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Review: Western Digital VelociRaptor 300 GB

No mercado de TI existem poucos produtos cujas qualidades são respeitadas até pela concorrência. Um bom exemplo são os discos rígidos para desktops da série Raptor da Western Digital que, desde o seu surgimento, sempre nos agradou de um modo ou de outro — seja no desempenho, seja no desenho bastante radical — o que lhe rendeu uma boa reputação entre os entusiastas, gamers e até adeptos de case mod que vão ficar, no mínimo, entusiasmados com o novo WD VelociRaptor WD3000GLFS de 300 GB.

Ao contrário de seus antecessores, como o Raptor 150 (150 GB) com sua exclusiva cobertura transparente, o VelociRaptor parte para uma solução ainda mais radical que é a adoção do padrão de formato de 2,5″ em vez do tradicional 3,5″. Com mídias de menor diâmetro, a cabeça de leitura e gravação movimenta-se menos, permitindo assim um menor tempo de acesso. Some-se a isso um mecanismo de rotação de 10.000 rpm (contra 7.200 rpm dos modelos mais comuns), um buffer de 16 MB e uma interface SATA II (ou SATA 300) temos aí uma taxa de transferência sustentada de até 120 MB/s (dados do fabricante) contra 88 MB/s do Raptor 150. Algo realmente incomum no segmento de desktops.

Para quem não sabe, a grande sacada dos WD Raptor sempre foi de trazer as tecnologias usadas nos discos SCSI e SAS de servidores para o mundo dos desktops. Isso explicaria em parte sua capacidade relativamente modesta (300 GB) para um disco na sua faixa de preço, já que, no mundo dos servidores, confiabilidade, desempenho e tempo de resposta são características muito mais importantes do que armazenamento propriamente dito.

Apesar do jeitão de disco de notebook, o VelociRaptor é ligeiramente mais alto (1,5 cm) e vem fixado numa impressionante base de alumínio (o chamado “IcePAK”) que é do mesmo tamanho e com os mesmos pontos de fixação um disco padrão de 3,5″, o que ajuda a dissipar o calor normalmente gerado pelos discos de 10.000 rpm e resulta num conjunto de mais de 0,54 kg. Assim é recomendável que o usuário escolha com cuidado onde esse disco será instalado de modo que o fluxo de ar passe pelas suas aletas e que boa parte do icePAK fique em contato direto com as partes metálicas do gabinete, o que também ajuda a dispersar o calor gerado pelo disco.

O único problema que vi nessa solução é que — ao contrário dos modelos de 3,5″ — seus conectores SATA ficam localizados mais numa parte central do disco, o que pode dificultar o seu uso em gavetas, soluções de docking, NAS ou mesmo em gabinetes para discos externos onde se espera que os pontos de contato fiquem mais à esquerda.

Para avaliar o seu desempenho, aproveitamos um outro teste que está em andamento aqui na bancada e ligamos o VelociRaptor como um segundo disco numa configuração baseada numa placa-mãe GA-X48-DQ6 da Gigabyte equipado com um processador Intel Core 2 Duo E6550 de 2,33 GHz com 4 MB de cache e FSB de 1.333 MHz, 2.048 MB de SDRAM DDR2 667, gravador de DVD, 80 GB de disco rígido de 7.200 rpm e Windows Vista Ultimate de 32 bits.

Como medida de cautela, coloquei o VelociRaptor na frente de um ventilador para manter o disco numa temperatura agradável. Apesar disso, reconheço que não notei um aquecimento anormal do disco mesmo sem a ventoinha. Também vale a pena notar que o disco mostrou ser bastante silencioso (segundo a empresa, no máximo 36 dB).

Os resultados obtidos com o HD Tune 2.55 podem ser vistos na tela abaixo:

Para efeito de comparação fizemos essa mesma medição com o disco padrão de 7.500 rpm usado no teste da placa-mãe, por sinal outro Western Digital modelo WD800JD.

Os números falam por si só: o VelociRaptor é, pelo menos, duas vezes mais veloz que um disco de linha de 7.200 rpm, o que soa como música no ouvido daqueles que desejam ou precisam do máximo de desempenho de seus discos. Observe, porém, que apesar da sua capacidade de armazenamento ter praticamente dobrado (se comparado com seu antecessor), 300 GB não é mais um número que salte aos olhos, principalmente se levarmos em consideração que discos de 500 GB e 1 TB já são comuns no mercado de desktops e a concorrência até já anunciou um modelo de 1,5 GB.

Isso faz com que o VelociRaptor seja um produto de nicho, mais voltado para aqueles que precisam de um disco veloz para suas aplicações que exigem uma grande capacidade de manipulação de arquivos (como edição de vídeo) e que não se importam de pagar um pouco a mais por isso. Se comparado com os SSD da Samsung (já analisado pelo Zumo) sua taxa de transferência é quase o dobro e sua capacidade de armazenamento 4,6 vezes maior, apesar de que o tempo de resposta do disco da Samsung (0,4 ms) ainda ser dramaticamente menor, ou seja, nada mal para um disco magnético.

Resumo: Western Digital VelociRaptor WD3000GLFS
O que é isso?
Disco rígido SATA II/300 de 300 GB e 10.000 rpm para desktops.
O que é legal? Excelente desempenho para um disco de desktop.
O que é imoral? Não é fácil encontrá-lo no mercado local. Capacidade modesta para sua faixa de preço.
O que mais? Seu conector SATA fica numa posição não padronizada.
Avaliação: 4,5 de 5,0
Preço sugerido: US$ 350 (nos EUA).
Onde encontrar: www.wdc.com/pt

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.