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Sailfish OS: olá, Meego (de novo)

Era uma vez um sistema operacional móvel baseado em Linux chamado Maemo, nascido na Finlândia. Sua mãe, Nokia, investiu por anos e anos em seu desenvolvimento, lançando tablets antes de todo mundo, sem muito sucesso, e apenas um e único incrível smartphone, o Nokia N900.

Arrumou-se então um casamento forçado com a Intel, que finalmente percebeu que estava perdendo a guerra da mobilidade, e o projeto ganhou novo nome, Meego, resultando em um único e incrível smartphone, o Nokia N9.

Só que a Nokia não estava feliz com sua plataforma de smartphones e, com a plataforma em chamas, jogou tudo para o ar e apostou em um novo sistema em parceria com a Microsoft, o Windows Phone.

O Meego ficou de escanteio, como um backup para “plataformas disruptivas”, mas logo foi aposentado. Uma nova companhia finlandesa, a Jolla, formada por ex-funcionários da Nokia que trabalhavam com o Meego, anunciou hoje uma nova vida para o sistema: agora ele é Sailfish OS.

Não existe aparelho anunciado ainda, apenas a existência do kit de desenvolvimento de software do do sistema operacional, e uma prévia da sua interface:

O sistema é multitarefa e a interface se baseia em aplicativos rodando direto da tela inicial do aparelho, sem precisar abrir o programa.

Segundo a Jolla, o “Sailfish OS é adaptável e compatível com smartphones, tablets, Smart TVs, carros e outros tipos de dispositivos. O SDK é a escolha certa para os parceiros da Sailfish Alliance contribuírem para o direcionamento do sistema operacional e o desenvolvimento de novos e mágicos produtos”.

A Jolla diz ainda que a Sailfish Alliance quer unir fabricantes de aparelhos(OEMs e ODMs), fornecedores de chipsets (ST Ericsson já disse que sua plataforma NovaThor é compatível), operadoras, desenvolvedores e varejistas. Uma operadora finlandesa (DNA) já disse estar pronta para a Jolla/Sailfish.

Vale notar que o site da Jolla tem conteúdo em inglês e chinês, e está na cara que esse enorme mercado será o foco da Jolla e seus parceiros. E reza a lenda que a Jolla faz parte de uma incubadora da Nokia, então existe a chance remota de, algum dia, quem sabe a cobra morder o rabo, certo?

 

Henrique Martin já escreveu na PC World, PC Mag, Folha de S. Paulo e criou o Zumo em 2007. Em 2011, o Zumo se transformou no ZTOP, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC. Siga-o no Twitter: @henriquemartin