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Review: Workstation portátil Lenovo W700ds (duas telas!)

thinkpad_w700ds_intro

De todos os produtos de tecnologia, acredito que os notebooks sejam os mais influenciados pelo fenômeno que chamo de evolução “darwiniana”, ou seja, por mais que os engenheiros e designers se esforcem em avançar no desenho desses portáteis, todos acabam mais ou menos na mesmice do formato clamshell ( = ostra) com tela na frente, teclado na base e touchpad na base — não por preguiça mental dos fabricantes, diga-se de passagem — e sim pela paixão que os usuários têm por esse padrão de formato simples e prático.

Apesar da nova workstation móvel da Lenovo — o ThinkPad W700ds — não fugir desse conceito, ela realmente se destaca da multidão pelos requintes do seu projeto — e tudo isso sem ter uma fruta iluminada no gabinete! 😉

Medindo aproximadamente 41 x 4,1 31 cm (LxAxP fechado) e com 3,8 kg de peso, o W700ds é um equipamento grande e espaçoso, ainda mais se c0nsiderarmos seu “puxadinho” — uma tela LCD secundária de 10,6″ de 768 x 1.280 pixels que adiciona 39% a mais de imagem a sua já generosa tela principal de 17″ de 1.920 x 1.200 pixels. Quando fora de uso ela pode ser recolhida para dentro da tela principal, o que ajuda a explicar a espessura da mesma.

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Outro destaque desse modelo é a presença de uma mesa digitalizadora (tecnologia Wacom) embutida, que torna esse produto de especial interesse para artistas gráficos, projetistas, arquitetos, animadores e até mesmo fotógrafos que apreciam esse recurso. Localizado logo à direita do touchpad, o tablet fica numa posição bastante conveniente para os destros mas não necessariamente para os canhotos. Vale a pena notar que esse digitalizador não é um super topuchpad, de modo que sua superfície responde apenas à sua caneta de ponta capacitiva (que fica guardada na lateral direita do computador), de modo que o usuário não precisa ter receio de tocá-la sob o risco da seta do mouse ficar doida na tela.

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Se o usuário gostar das especificações desse equipamento, mas prefere algo um pouco menor, a Lenovo também oferece o novo ThinkPad W500, uma versão reduzida com tela de 15″ wide de 1.920 x 1.200 e sem tablet e tela secundária.  Uma comparação entre os dois modelos pode ser vista aqui.

Para se ter uma idéia do tamanho do w700, coloquei-o ao lado de outros modelos da casa. De cima para baixo: ThinkPad X60s com tela de 12″,  ThinkPad T61 com tela de 15″ wide e o ThinkPad W700ds com tela de 17″ wide:

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Vista lateral esquerda. Note a espessura da tela do W700ds, necessária para abrigar sua tela secundaria.

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E aproveitando que estávamos com um netbook Dell Inspiron Mini 9 dando sopa por aqui, uma foto de família do mini no colo do W700ds:

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Por essas imagens, dá para dizer que W700ds está mais na categoria dos chamados “desktop replacements”, aqueles notebooks mais voltados para ficar em cima da mesa de trabalho do que ficar andando de lá pra cá o dia inteiro e, quando necessário, pode ser transportado sem problemas. Como é tradição nos portáteis da empresa, ele possui um padrão de construção bastante sólido com estrutura interna em metal fundido e tampa superior em liga de magnésio. Se segurarmo o W700ds em apenas um dos cantos, não sentimos nenhuma torção ou rangido, algo importante para um equipamento do seu peso e porte.

A propósito, sua fonte de alimentação de 170 watts por 20 volts também tem dimensões respeitáveis. Para efeito de comparação eu coloquei sobre ela uma fonte padrão de 90 watts / 20 volts:

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Mas, se transportabilidade não é o forte do W700ds, a Lenovo soube aproveitar bem todo o espaço disponível para equipar esse portátil com um generoso pacote de recusos. Por exemplo: Ao contrário dos outros modelos,  sua área de trabalho é tão grande que a empresa decidiu instalar dois iluminadores ThinkLight quando apenas um costuma dar conta do recado. Note a webcam de 1,3 MP logo abaixo da luz da esquerda.

