa explanação foi Mickey Matsudaira, diretor executivo do ICP Grupo 3 da Canon Inc. e responsável pelas linhas de câmeras compactas e impressoras Selphy.

Segundo o executivo, a Canon hoje vende quatro linhas de produtos PowerShot: as compactas de entrada Série A, os modelos da Série Elph, as super-zooms da Série SX e os modelos premium G1X, G15 e S110, totalizando 18 produtos, incluindo as novas câmeras-conceito PowerShot N e PowerShot D20.

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Matsudaira reconhece que as vendas dos modelos de entrada como um todo caíram significativamente nos últimos dois anos, despencando de uma média histórica de ~ 108 milhões de unidades vendidas até 2011 para 93 milhões em 2012 e uma previsão de vender apenas 70 milhões em 2o13. Segundo a Canon, a queda tem dois motivos: a recessão econômica mundial e a competição dos celulares e smartphones.

Ele observa porém que as vendas dos modelos super-zoom tem mostrado um crescimento significativo, como no mercado americano, onde as vendas aumentaram em mais de 70% se comparado com ano anterior.

Com relação a sua estratégia de produtos, a Canon quer concentrar seus esforços em duas frentes: A primeira é na constante melhoria da sua linha de produtos com ênfase na qualidade da captura de imagem. Por desenvolver internamente a tecnologia de seus principais componentes (óptica, sensor e processador de imagem) e não terceirizar sua produção, a companhia se sente numa posição de vantagem no que se refere a entregar aquilo que promete: fotos mais belas.

Ao mesmo tempo, a Canon também vai investir em soluções de conectividade, facilidade de uso e até explorar melhor os prazeres de brincar com as fotos capturadas o que é, de um certo modo, o grande atrativo das câmeras em celulares/smartphones que, no ano passado foram comercializados mais de 600~700 milhões de unidades.

Canon_produtos_x_solucoes

Assim, uma das estratégias da Canon para enfrentar a concorrências dos celulares será a diferenciação, ou seja, valorizar em seus produtos aqueles recursos que nas câmeras de celulares ainda são precárias (para não dizer ruins) como o desempenho em baixa luz…

canon-foto_noturna

… e o zoom nas imagens. Um bom exemplo é a PowerShot SX50 com seu zoom óptico que vai de uma grande angular de 24 mm (equiv.)…

Canon_SX50_HS_24mm

… até uma super-tele de 1.200 mm (equiv.)…

Canon_SX50_HS_1200mm

Podendo aumentar ainda mais esse alcance com o uso do zoom digital.

Canon_SX50_HS_2400mm

Assim, de agora em diante o mantra da Canon para sua linha de compactas é bom desempenho em baixa luminosidade e zoom cada vez mais versátil e amplo.

Outra estratégia ainda mais interessante é o que a Canon chama de coexistência: implementar recursos que facilitem o uso da câmera com outros dispositivos móveis como celulares, smartphones e tablets, agilizando assim o processo de captura, tratamento e envio de fotos para os diversos serviços na nuvem.

Canon_coexistencia

Esse conceito de coexistência já está disponível em alguns modelos PowerShot, como a S110 que incorpora uma interface WiFi que permite transferir fotos para um smartphone/tablet por meio de uma app da Canon, como o Camera Window para Android e daí para qualquer outra aplicação como Facebook ou Instagram.

Canon_camera_window

E para não dizer que esse conceito de coexistência ainda está no mundo da teoria, um resultado prático dessa estratégia é a nova Canon PowerShot N, uma câmera-conceito que poderia ser chamada de “Câmera Instagram” se outra empresa já não estivesse trabalhando nisso.

Canon_PowerShot_N

Ao contrário dos outros modelos de desenho mais convencional, a PowerShot N foi feita para fugir do clássico conceito de “point-and-shoot” (= aponte e dispare) já que ela facilita a captura de fotos de diferentes ângulos e direções. Note que essa câmera não possui botão de disparo com anel de zoom e sim dois anéis ao redor da lente que assumem essas funções.

Canon_Powershot_N_features

Isso permite o que a Canon chama de Fotos Artísicas que valorizam três fatores:  diferentes ângulos, diferentes composições e diferentes luzes e cores. É fato que muito disso vem da cabeça do fotógrafo também.

Canon_Fotos_artisticas

De fato, essa câmera pode até dar uma ajudinha extra, já que ela possui internamente um algoritmo bem sofisticado para tratamento e aplicação de filtros artísticos…

Canon_processamento-automatico

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… capaz até de analisar a imagem e gerar automaticamente até cinco variações criativas:

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E o resultado final pode ser enviado para um smartphone/tablet com apenas um toque de botão:

PowerShot_N_send

Trata-se de uma câmera divertida que combina as qualidades de uma câmera digital com a facilidade de uso e conectividade com um smartphone. E com o passar do tempo, a tendência é que esse conceito seja implementado em outras câmeras da fabricante.

Resumindo: com mais de um trilhão de fotos digitais tiradas anualmente e armazenadas em algum lugar na rede, a Canon pretende (e quer) fazer parte desse ecossistema com produtos cada vez mais amigáveis e sofisticados sem abrir mão da qualidade de imagem, permitindo assim que mais e mais pessoas possam sentir o prazer de tirar, compartilhar e curtir suas fotos… de preferência com uma câmera Canon é claro! 🙂

canon_fluxo_fotos

DisclaimerMario Nagano viajou ao Japão a convite da Canon, mas todas as opiniões e fotos bacanas são dele.

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.