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Na sua lateral direita podemos ver na parte de cima tela secundária (recolhida), e na parte de baixo (a partir da esquerda) três portas USB 2.0, modem (uia!), compartimento da caneta do tablet, gravador de DVD montado numa baia Serial Ultrabay Enhanced (já comentado no final dessa nota), um dos dispersores de calor e slot para dispositivo anti-furto padrão Kensington. Para liberar a tela secundária, basta pressionar a mesma para soltar a trava.

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Na lateral direita vemos mais um dispersor de calor, uma porta Firewire, mais duas USB e dois slots para cartões Expresscard /34 e  /54 (uia!). Note os cortes em ângulo nos cantos de cima e embaixo do portátil, feitos para facilitar sua empunhadura, isto é, essa lateral em ângulo se encaixa melhor na parte interna da mão quando transportamos o notebook como um livro.

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Na parte de trás do equipamento estão suas três saídas de vídeo (DisplayPort, SVGA e DVI), rede Gigabit Ethernet e a entrada de força. O legal é que — como nos PCs de mesa — essas portas ficam no local onde menos atrapalham o usuário, ao contrário de outros modelos onde os cabos literalmente saem pelas laterais.

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Na frente, o slot para cartão de memória Flash (SD, MS e xD), as portas de som e a trava da tela se concentram no lado direito.

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Um hábito meio estranho dos projetistas da Lenovo é de colocar a chave que liga e desliga a interface Wi-Fi em locais meio escondidos e o W700ds não é exceção à regra. Como nos ThinkPads é tradição ter acesso a esse recurso por meio de uma função do teclado, alguns podem nem sentir a falta dele. Note o pezinho de borracha (à direita) com uma espécie de pino ao centro que serve como um sistema se amortecimento passivo (além do sistema ativo) que protege os HDs contra impactos.

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Como era de esperar num equipamento desse porte, a área de trabalho do W700ds é bem ampla, com espaço de sobra para o teclado já em português e até um numérico ao lado. Sua disposição de teclas segue mais ou menos o padrão dos teclados de desktop e o dispositivo apontador está disponível em dois modos — TrackPoint e Touchpad, que podem ser usados ao mesmo tempo ou chaveados via software. Uma curiosidade desse layout são as teclas de avanço e retrocesso de páginas web — comum nos portáteis da empresa — e um botão de atalho para calculadora do Windows, algo que já vimos no Precision Covet da Dell. Note o tradicional sensor biométrico no canto inferior direito.

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Na minha opinião, uma das grandes surpresas desse equipamento é seu calibrador de cores da sua tela LCD formada por um sensor montado entre a mesa digitalizadora e o teclado e um pacote de software da Pantone que já acompanha o produto. Seu procedimento de calibração é, no mínimo, muito bem bolado e pode ser visto em detalhes aqui.

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Curiosamente, após passar por esse processo de calibração de cores, notamos diferença de tons entre a tela principal e a secundária o que algo até esperado, já que o sensor não pode ser usado nela. Daí fica claro que não de deve confiar na tela secundária para trabalhar com cores precisas, devendo a mesma ser apenas ser usada em tarefas, err… secundárias (duh!) ou periféricas, como manter o sistema de e-mails (como o Outlook ou Thunderbird) ou de chat sempre abertas. Alguns programas gráficos também podem tirar proveito desse recurso mantendo a janelas de ferramentas da tela lateral liberando a principal para editar imagens.

w700ds_calibrated

Se comparado com o resto do conjunto, não há muito o que ver na sua base. Como é padrão nos projetos da Lenovo, os parafusos possuem marcações que informam que componente ou cojunto o que facilita a vida daqueles que precisam desmontar um componente específico como o teclado. Embaixo também podemos ver os furos para drenagem de líquidos que possam cair acidentalmente no teclado.

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Curiosamente, o compartimento da sua bateria de íons de lítio de 9 células fica na parte da frente, o que acredito inviabilizar o uso de baterias estendidas e para mim uma indicação de que o W700ds foi feito para passar mais tempo ligado do que longe da tomada. Segundo o fabricante, sua autonomia estimada é de 2,3 horas.

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Para acessar o compartimento dos pentes de memória, basta remover dois parafusos e retirar sua tampa de proteção. O modelo analisado veio equipado com 4 GB de SDRAM DDR3 1066 Mhz SODIMM com opção de chegar até 8 GB. Por causa disso, o sistema operacional instalado foi o Windows Vista Business de 64 bits.

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Outro compartimento de fácil acesso é o dos discos rígidos. O W700ds aceita até dois HDs de 2,5″, apesar de que discos SSD de 1,8″ também podem ser usados por meio de um suporte adaptador. Isso permite diversas combinações e opções de configuração (como discos independentes ou montados em RAID) e já que foi analisado detalhadamente nesta nota.

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Para ter acesso aos outros compomentes internos do W700ds — como seus diversos cartões de expansão e a placa de vídeo — é necessário remover diversos parafusos para soltar o descanso das mãos e desconectar diversos componentes como o touchpad e o tablet para começar a remover o teclado. Pelo risco envolvido e pouco tempo que o produto ficou conosco, preferimos não ir adiante e partir logo para os testes.

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O modelo analisado por este Zumo veio equipado com um processador móvel de quatro núcleos Intel Core 2 Extreme Q9300 de 2,53 GHz com chipset Intel PM45 Express, 4 GB de SDRAM DDR3 1.066 Mhz, dois discos rígidos sendo um um Hitachi Travelstar 7K200 (P/N 42T1461)  de 160 GB SATA 300 de 7.200 rpm e um disco Samsung MMCQE28G8MUP (P/N 41W0518) de 1,8″, 128 GB e SATA 300. Apesar de ambos serem compatíveis com o padrão SATA 300, as especificações do portátil informam que sua interface interna ainda segue o padrão SATA 15o.

Sua placa gráfica é uma NVIDIA Quadro FX3700M com 1GB de RAM e certificação ISV. O sistema ainda conta chip de segurança (TPM) compatível com TGC 1.2, porta de rede WiFi Intel 5300 802.11a/g/n (uia!),  modem 56Kbps V.92 e Bluetooth 2.0. O sistema operacional instalado foi o Windows Vista Business de 64 bits com recursos de tablet ativados.

Nos testes realizados, o W700ds bateu 145  pontos no Sysmark 2007 Preview 1.05 9.736 pontos no PCMark 2005, e 7.490 no PCMark Vantage, 11.177 pontos no 3DMark 2006, 5.056 pontos no 3DMark Vantage e no AutoGK 2.45, o ThinkPad levou aproximadamente 1h6m56s para transformar um filme em DVD para um arquivo AVI de 700 MB. O processo oposto (criar uma imagem de DVD a partir de um arquivo de vídeo)  feito com o DVDFlick 1.3.0.6 foi de 2h07m48s utilizando um thread e 1h11m50s com quatro Threads. O índice de Experiência do Windows bateu 5,9 pontos em todas as categorias (duh!).

Nos testes de renderização com o Cinebench 9.5 a workstation móvel da Lenovo obteve 493 CB-CPU (single CPU) e 1.477 CB-CPU (multiple CPU), um ganho de quase 3 vezes no modo multiprocessado. No Cinebench 10 os resultados foram melhores ainda: 2.973 CB-CPU (Single CPU) e 9.954 CB-CPU (Multiple CPU), ganho de 3,35 vezes. Nos testes de autonomia com o Battery-(comedor de farinha)-Eater o sistema funcionou em média — a plena carga — por 01h09m57s, algo por sinal dentro do esperado.

Ah sim, e atendendo aos pedidos do David Lopes, fiz alguns testes com o Super Pi:

w700ds_superpi

Os resultados do W700ds foram ligeiramente melhores que o Dell Precision M6400 Covet (analisado em março de 2009), o que era de se esperar já que esse ThinkPad veio equipado com um processador mais veloz, e apesar de a máquina vir equipado com dois discos, o SSD da Samsung estava sendo utilizado quase que exclusivamente pelo sistema de modo que ele pode ter dado um empurrão a mais nos resultados.

No geral fiquei muito impressionado com esse produto e se você está à procura de uma solução que apresente uma boa combinação de recurso e desempenho — e obviamente tiver disposição para gastar R$ 21.833 numa workstation móvel — o W700ds não vai decepcioná-lo. Quem preferir algo mais simples e de desenho mais convencional, o ThinkPad W500 sai por R$ 13.645.

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Resumo: Lenovo ThinkPad W700ds
O que é isso? Workstation portátil mais voltado para projetos, artes gráficas, animações e tratamento de imagens.
O que é legal? Construção sólida, tela auxiliar, mesa digitalizadora e calibrador de tela integrada. 3 anos de garantia.
O que é imoral? Portabilidade e bateria não são seus fortes. Não possui porta e-SATA.
O que mais? Apesar de não ser um equipamento barato, ele oferece recursos inéditos que realmente aumentam o valor do produto.
Avaliação: 9,2 (de 10). Entenda nosso novo sistema de avaliação.
Preço sugerido: R$ 21.833
Onde encontrar: www.lenovo.com.br


Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

  • Andre

    Acredito que na foto de comparacao, seja um T60 e nao um T61.

  • Oi André,

    Nope, é um T61 mesmo.

    Quando o nome desses modelos sobem apenas um número (T60 p/ T61) as mudanças são mais internas do que externas. Um bom exemplo é o X60s/X61s cuja diferença foi o upgrade do processador Core Duo (Yonah) para Core 2 Duo.

    [ ]s

    M.

  • dflopes

    Uau, é mais caro do que meu carro (18.000) o.0

    E a tela auxiliar é maior do que a tela do miini 9:
    1.280×768 > 1.024×600

    Essa bateria instalada na frente deve incomodar o uso, pois fica sob o trackpad!

    E obrigado pela consideração ao efetuar o teste do SuperPi. PAra modelagem matemática, basta um processador rápido. Como já falei, o meu PIV 3.0 HT “Prescott” faz o teste de 1M em 48s (fritando a 72ºC)

    Mas não entendo como um sistema multiprocessado pode influenciar nesse cálculo do Pi, que envolve força bruta de apenas um núcleo – tanto que os 4Core são normalmente mais rápidos do que os 2Core (obviamente em CNTP, para a mesma velocidade, sem overclock ou water cooling)

    abs

    dflopes

  • ASF

    Que bizarro, esse gadget parece ter saído das telas de um filme de Terry Gilliam.

  • Andre

    @Mario

    bom, o T61 que uso no trabalho tem 2 portas USB proximas a porta PCMCIA, que alias, tem outros botoes.

    e acabei de ver um T60 com a disposicao de portas exatamente igual ao seu T61.

    por isso estranhei.

  • Cristiano Larroudé

    Bom, primeiro parabéns pelo Post, de fato a leitura do ZUMO (de onde vem esse nome?) é garantia de informação de qualidade e completa.

    Na empresa onde trabalho o padrão é Lenovo. Até pensei em mandar esse post ao meu diretor pra ele trocar o Sony V[elhinho]aio dele…

    Mas depois que vi o preço fiquei sem ar e sem argumentos…

    Abraços a todos

    • @cristiano zumo vem dum passado não muito distante, eu escrevia para um site espanhol e a newsletter era “zumo da rede” (=suco). e eu também quase caí ao ver o preço!

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